Roger Allers: morre o diretor de ‘O Rei Leão’ e pilar da Renascença Disney

Roger Allers, o lendário co-diretor de ‘O Rei Leão’ e peça-chave em ‘A Bela e a Fera’, faleceu aos 76 anos. Analisamos seu papel fundamental na Renascença Disney e como sua visão de storyboard elevou a animação ao status de arte competitiva no Oscar.

Roger Allers, o arquiteto narrativo por trás de ‘O Rei Leão’ e uma das mentes fundamentais da Renascença Disney, faleceu aos 76 anos. A notícia, confirmada neste domingo (18) pelo produtor e colega de longa data Dave Bossert, marca o fim de uma era para a animação tradicional. Allers não foi apenas um diretor; ele foi o artista que refinou a linguagem visual do estúdio em um momento de transição crítica.

A engenharia narrativa por trás de ‘A Bela e a Fera’

A engenharia narrativa por trás de 'A Bela e a Fera'

Antes de assumir a cadeira de direção, Allers consolidou seu nome como head of story. Seu trabalho em ‘A Bela e a Fera’ (1991) é um estudo de caso sobre estrutura cinematográfica. Foi sob sua supervisão que o filme se tornou a primeira animação da história a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme — uma quebra de paradigma que forçou a Academia a reconhecer o gênero como cinema de alto nível.

Diferente de seus predecessores, Allers trazia uma sensibilidade de storyboard que priorizava a economia visual. Ele entendia que, na animação, o que não é dito é tão importante quanto o diálogo. Essa precisão foi o que permitiu à Disney transitar de contos de fadas açucarados para dramas familiares complexos com peso operístico.

‘O Rei Leão’: O fenômeno que nasceu de um ‘projeto B’

É um fato conhecido na indústria que, na época da produção, a Disney apostava todas as suas fichas em ‘Pocahontas’, deixando ‘O Rei Leão’ para a equipe considerada secundária. Allers, dividindo a direção com Rob Minkoff, transformou o que muitos viam como um risco em um fenômeno cultural sem precedentes.

O impacto de Allers no filme foi além da tela. Sua capacidade de traduzir a experiência cinematográfica para os palcos da Broadway — onde escreveu o libreto da adaptação — demonstra uma versatilidade rara. Ele conseguiu manter a essência de ‘Hamlet’ africano enquanto adaptava a narrativa para as limitações e virtudes do teatro físico. O resultado foi uma obra que transcendeu gerações e formatos.

O legado técnico e a experimentação artística

O legado técnico e a experimentação artística

Mesmo após o sucesso massivo, Allers nunca se acomodou em fórmulas. Seu trabalho em projetos como ‘Lilo & Stitch’ e, especialmente, no curta indicado ao Oscar ‘A Pequena Vendedora de Fósforos’, revela um diretor interessado na melancolia e no experimentalismo. Este curta, em particular, é um testamento à sua maestria: uma narrativa sem diálogos, movida inteiramente por música e luz, que evoca uma resposta emocional profunda em poucos minutos.

Dave Bossert descreveu Allers como um mentor generoso, alguém que, apesar de ter moldado o filme mais lucrativo da história da animação 2D, mantinha a curiosidade de um iniciante. De acordo com relatos, ele faleceu enquanto viajava pelo Egito, ainda ativo e trocando ideias sobre novos conceitos criativos.

O reconhecimento de Bob Iger e o futuro da animação

O CEO da Disney, Bob Iger, prestou homenagem chamando Allers de “visionário criativo”. A declaração não é apenas protocolar; o trabalho de Allers serve como o blueprint para o que a Disney tenta replicar até hoje: o equilíbrio perfeito entre inovação técnica e coração narrativo.

Para o público, fica a obra. Para os estudiosos de cinema, fica a lição de como o storyboard pode ser a ferramenta mais poderosa de um diretor. Roger Allers deixa um mundo mais silencioso, mas sua pegada na cultura pop é indelével. Ele provou que desenhos animados podem rugir tão alto quanto qualquer produção em live-action.

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Perguntas Frequentes sobre Roger Allers

Quem foi Roger Allers na Disney?

Roger Allers foi um diretor, roteirista e artista de storyboard fundamental para a Disney. Ele é mais conhecido por co-dirigir ‘O Rei Leão’ (1994) e por ser o chefe de história de ‘A Bela e a Fera’ (1991).

Quais prêmios Roger Allers ganhou?

Allers recebeu uma indicação ao Oscar pelo curta ‘A Pequena Vendedora de Fósforos’ e ganhou múltiplos prêmios por seu trabalho no musical da Broadway de ‘O Rei Leão’, incluindo indicações ao Tony Award.

Qual foi a causa da morte de Roger Allers?

A causa específica não foi detalhada imediatamente após o anúncio, mas foi confirmado que ele faleceu aos 76 anos durante uma viagem ao Egito em janeiro de 2026.

Em quais outros filmes da Disney ele trabalhou?

Além de ‘O Rei Leão’, ele contribuiu para ‘A Pequena Sereia’, ‘Aladdin’, ‘A Nova Onda do Imperador’, ‘Lilo & Stitch’ e ‘Oliver e Sua Turma’.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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