Analisamos por que o retorno de Chris Evans como Steve Rogers em ‘Vingadores: Doutor Destino’ é a única solução para o vácuo moral do MCU. Entenda como a dinâmica com o Doutor Destino de Robert Downey Jr. e as consequências de ‘Ultimato’ tornam o Capitão América o protagonista essencial desta nova fase.
Quando os irmãos Russo declararam que não conseguiam visualizar a conclusão da ‘Saga do Multiverso’ sem o retorno de Chris Evans, não era apenas retórica para acalmar acionistas. Era uma admissão de culpa. Após seis anos de experimentações dispersas, a Marvel Studios parece ter aceitado que o MCU perdeu seu norte moral quando Steve Rogers decidiu se aposentar no passado.
O retorno de Evans em ‘Vingadores: Doutor Destino’ (Avengers: Doomsday) não deve ser encarado como um simples fanservice de emergência. Trata-se de uma correção de curso estrutural. Enquanto a franquia tentava elevar novos pilares, esqueceu-se de que uma catedral não se sustenta sem seu alicerce original. A recepção explosiva aos primeiros materiais promocionais prova que o público não quer apenas ‘rostos conhecidos’, mas a gravidade emocional que só o Capitão América original consegue imprimir.
O peso dos números: Por que o engajamento de Steve Rogers é diferente
Os dados de engajamento do primeiro teaser são reveladores. Com mais de 53 milhões de interações orgânicas em 24 horas, o material focado em Steve Rogers superou o anúncio do retorno dos X-Men. Isso sinaliza um fenômeno de ‘fadiga de novidades’: o público está exausto de introduções constantes de novos personagens e deseja o fechamento de arcos que realmente importam.
Diferente da abordagem colorida e frenética de ‘The Marvels’ ou ‘Quantumania’, o teaser de ‘Doutor Destino’ aposta em uma estética que remete a ‘Capitão América: O Soldado Invernal’. Há uma sobriedade na paleta de cores e um foco no silêncio que sugere que os Russo estão trazendo de volta o thriller de espionagem política, agora em escala multiversal. É a técnica de ancorar o fantástico no humano, algo que Steve Rogers personifica melhor que qualquer outro herói.
A bússola moral em um multiverso sem direção
A trilogia do Capitão América permanece como o ponto alto do MCU porque Steve Rogers funcionava como o ponto de referência para todos os outros personagens. Ele era o ‘fator constante’. Sem ele, as Fases 4 e 5 tornaram-se um aglomerado de eventos sem uma consequência emocional unificadora.
Sam Wilson, embora um sucessor digno e um personagem complexo sob a pele de Anthony Mackie, foi jogado em roteiros que hesitaram em dar a ele o peso de liderança absoluta. Já Rogers possui a autoridade inerente de quem já enfrentou deuses e titãs com nada além de um escudo e força de vontade. Em um cenário onde as realidades estão colidindo (as famosas Incursões), o MCU precisa de alguém que não questione ‘como’ salvar o mundo, mas ‘por que’ ele merece ser salvo.
O conflito definitivo: O rosto de um amigo, a mente de um vilão
A escalação de Robert Downey Jr. como Victor von Doom (Doutor Destino) torna a presença de Steve Rogers obrigatória. O impacto dramático de Destino não viria apenas de seu poder, mas da tortura psicológica de ostentar a face de Tony Stark — o homem que se sacrificou para salvar o universo.
Colocar qualquer outro herói para liderar o ataque contra Destino seria um desperdício narrativo. Somente Steve Rogers carrega o luto e a história necessária para que esse confronto seja doloroso. Não é apenas uma batalha física; é um teste de fé. Ver Rogers hesitar ao olhar para o rosto de seu maior aliado transformado em seu pior inimigo é o tipo de drama de alta voltagem que definiu os melhores momentos de ‘Guerra Civil’.
A teoria da ‘Escolha Egoísta’: O erro de Steve causou o colapso?
Aqui entra o ângulo mais fascinante para o roteiro de Stephen McFeely: a desconstrução do herói perfeito. Em ‘Vingadores: Ultimato’, Steve Rogers tomou sua única decisão puramente egoísta ao permanecer no passado com Peggy Carter. De acordo com as regras estabelecidas em ‘Loki’ e ‘Doutor Estranho no Multiverso da Loucura’, essa anomalia temporal pode ter sido a primeira grande rachadura na estabilidade do multiverso.
Se ‘Vingadores: Doutor Destino’ revelar que a felicidade de Steve foi o catalisador para a destruição de outras realidades, teremos o arco de personagem mais sombrio e interessante da franquia. Steve não estaria lutando apenas por justiça, mas por redenção. O bebê visto brevemente no teaser — possivelmente seu filho ou neto em uma linha do tempo alternativa — serve como o lembrete físico do que ele tem a perder e do erro que precisa consertar.
Conclusão: A última carga da Era de Ouro
A Marvel Studios está em uma encruzilhada. A aposta em Chris Evans e nos irmãos Russo é um movimento de ‘tudo ou nada’. Ao centralizar a narrativa novamente em Steve Rogers, o estúdio admite que o futuro do MCU depende de honrar seu passado de forma inteligente, não apenas nostálgica.
Se ‘Doutor Destino’ conseguir equilibrar a escala épica do multiverso com o peso íntimo das escolhas de Rogers, o MCU poderá finalmente encontrar o encerramento que a ‘Saga do Infinito’ prometeu, mas que a ‘Saga do Multiverso’ ainda não havia entregado.
Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!
Perguntas Frequentes sobre ‘Vingadores: Doutor Destino’
Chris Evans está confirmado em ‘Vingadores: Doutor Destino’?
Embora a Marvel mantenha detalhes em sigilo, o envolvimento de Chris Evans é dado como certo após os anúncios dos Irmãos Russo e os teasers focados no Capitão América original para a conclusão da Saga do Multiverso.
Quem dirige ‘Vingadores: Doutor Destino’?
O filme marca o retorno de Joe e Anthony Russo à direção, os mesmos diretores responsáveis por ‘Guerra Infinita’ e ‘Ultimato’.
Robert Downey Jr. será o Homem de Ferro ou o Doutor Destino?
Confirmado oficialmente pela Marvel, Robert Downey Jr. interpretará Victor von Doom (Doutor Destino), o principal vilão desta nova fase, em uma versão que promete explorar o multiverso.
Qual a data de lançamento de ‘Vingadores: Doutor Destino’?
O filme está programado para estrear nos cinemas em maio de 2026, seguido por ‘Vingadores: Guerras Secretas’ no ano seguinte.
Preciso assistir às séries do Disney+ para entender o filme?
É recomendável assistir a ‘Loki’ (Temporadas 1 e 2) e ‘Doutor Estranho no Multiverso da Loucura’, pois introduzem os conceitos de Incursões e colapso multiversal que serão centrais na trama.

