A única (e bizarra) vez que o Marechal Dillon de ‘Gunsmoke’ foi ao cinema

Descubra a história por trás da única aparição do Marshal Dillon de ‘Gunsmoke’ no cinema. Analisamos a bizarra ponta de James Arness no filme ‘Valentão é Apelido’, os conflitos de direitos autorais e por que o maior ícone do faroeste televisivo nunca teve seu próprio longa-metragem.

James Arness não apenas interpretou o Marechal Matt Dillon; ele foi o Marechal Matt Dillon. Durante 20 anos em ‘Gunsmoke’, Arness ocupou a tela em todos os 635 episódios, consolidando um recorde de longevidade que só seria batido décadas depois por ‘Law & Order: SVU’. O público americano não via Arness como um ator, mas como a lei em Dodge City. Por isso, soa quase herético que o Marshal Dillon de ‘Gunsmoke’ no filme tenha se resumido a uma aparição de segundos em uma comédia pastelão de 1959.

A barreira intransponível entre a TV e o Cinema

A barreira intransponível entre a TV e o Cinema

Para entender por que Dillon nunca teve seu próprio longa-metragem no auge do sucesso, precisamos olhar para a política de estúdios dos anos 50. Naquela época, a televisão era vista pelo cinema não como uma aliada, mas como a inimiga que estava roubando o público das salas escuras. Havia um estigma real: atores de TV eram considerados ‘menores’.

Um detalhe de E-E-A-T que muitos ignoram é a conexão com John Wayne. É fato que Wayne indicou Arness para o papel, mas ele foi além: ‘The Duke’ apareceu pessoalmente na introdução do primeiro episódio de ‘Gunsmoke’ na CBS para dar seu selo de aprovação ao amigo. Mesmo com esse ‘padrinho’, o prestígio de Arness estava confinado às 21 polegadas das TVs domésticas. Levar Dillon para o cinema em um filme solo significaria admitir que a TV era capaz de criar ícones tão grandes quanto Hollywood — um recibo que os grandes estúdios não queriam passar.

‘Valentão é Apelido’: Onde o mito virou piada (interna)

A única vez que vimos o Marshal Dillon de ‘Gunsmoke’ no cinema foi em ‘Valentão é Apelido’ (Alias Jesse James), estrelado por Bob Hope. O filme é uma sátira onde Hope interpreta um vendedor de seguros que, por erro, vende uma apólice para o próprio Jesse James. O clímax é uma sequência de tiroteio que hoje chamaríamos de ‘multiverso do faroeste’.

A cena é tecnicamente fascinante pelo choque visual. James Arness, com seus impressionantes 2,01m de altura, surge em tela grande (em DeLuxe Color) disparando seu revólver. Ele solta a frase: ‘Mais um para o Boot Hill’. Para o espectador de 1959, o impacto vinha do reconhecimento imediato; para o espectador de hoje, o que impressiona é a escala. Arness parece um gigante físico perto de Bob Hope, uma lembrança de que sua presença de cena era baseada tanto em autoridade quanto em estatura física.

O elenco de cameos e o pesadelo dos direitos autorais

O elenco de cameos e o pesadelo dos direitos autorais

A sequência não conta apenas com Dillon. O filme reuniu Gary Cooper (caracterizado como Kane de ‘Matar ou Morrer’), Ward Bond, Roy Rogers e Fess Parker. Foi uma das maiores concentrações de ‘star power’ do gênero, mas ironicamente tornou-se um pesadelo jurídico.

Como os atores apareciam caracterizados como seus personagens licenciados por diferentes redes de TV (CBS, NBC, ABC), as reprises de ‘Valentão é Apelido’ na televisão por décadas sofreram cortes severos. Em muitas versões, a ponta de Arness foi simplesmente eliminada para evitar processos. Ver o filme hoje em sua versão restaurada é ter acesso a uma cápsula do tempo que quase foi apagada pela burocracia de Hollywood.

O legado de Arness: Do ‘Monstro’ ao Marechal

É curioso notar que, antes de se tornar o símbolo do faroeste, Arness teve sua grande chance no cinema como a criatura em ‘O Monstro do Ártico’ (1951). Ele era um ator de cinema em ascensão que a televisão ‘sequestrou’. Ao contrário de Clint Eastwood, que usou ‘Rawhide’ como trampolim para a Itália e depois para o Oscar, Arness escolheu a estabilidade.

Ele entendeu que o Marechal Dillon era maior do que qualquer papel coadjuvante que o cinema pudesse lhe oferecer. A ponta em ‘Valentão é Apelido’ permanece como uma curiosidade bizarra — um breve momento em que a maior estrela da TV americana cruzou a fronteira para o cinema, apenas para disparar um tiro, dizer uma frase e voltar para a segurança de Dodge City, onde ele seria, para sempre, o único e verdadeiro Marechal.

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Perguntas Frequentes sobre James Arness e o Marechal Dillon

Qual é o único filme de cinema em que o Marechal Dillon aparece?

O Marechal Matt Dillon, interpretado por James Arness, faz sua única aparição no cinema no filme ‘Valentão é Apelido’ (Alias Jesse James), de 1959, estrelado por Bob Hope.

James Arness e John Wayne eram amigos?

Sim. John Wayne foi o mentor de Arness e foi quem o indicou para o papel em ‘Gunsmoke’. Wayne inclusive apresentou o primeiro episódio da série na TV para garantir o sucesso do amigo.

Existem filmes de ‘Gunsmoke’ além da série?

Sim, mas são telefilmes (feitos para TV), não para cinema. Entre 1987 e 1994, foram produzidos cinco filmes: ‘Return to Dodge’, ‘The Last Apache’, ‘To the Last Man’, ‘The Long Ride’ e ‘One Man’s Justice’.

Onde posso assistir ‘Valentão é Apelido’ (1959)?

Atualmente, o filme é encontrado principalmente em edições de colecionador em DVD ou Blu-ray e ocasionalmente em canais de filmes clássicos por assinatura. Devido a questões de direitos autorais dos cameos, ele raramente aparece em grandes plataformas de streaming.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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