Analisamos por que a decisão de James Gunn de excluir Batman e Mulher-Maravilha de ‘O Homem do Amanhã’ é vital para o sucesso do novo DCU. Entenda como o foco na rivalidade entre Corenswet e Hoult protege a integridade do Superman e evita os erros estruturais do passado.
James Gunn está executando um movimento que exige mais do que visão criativa: exige disciplina editorial. Ao confirmar que ‘O Homem do Amanhã’ DCU não contará com Batman ou Mulher-Maravilha, o co-CEO da DC Studios sinaliza o fim de uma era de desespero corporativo. Deixar Superman ser o centro gravitacional de sua própria sequência é o primeiro passo real para construir um universo que não desmorone sob o peso do próprio hype.
A declaração de Gunn no final de 2025 foi cirúrgica. Ao desmentir rumores de audições para o Cavaleiro das Trevas e negar categoricamente participações da Trindade, ele protege a integridade narrativa de David Corenswet. No cinema de super-heróis atual, a ausência de um crossover tornou-se uma declaração de confiança na força do protagonista.
A lição amarga de 2016: Por que menos é mais para o DCU
O fantasma de ‘Batman vs Superman: A Origem da Justiça’ ainda serve como o maior alerta da indústria. O erro de Zack Snyder não foi estético, mas estrutural: ele tentou transformar uma sequência do Superman em uma plataforma de lançamento para a ‘Liga da Justiça’. O resultado foi um filme sobrecarregado, onde o arco de Clark Kent foi sufocado pela necessidade de introduzir Diana Prince, Lex Luthor e teasers para outros quatro heróis.
Gunn parece entender que a pressa é a inimiga da iconografia. Ao manter o foco estrito em Metrópolis, ele evita as comparações inevitáveis com a estrutura de 2016. Se Lex Luthor (Nicholas Hoult) é o antagonista central, adicionar Bruce Wayne criaria um ruído desnecessário. ‘O Homem do Amanhã’ não precisa ser um trailer de duas horas para o próximo evento; ele precisa ser uma história sobre o peso de ser o símbolo de esperança em um mundo cínico.
Corenswet vs Hoult: O duelo que ‘O Homem do Amanhã’ precisa proteger
A química — ou a falta dela, no sentido antagônico — entre David Corenswet e Nicholas Hoult é o coração pulsante desta sequência. A rivalidade entre Superman e Lex Luthor é, em sua essência, um debate filosófico sobre o potencial humano versus o poder divino. Quando Batman entra na sala, esse debate muda de frequência. O Cavaleiro das Trevas, por sua própria natureza, rouba o oxigênio de qualquer cena.
David Corenswet estabeleceu um Superman mais solar e humano no primeiro filme. Para que esse personagem amadureça, ele precisa enfrentar desafios que não podem ser resolvidos com um gadget de Gotham. ‘O Homem do Amanhã’ DCU tem a chance de explorar o lado investigativo de Clark Kent e a paranoia intelectual de Luthor sem as distrações de um universo compartilhado gritando por atenção a cada esquina.
A maturidade narrativa de James Gunn
A estratégia aqui remete aos primeiros anos do MCU, mas com uma correção de curso necessária para 2026. Gunn não está apenas copiando a fórmula da Marvel; ele está aplicando uma contenção que a própria Marvel perdeu em suas fases recentes. Cada herói precisa de sua própria mitologia estabelecida antes de se tornar uma peça de um quebra-cabeça maior.
Diana Prince e Bruce Wayne terão seus momentos, mas introduzi-los como ‘participações especiais’ em um filme do Superman apenas diminuiria sua importância. Uma Mulher-Maravilha que aparece apenas para ‘salvar o dia’ no terceiro ato é um recurso narrativo preguiçoso que Gunn parece determinado a evitar. O foco aqui é a construção de mundo através da profundidade, não da largura.
O que esperar da construção de mundo sem a Trindade
Isso não significa que o filme será isolado. O primeiro ‘Superman’ já provou que este mundo é habitado por outros supers (como o Lanterna Verde de Nathan Fillion). No entanto, há uma diferença fundamental entre world-building orgânico e fan-service obrigatório. Podemos ver manchetes sobre Gotham ou referências diplomáticas a Themyscira, mas o arco dramático pertence exclusivamente ao Homem de Aço.
James Gunn está priorizando o longo prazo. Ao resistir à tentação de colocar os três maiores ícones da DC no mesmo pôster, ele garante que, quando a reunião finalmente acontecer, ela terá o peso emocional que o público merece. No fim das contas, a maior prova de respeito que você pode dar a um herói é permitir que ele sustente seu próprio filme sozinho.
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Perguntas Frequentes sobre ‘O Homem do Amanhã’ DCU
Batman vai aparecer em ‘O Homem do Amanhã’?
Não. James Gunn confirmou oficialmente que nem o Batman nem a Mulher-Maravilha estarão presentes na sequência de Superman, nem mesmo em participações especiais (cameos).
Quem é o vilão principal de ‘O Homem do Amanhã’?
Lex Luthor, interpretado por Nicholas Hoult, será o antagonista central do filme, focando na rivalidade clássica e ideológica com o Superman de David Corenswet.
O filme faz parte do novo DCU de James Gunn?
Sim. ‘O Homem do Amanhã’ é a sequência direta de ‘Superman’ (2025) e é uma das peças centrais do Capítulo 1: Deuses e Monstros do novo Universo DC.
Por que James Gunn decidiu não incluir a Trindade?
A decisão visa focar no desenvolvimento individual do Superman e evitar a sobrecarga narrativa que prejudicou filmes anteriores da DC, permitindo que cada herói tenha seu próprio espaço antes de um crossover.

