Entenda o papel das casas de Westeros em ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ e como o Torneio de Ashford revela as tensões políticas da era Targaryen sem dragões. Analisamos de Baratheon a linhagens raras que moldam a jornada de Dunk e Egg.
Westeros em ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ não é o reino decadente que conhecemos em ‘Game of Thrones’, nem o império dourado de ‘A Casa do Dragão’. Estamos no ‘Outono dos Dragões’: uma era de transição onde a linhagem de Aegon, o Conquistador, ainda governa, mas agora precisa de diplomacia e aço comum para manter o Trono de Ferro. O Torneio de Ashford, ponto central da nova série da HBO, é a vitrine perfeita para entender como as casas de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ moldaram o futuro do continente.
Para o espectador atento, os estandartes que tremulam no pátio de Ashford contam histórias de glória passada e traições futuras. Mais do que apenas decoração, cada brasão representa uma peça em um jogo político que Dunk (Peter Claffey) e Egg (Dexter Sol Ansell) mal começaram a compreender.
A Dinastia Targaryen: poder sem o fogo dos dragões
Cem anos antes da jornada de Daenerys, os Targaryen vivem seu momento mais humano. Sem dragões para incinerar oponentes — extintos após a guerra civil vista em ‘A Casa do Dragão’ —, a família real depende de sua mística e de suas alianças. Em ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’, vemos uma linhagem dividida: o Rei Daeron II é um intelectual, enquanto seus filhos e sobrinhos representam diferentes facetas do orgulho valiriano.
A tensão em Ashford escala justamente porque a presença Targaryen não é mais uma garantia de ordem, mas um catalisador de caos. A série acerta ao mostrar o peso das coroas de ouro sobre cabeças que não têm mais o fogo para sustentá-las.
Casa Baratheon: Ser Lyonel e o prelúdio da fúria
Se Robert Baratheon era uma força da natureza em declínio, Ser Lyonel Baratheon, o ‘Tempestade que Ri’ (interpretado por Daniel Ings), é essa força em seu auge. O uso do elmo com chifres de cervo aqui não é apenas heráldica; é uma extensão da personalidade explosiva de Lyonel. Ele é o arquétipo do cavaleiro de Westeros: carismático, brutal e movido por um código de honra que prioriza o combate sobre a política.
Diferente de Stannis ou Renly, Lyonel representa a Casa Baratheon antes da amargura. Sua interação com Dunk serve para mostrar que, para as grandes casas, um cavaleiro errante é pouco mais que entretenimento — até que ele prova o contrário na arena.
Casa Fossoway: a maçã que se divide em duas
Um dos detalhes mais ricos da obra de George R.R. Martin que a série transpõe para a tela é a dinâmica da Casa Fossoway. O brasão original é uma maçã vermelha, mas o conflito entre os primos Steffon (Edward Ashley) e Raymun Fossoway prenuncia uma das cisões mais curiosas de Westeros.
A violência casual de Steffon contra seu próprio sangue é um lembrete técnico da direção de arte: repare como o figurino de Raymun é propositalmente mais simples, quase de um escudeiro comum, contrastando com a armadura polida e arrogante de Steffon. Essa rivalidade familiar é o microcosmo de como pequenas casas podem ser tão cruéis quanto os grandes senhores.
Casa Dondarrion: a honra antes da Irmandade
Ver o brasão do relâmpago em ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ causa um estranhamento proposital em quem se acostumou com Beric Dondarrion. Manfred Dondarrion (Daniel Monks) é a personificação da nobreza indiferente. A recusa fria em atestar a cavalaria de Dunk mostra que a ‘honra’ de uma casa é fluida — ela depende de quem carrega o estandarte no momento.
A cinematografia nas cenas do torneio destaca Manfred sempre cercado de luxo, um contraste visual direto com a pobreza de Dunk, reforçando que, em Ashford, o sobrenome vale mais que a habilidade com a lança.
Casas Menores e ‘Easter Eggs’ Heráldicos
A série expande o universo visual de Westeros ao trazer casas que as produções anteriores ignoraram:
- Casa Ashford: Os anfitriões do torneio. O sol branco com chevron sobre laranja domina o cenário, simbolizando uma casa que busca prestígio ao receber a elite do reino.
- Casa Hardyng: O Vale de Arryn marca presença com os losangos vermelhos e brancos, um detalhe técnico que agrada aos leitores de ‘As Crônicas de Gelo e Fogo’.
- Casa Beesbury: O amarelo e preto de Honeyholt conecta a série diretamente aos eventos de ‘A Casa do Dragão’, mantendo a continuidade visual da franquia.
Por que a heráldica importa nesta série
Em ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’, as casas não são apenas facções em uma guerra; elas são o ambiente social onde Dunk tenta encontrar seu lugar. Enquanto ‘Game of Thrones’ era sobre quem sentaria no trono, esta série é sobre como um homem sem casa sobrevive entre aqueles que têm nomes milenares. Entender os brasões de Ashford é entender as regras de um jogo onde Dunk entra desarmado, mas com a perspectiva única de quem vê os gigantes de baixo para cima.
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Perguntas Frequentes sobre as Casas de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’
Quais casas de ‘Game of Thrones’ aparecem em ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’?
As casas Targaryen, Baratheon e Lannister estão presentes, mas em contextos muito diferentes. Os Targaryen ainda governam, os Baratheon são representados pelo carismático Ser Lyonel, e os Lannister têm uma participação mais discreta nesta época.
Ainda existem dragões na época da série?
Não. A série se passa cerca de 80 a 90 anos após a morte do último dragão. Os Targaryen governam apenas com seu poder político e militar, o que torna o Trono de Ferro mais vulnerável a rebeliões.
Quem é o ‘Tempestade que Ri’ (Laughing Storm)?
É Ser Lyonel Baratheon, o herdeiro de Ponta Tempestade. Ele é famoso por sua risada estrondosa durante os combates e por ser um dos maiores cavaleiros de seu tempo, contrastando com a seriedade de seus descendentes em ‘Game of Thrones’.
Onde assistir ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’?
A série é uma produção original da HBO e está disponível exclusivamente no canal HBO e na plataforma de streaming Max.
Preciso assistir ‘A Casa do Dragão’ antes desta série?
Não é obrigatório, mas ajuda a entender o declínio dos Targaryen. ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ funciona como uma história independente, focada na relação entre um cavaleiro errante e seu escudeiro.

