Analisamos a estreia de Finn Wolfhard no ‘SNL’, marcada pelo reencontro do elenco de ‘Stranger Things’ e uma paródia brilhante de Harry Potter. Descubra por que o episódio funcionou como um rito de passagem para o ator e onde o programa ainda tropeça em fórmulas cansadas.
O ‘Saturday Night Live’ costuma usar o primeiro episódio após o recesso de fim de ano para recalibrar o tom da temporada. Em 18 de janeiro de 2026, a missão caiu no colo de Finn Wolfhard. O eterno Mike Wheeler de ‘Stranger Things’ não apenas estreou como apresentador, mas usou o palco do Studio 8H para realizar um exorcismo público da imagem de astro mirim que o persegue há uma década.
O episódio foi irregular — uma característica crônica do ‘SNL’ nesta fase — mas brilhou quando abraçou o absurdo e a autodepreciação. Entre um reencontro nostálgico e paródias que miraram no prestígio da HBO, Wolfhard provou que, embora ainda dependa excessivamente das deixas nos cartazes (os famosos cue cards), possui um timing cômico que sobrevive ao caos das transmissões ao vivo.
O monólogo: Quando o fan service encontra a realidade
Wolfhard abriu o programa com uma honestidade brutal sobre o fim de ‘Stranger Things’. Aos 22 anos, ele descreveu 2024 como um ano “agridoce”, mas a piada sobre o público ter testemunhado sua puberdade em 4K foi o que realmente quebrou o gelo. É um desconforto compartilhado: nós nos sentimos velhos assistindo a ele, e ele se sente estranho sendo o receptáculo dessa nostalgia.
A entrada de Gaten Matarazzo e Caleb McLaughlin no palco não foi apenas para gerar clipes virais. O trio usou o momento para anunciar, com um sarcasmo afiado, que estão prontos para “papéis adultos”. A pausa dramática antes de negarem que se referiam à indústria pornográfica foi a melhor entrega de Wolfhard na noite — uma prova de que ele entende como manipular a expectativa da plateia.
‘Heated Wizardry’ e a produção de elite do SNL
O ponto alto técnico e criativo foi ‘Heated Wizardry’. O trailer falso fundiu a estética sombria da nova adaptação de ‘Harry Potter’ da HBO com o tropo de romances esportivos hiper-sexualizados. Wolfhard, como um Harry Potter angustiado e em tensão sexual constante com o Ron de Ben Marshall, vendeu a premissa com uma seriedade que tornava tudo ainda mais ridículo.
A participação de Jason Momoa como uma versão drag/meio-gigante de Hagrid (“Old Queen Hagrid”) foi o tipo de momento que justifica a existência do programa. A iluminação de alto contraste e a trilha sonora genérica de prestígio capturaram perfeitamente o vício visual das produções atuais do streaming, elevando a paródia de uma simples piada de figurino para uma crítica ácida à industrialização do conteúdo young adult.
‘Strangerest Minds’: O spinoff que a Netflix não teria coragem de fazer
Se a Netflix busca um caminho para o pós-‘Stranger Things’, o ‘SNL’ ofereceu a rota mais honesta (e cruel). O quadro ‘Strangerest Minds’ imaginou o elenco décadas depois. A interpretação de Andrew Dismukes como um Steve Harrington que ainda usa o cabelo de 1985 enquanto dá aulas de história foi cirúrgica.
A crítica mais contundente, porém, veio na forma como o quadro lidou com Will Byers. Ao zombar da hesitação eterna da série em definir a sexualidade do personagem, o ‘SNL’ fez o que os roteiristas originais evitaram por anos. E, claro, Kenan Thompson de peruca raspada fazendo a pose de Eleven para explodir a cabeça de um Vecna esquecido foi o ápice do absurdo visual que só o veterano do elenco consegue sustentar.
Onde o ritmo quebrou: O cansaço das fórmulas
Nem tudo foi brilhante. O retorno de ‘Snack Homiez’ — o quadro focado em gírias da Geração Alpha — soou datado no segundo em que começou. Nem mesmo a presença de Sabrina Carpenter conseguiu salvar um roteiro que se apoiava inteiramente em termos como ‘skibidi’ e ‘rizz’. É o ‘SNL’ tentando desesperadamente parecer jovem e falhando por não entender que a paródia do jovem já saturou.
O ‘Weekend Update’ também sofre de uma fadiga de material evidente. Colin Jost e Michael Che continuam afiados, mas a estrutura das piadas políticas tornou-se previsível. Em 2026, o público parece mais interessado no caos cultural do que na enésima variação de uma piada sobre o Congresso. O segmento precisava de uma energia nova que os âncoras, após tantos anos, parecem relutantes em entregar.
Veredito: Uma estreia sólida em um programa em transição
Finn Wolfhard não é um camaleão da comédia como um Bill Hader, mas sua estreia foi bem-sucedida por não tentar ser o que não é. Ele foi um facilitador eficiente para o elenco e brilhou em esquetes pré-gravadas, onde sua experiência em sets de cinema compensou a leve insegurança no palco principal.
O episódio de 18 de janeiro serviu para fechar a tampa do caixão de Hawkins e apresentar Wolfhard como um ator capaz de rir da própria trajetória. Se você busca o melhor da noite, ignore o humor político e vá direto para os trailers falsos — é ali que o ‘SNL’ de 2026 ainda mostra lampejos de genialidade.
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Perguntas Frequentes sobre Finn Wolfhard no SNL
Quais atores de ‘Stranger Things’ apareceram no SNL com Finn Wolfhard?
Além de Finn Wolfhard como apresentador, o episódio contou com participações especiais de Gaten Matarazzo (Dustin) e Caleb McLaughlin (Lucas) durante o monólogo de abertura.
Quem foi a atração musical do episódio de Finn Wolfhard?
A cantora Sabrina Carpenter foi a convidada musical da noite, apresentando seus sucessos e participando de um dos quadros de comédia.
Onde assistir ao episódio do SNL com Finn Wolfhard?
O episódio completo está disponível no serviço de streaming Peacock (nos EUA) e os principais quadros podem ser encontrados no canal oficial do Saturday Night Live no YouTube.
Qual foi o melhor quadro do episódio?
O consenso da crítica e do público aponta ‘Heated Wizardry’, uma paródia que mistura Harry Potter com dramas eróticos da HBO, como o ponto alto da noite, incluindo uma participação surpresa de Jason Momoa.

