‘Euphoria’: Por que a série mais polêmica da HBO voltou a dominar o streaming

Analisamos por que ‘Euphoria’ continua no topo mesmo após quatro anos de hiato. Do impacto do salto temporal de cinco anos à evolução técnica de Sam Levinson e os desafios dos bastidores, entenda como a 3ª temporada promete transformar o drama teen em um thriller adulto visceral.

Quatro anos. Esse foi o tempo que ‘Euphoria’ permaneceu em hiato — uma eternidade no ecossistema do streaming, onde produções costumam ser devoradas e esquecidas em semanas. No entanto, em janeiro de 2026, a obra de Sam Levinson desafia a lógica do algoritmo ao figurar no Top 5 do Max, rivalizando com blockbusters recentes. Como uma série sem episódios inéditos desde 2022 mantém tamanha tração? A resposta reside em uma combinação rara de consagração de elenco, amadurecimento técnico e uma narrativa que soube transformar o caos dos bastidores em expectativa pura para a Euphoria 3ª temporada.

O ‘Efeito A-List’: Como o elenco sustentou o hype no hiato

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Diferente de outros dramas adolescentes que dependem da estrutura escolar para sobreviver, ‘Euphoria’ tornou-se maior que sua própria trama devido à explosão meteórica de seus protagonistas. Zendaya, Sydney Sweeney e Jacob Elordi não são mais apenas atores de uma série da HBO; eles se tornaram os pilares da nova Hollywood. O hiato de quatro anos, ironicamente, serviu para que o público visse o trio dominar o cinema — de ‘Duna’ e ‘Rivais’ a ‘Anyone But You’ e ‘Saltburn’.

Essa onipresença transformou a série em um ‘porto seguro’ de relevância cultural. Assistir a ‘Euphoria’ em 2026 não é apenas revisitar um drama teen, mas observar a gênese dos maiores astros da década. A fotografia de Marcell Rév, que na segunda temporada abandonou o digital pelo grão orgânico da película Ektachrome de 35mm, conferiu à série uma textura atemporal que sobreviveu bem ao tempo, mantendo o apelo visual mesmo diante de novas tendências estéticas.

Bastidores em chamas: Do desastre de ‘The Idol’ ao luto real

O caminho para a 3ª temporada foi pavimentado por crises que teriam cancelado projetos menores. O primeiro grande obstáculo foi a recepção desastrosa de ‘The Idol’. O projeto paralelo de Sam Levinson gerou dúvidas sobre sua capacidade de conduzir narrativas sensíveis sem cair no puro choque gratuito. Rumores de que Zendaya teria intervindo criativamente após o fracasso da série de The Weeknd sugerem que a protagonista assumiu um papel de salvaguarda da integridade de sua personagem, Rue.

Mais profundo que as disputas criativas foi o impacto emocional das perdas reais. A morte de Angus Cloud (Fezco) em 2023 removeu o coração moral da série. Cloud trazia uma vulnerabilidade autêntica que contrastava com o cinismo dos outros personagens. Junto à perda do produtor Kevin Turen, a série precisou passar por um processo de luto e reescrita. A grande questão para abril de 2026 é como Levinson honrará o legado de Fez sem transformar a tragédia em um dispositivo narrativo barato.

O salto temporal de 5 anos: A morte do glitter e o nascimento do realismo

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O trailer oficial confirmou o que muitos previam: o abandono dos corredores de East Highland. Ao saltar cinco anos no futuro, a série soluciona o problema óbvio da idade do elenco (Zendaya e Sweeney beirando os 30 anos) e permite uma exploração mais crua das consequências. Se as primeiras temporadas eram sobre a euforia do excesso, os novos episódios parecem focar na ressaca existencial.

Visualmente, o trailer sugere uma paleta de cores mais fria e menos saturada. O brilho excessivo e as maquiagens de glitter — que definiram a estética de 2019 — dão lugar a ambientes mais sóbrios e claustrofóbicos. Rue aparece em um cenário internacional, possivelmente fugindo das ramificações do tráfico de Laurie, enquanto a dinâmica entre Cassie e Nate evoluiu para uma domesticidade tóxica que ecoa os piores pesadelos da classe média americana. O salto temporal não é apenas uma necessidade logística; é a chance de ‘Euphoria’ provar que tem substância para além do estilo.

O que está em jogo para a HBO e o legado de Sam Levinson

Para o Max, ‘Euphoria’ é a ponte definitiva com a Geração Z. Em um momento onde o streaming busca consolidar franquias seguras (como os derivados de ‘Game of Thrones’), a série representa o investimento no conteúdo autoral provocativo. O risco é alto: se a 3ª temporada falhar em amadurecer seus temas, corre o risco de ser vista apenas como um exercício de estilo sobre substância.

A estreia em 12 de abril será o teste final para Levinson. Ele precisa provar que consegue equilibrar seu olhar técnico apurado — o uso de trilhas sonoras imersivas de Labrinth e enquadramentos que isolam os personagens em sua própria solidão — com um roteiro que dê fechamento digno a arcos iniciados há sete anos. ‘Euphoria’ voltou a dominar o streaming porque, mesmo no seu pior, ela nunca é monótona. Em 2026, o público não quer apenas respostas; quer sentir a intensidade que só Rue e companhia conseguem entregar.

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Perguntas Frequentes sobre a 3ª temporada de ‘Euphoria’

Quando estreia a 3ª temporada de ‘Euphoria’?

A estreia da 3ª temporada de ‘Euphoria’ está confirmada para o dia 12 de abril de 2026, com episódios lançados semanalmente no canal HBO e na plataforma Max.

Angus Cloud (Fezco) aparecerá na nova temporada?

Devido ao falecimento do ator em 2023, o personagem Fezco não terá cenas inéditas. A produção confirmou que a série abordará a ausência do personagem de forma respeitosa dentro da nova linha temporal.

Por que houve um salto temporal de 5 anos?

O salto temporal serve para alinhar a idade dos personagens com a dos atores na vida real e para explorar as consequências de longo prazo dos traumas apresentados no ensino médio.

Quantos episódios terá a 3ª temporada?

A temporada contará com 8 episódios, mantendo o padrão das duas anteriores, com duração média de 60 minutos cada.

Barbie Ferreira (Kat) estará na 3ª temporada?

Não. A atriz Barbie Ferreira anunciou oficialmente sua saída da série após a 2ª temporada, portanto, a personagem Kat Hernandez não retornará para os novos episódios.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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