Analisamos como ‘Dorohedoro’ na Netflix subverte os clichês de mundos mágicos, trocando o brilho de Hogwarts por uma estética industrial e visceral. Entenda por que este anime do estúdio MAPPA é a fantasia urbana mais original da plataforma e o que esperar da nova temporada em 2026.
Enquanto a HBO prepara sua nova adaptação de ‘Harry Potter’ para 2027, um anime no catálogo da Netflix oferece uma resposta visceral para quem cansou do encantamento polido de Hogwarts. ‘Dorohedoro’ Netflix apresenta um ecossistema onde a magia não é uma herança nobre, mas uma toxina industrial que deforma a realidade e os corpos de quem a toca. Se você busca uma fantasia urbana que troca varinhas por facas de cozinha e corujas por cabeças de lagarto, este é o seu novo vício.
Produzido pelo renomado estúdio MAPPA — o mesmo gigante por trás de ‘Chainsaw Man’ e as temporadas finais de ‘Attack on Titan’ —, ‘Dorohedoro’ é frequentemente citado em círculos de animação, mas raramente recebe o destaque mainstream que merece. Com a segunda temporada confirmada para abril de 2026, o momento é ideal para entender por que esta obra de Q Hayashida é o ‘anti-Harry Potter’ definitivo.
O Hole não é Hogwarts: a magia como poluição industrial
Imagine o mundo bruxo se Voldemort tivesse vencido e transformado a sociedade em uma distopia industrial. Em ‘Dorohedoro’, a divisão é clara e cruel: de um lado, o ‘Hole’ (Buraco), uma metrópole decadente coberta de ferrugem e chuva ácida; do outro, o Reino dos Feiticeiros, um lugar vibrante e bizarro. Os feiticeiros aqui não são acadêmicos; são predadores que atravessam portais para testar suas habilidades nos cidadãos do Hole, transformando-os em abominações biológicas apenas por esporte.
A magia em ‘Dorohedoro’ é física. Ela se manifesta como uma fumaça preta produzida por um órgão específico no peito dos magos. Não há encantamentos em latim, apenas a liberação de um resíduo poluente que altera a matéria. Essa abordagem dá ao anime uma textura suja e tátil que a fantasia convencional raramente explora.
Caiman e a subversão do arquétipo do ‘Escolhido’
Nosso guia por esse caos é Caiman, um homem que acordou em um beco com cabeça de réptil e amnésia total. A dinâmica de ‘Dorohedoro’ brilha na busca de Caiman por sua identidade: ele caça feiticeiros, morde suas cabeças e deixa que uma figura misteriosa dentro de sua garganta julgue se aquele é o mago que o amaldiçoou.
O que torna Caiman um protagonista fascinante não é um poder oculto, mas sua imunidade. Em um universo onde a magia é a moeda de poder absoluta, o fato de Caiman ser imune a ela o torna uma anomalia perigosa. Ele não é o ‘escolhido’ por ter um destino glorioso, mas por ser a única peça que não se encaixa no tabuleiro dos feiticeiros. Ao seu lado está Nikaido, uma lutadora excepcional e dona de um restaurante de gyoza, que ancora a série com uma humanidade necessária em meio ao grotesco.
A estética de Shinji Kimura: o caos em alta definição
Um dos pontos mais fortes de ‘Dorohedoro’ Netflix é sua direção de arte, comandada por Shinji Kimura (‘Tekkonkinkreet’). Os cenários do Hole são pinturas ricas em detalhes de sujeira, fiação exposta e urbanismo caótico. É uma beleza feia, onde cada frame parece ter sido banhado em óleo de motor.
Embora o uso de CGI nos personagens tenha gerado discussões na estreia, a técnica do MAPPA aqui serve para dar um peso físico às lutas. Quando Caiman empunha suas facas, você sente a inércia e a brutalidade. Além disso, as máscaras de couro e metal desenhadas por Q Hayashida dão ao elenco um visual carnavalesco e aterrorizante que é impossível de esquecer.
Gyoza e Gore: o equilíbrio impossível que funciona
O que realmente separa ‘Dorohedoro’ de outros animes de ação é seu tom. Em um momento, estamos vendo uma cena de tortura corporal digna de um filme de David Cronenberg; no próximo, os personagens estão discutindo obsessivamente a receita perfeita de gyoza (os bolinhos japoneses que são o coração emocional da obra).
Essa alternância entre o horror corporal e o cotidiano leve — o famoso slice of life — humaniza até os vilões. A ‘Família En’, o grupo antagonista, é composta por personagens com motivações, inseguranças e uma lealdade quase familiar entre si. Você se pega torcendo por eles tanto quanto pelo protagonista, o que cria uma experiência narrativa moralmente cinzenta e extremamente gratificante.
Para quem recomendamos (e para quem não)
Se você aprecia a construção de mundo de ‘Hellboy’ ou a irreverência violenta de ‘The Boys’, ‘Dorohedoro’ é obrigatório. É uma obra que exige estômago para o gore, mas recompensa com uma das mitologias mais originais da década.
Por outro lado, se você prefere narrativas lineares e claras, onde o bem e o mal são bem definidos, a estranheza de ‘Dorohedoro’ pode ser alienante. O anime não explica suas regras de imediato; ele prefere que você sinta o cheiro da fumaça e o gosto do gyoza antes de entender como o mundo funciona. Com a segunda temporada chegando em 2026, maratonar os 12 episódios iniciais é o melhor preparo para o caos que está por vir.
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Perguntas Frequentes sobre Dorohedoro
Quando estreia a 2ª temporada de ‘Dorohedoro’ na Netflix?
A segunda temporada de ‘Dorohedoro’ está oficialmente confirmada e tem previsão de estreia para abril de 2026, continuando a adaptação do mangá de Q Hayashida.
O anime ‘Dorohedoro’ está completo na Netflix?
Atualmente, apenas a primeira temporada (12 episódios + 6 OVAs) está disponível. Ela cobre aproximadamente os primeiros 7 volumes do mangá, que possui 23 volumes no total.
‘Dorohedoro’ é muito violento?
Sim, o anime é classificado para maiores de 18 anos. Ele contém cenas de violência gráfica, horror corporal e humor negro, sendo indicado para um público adulto que aprecia fantasias sombrias.
Por que o protagonista de ‘Dorohedoro’ tem cabeça de lagarto?
Caiman foi vítima de uma maldição lançada por um feiticeiro desconhecido. A busca pela identidade desse mago e o motivo da transformação é o mistério central da trama.
Preciso ler o mangá para entender o anime?
Não é necessário, mas recomendado para quem quer a experiência completa. O anime é fiel, mas o mangá possui uma arte em nanquim extremamente detalhada que o CGI nem sempre consegue replicar totalmente.

