Cansado de super-heróis? Descobrimos as melhores séries Disney+ além da Marvel que estão escondidas no catálogo. De dramas históricos viscerais como ‘Cirurgias e Artimanhas’ a experimentos da Pixar, saiba por que o melhor do streaming não está nas grandes franquias.
Vou ser direto: o algoritmo do Disney+ quer que você assista ao novo spin-off da Marvel ou à enésima série de ‘Star Wars’. É o modelo de negócios deles. Mas, após meses explorando as camadas mais profundas do catálogo — longe dos holofotes dos Vingadores —, percebi que as produções mais corajosas da plataforma são justamente aquelas que ninguém está comentando no grande público. Se você sente que o serviço se tornou apenas um repositório de franquias saturadas, este guia é para você.
O que você encontrará abaixo não é uma lista de ‘recheio’ de catálogo. São obras que utilizam o orçamento da Disney para subverter expectativas, desde dramas históricos com humor ácido até experimentos narrativos da Pixar que desafiam o formato televisivo tradicional. Séries Disney+ além da Marvel existem, são tecnicamente impecáveis e, muitas vezes, superiores aos blockbusters que dominam a home.
‘Cirurgias e Artimanhas’: o Dickens que você não viu na escola
Imagine misturar a agilidade de ‘Grey’s Anatomy’ com o cinismo de ‘Peaky Blinders’. ‘Cirurgias e Artimanhas’ (The Artful Dodger) pega o batedor de carteiras de ‘Oliver Twist’ e o transplanta para a Austrália colonial de 1850. Jack Dawkins agora é um cirurgião — em uma época onde anestesia era um luxo e a medicina parecia um show de horrores.
Thomas Brodie-Sangster entrega uma performance elétrica, mas o brilho técnico está na reconstituição de época suja e vibrante, longe do visual ‘limpo’ de outras produções da casa. A química entre Dawkins e Fagin (um David Thewlis magistral) é o motor da série. É uma aula de como revitalizar um clássico sem parecer datado ou excessivamente reverente.
‘Percy Jackson e os Olimpianos’: correção de curso e fidelidade visual
Se você foi traumatizado pelas adaptações cinematográficas dos anos 2010, esta série é o seu pedido de desculpas oficial. A grande vitória aqui não é apenas a fidelidade à trama de Rick Riordan, mas a compreensão do tom: a mitologia grega é assustadora, confusa e profundamente humana. A cena do encontro com Medusa exemplifica isso, trocando o puro terror por uma tensão psicológica que respeita a inteligência do espectador jovem.
Destaque para o uso da tecnologia Volume (a mesma de ‘The Mandalorian’), que aqui cria paisagens oníricas que parecem saídas diretamente das ilustrações originais dos livros. Walker Scobell não interpreta Percy; ele é o Percy, com todo o sarcasmo defensivo que o personagem exige.
‘Ganhar ou Perder’: a Pixar provando que entende de ritmo televisivo
Muitas séries de animação parecem filmes esticados. ‘Ganhar ou Perder’ (Win or Lose) evita isso com uma estrutura brilhante: cada episódio reconta a mesma semana sob a perspectiva de um personagem diferente de um time de softball. O que é fascinante aqui é como o estilo de animação muda para refletir a psicologia do protagonista do episódio — um episódio pode parecer um anime frenético, enquanto outro adota uma estética mais contemplativa e suave.
É a Pixar em sua forma mais experimental, lembrando-nos que o estúdio ainda é o rei da empatia narrativa. Você começa a série torcendo pelo time e termina entendendo as inseguranças do árbitro e a ansiedade dos pais na arquibancada.
‘A Jornada de Jin Wang’: o luto pelo cancelamento precoce
Preciso falar de ‘A Jornada de Jin Wang’ (American Born Chinese) como um alerta. Embora tenha sido cancelada após a primeira temporada, ela permanece como uma das explorações mais potentes da identidade asiático-americana no streaming. A forma como a série integra a lenda do Rei Macaco (interpretado por um Daniel Wu magnético) ao drama de ensino médio é orgânica.
Diferente de ‘Shang-Chi’, onde a mitologia muitas vezes serve apenas à coreografia de luta, aqui ela serve à metáfora da assimilação cultural. É uma série visualmente inventiva, com lutas coreografadas que bebem da fonte do cinema de Hong Kong, mas com um coração voltado para as questões de pertencimento de qualquer adolescente.
‘Sem Limites com Chris Hemsworth’: ciência com pele em risco
Esqueça os documentários de celebridades que parecem peças de relações públicas. Em ‘Sem Limites’, o diretor Darren Aronofsky (de ‘Requiem para um Sonho’) coloca o intérprete do Thor em situações de estresse físico e mental extremo para explorar a longevidade humana. A fotografia é cinematográfica, transformando experimentos científicos em sequências de tirar o fôlego.
O episódio sobre memória e o diagnóstico real de predisposição ao Alzheimer de Hemsworth elevam a série de ‘reality de aventura’ para um estudo íntimo sobre a mortalidade. É raro ver uma estrela desse calibre tão vulnerável diante das câmeras, e o resultado é genuinamente educativo sem ser didático.
Veredito: o Disney+ é maior que suas franquias
O catálogo do Disney+ sofre de um problema de curadoria: as joias estão lá, mas você precisa cavar. Séries como ‘High School Musical: A Série: O Musical’ (que lançou Olivia Rodrigo e é muito mais inteligente do que o título sugere) e o documentário ‘Harlem Ice’ mostram que existe um DNA de narrativa humana e original tentando sobreviver em meio aos sabres de luz. Se você assina o serviço, dê uma chance ao ‘lado B’. É lá que a verdadeira criatividade da Disney está escondida atualmente.
Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!
Perguntas Frequentes sobre séries Disney+
Quais as melhores séries do Disney+ que não são da Marvel ou Star Wars?
Destaques incluem ‘Cirurgias e Artimanhas’ (drama histórico), ‘Percy Jackson e os Olimpianos’ (fantasia), ‘Ganhar ou Perder’ (animação Pixar) e ‘Sem Limites com Chris Hemsworth’ (documentário).
Existe conteúdo adulto no Disney+?
Sim. Através da aba ‘Star’ (integrada ao catálogo em muitas regiões), o Disney+ oferece séries como ‘The Bear’, ‘Xógum’ e ‘Cirurgias e Artimanhas’, que possuem classificação indicativa para maiores de 16 ou 18 anos.
‘A Jornada de Jin Wang’ terá segunda temporada?
Infelizmente, a série foi cancelada após a primeira temporada. No entanto, os episódios disponíveis fecham um arco importante e valem a pena pela qualidade técnica e narrativa.
‘Cirurgias e Artimanhas’ é baseada em qual livro?
A série é uma continuação não-oficial e reimaginada de ‘Oliver Twist’, de Charles Dickens, focando no personagem Jack Dawkins (o Artful Dodger) anos após os eventos do livro original.

