A redenção de Benioff e Weiss: ‘O Problema dos 3 Corpos’ evita erros de ‘GoT’

Analisamos por que ‘O Problema dos 3 Corpos’ Benioff e Weiss evita o colapso de ‘Game of Thrones’. Com um plano de três temporadas e a obra completa de Cixin Liu como guia, a dupla de showrunners troca o esgotamento criativo pela precisão técnica em uma adaptação que busca redenção.

Existe uma cicatriz na cultura pop que ainda não fechou: o final de ‘Game of Thrones’. Oito anos de investimento emocional foram descarregados em uma temporada final que muitos sentiram ter sido escrita às pressas. Quando a Netflix anunciou que David Benioff e D.B. Weiss comandariam a adaptação de ‘O Problema dos 3 Corpos’, o ceticismo foi imediato. Afinal, como confiar o futuro da ficção científica mais ambiciosa do século nas mãos de quem ‘quebrou’ Westeros?

Mas, analisando a estrutura da nova série, fica claro que ‘O Problema dos 3 Corpos’ Benioff e Weiss não é uma repetição de erros, mas uma correção de rota técnica. A dupla parece ter entendido que o problema de ‘GoT’ não foi falta de talento, mas uma falha sistêmica de planejamento que eles estão determinados a não repetir.

O esgotamento como vilão oculto

O esgotamento como vilão oculto

Muitos culpam a arrogância ou a pressa para migrar para ‘Star Wars’ pelo declínio de ‘Thrones’. No entanto, Kit Harington trouxe uma perspectiva mais humana em entrevista à GQ: o elenco e a equipe estavam fisicamente e mentalmente destruídos após uma década de produção ininterrupta. Esse esgotamento transpareceu na tela.

Em ‘O Problema dos 3 Corpos’, a abordagem é cirúrgica. Ao estabelecer um plano de apenas três temporadas, Benioff e Weiss criam um horizonte de eventos claro. Não há espaço para a ‘marcha forçada’ que transformou os últimos anos de ‘GoT’ em um fardo. Eles estão tratando a série como um projeto de tiro curto e alta intensidade, preservando a energia criativa para o que realmente importa: o clímax.

A segurança de um mapa completo (Desta vez, Cixin Liu entregou tudo)

O maior pecado de ‘Game of Thrones’ foi a falta de material de origem. Adaptar e criar são músculos diferentes; Benioff e Weiss são excelentes tradutores visuais, mas roteiristas de fantasia medianos quando deixados à própria sorte. Sem os livros de George R.R. Martin, a bússola quebrou.

Com a trilogia de Cixin Liu, o cenário muda. ‘O Problema dos 3 Corpos’, ‘A Floresta Sombria’ e ‘O Fim da Morte’ já estão nas prateleiras. Os showrunners têm o final, as reviravoltas e a fundamentação científica prontos. Isso permite que eles façam o que fazem de melhor: adaptar. A criação dos ‘Cinco de Oxford’ na série da Netflix, por exemplo, é uma mudança estrutural inteligente que humaniza a narrativa densa do primeiro livro sem perder a essência do autor.

Precisão técnica vs. Espetáculo vazio

Precisão técnica vs. Espetáculo vazio

Quem assistiu à sequência do Canal do Panamá (o Projeto Juízo Final) em ‘O Problema dos 3 Corpos’ viu um vislumbre do que Benioff e Weiss podem fazer com orçamento e foco. É uma cena de horror tecnológico pura, executada com uma frieza que lembra os melhores momentos da Batalha de Blackwater em ‘GoT’.

A diferença aqui é que a tensão serve à história, não apenas ao choque visual. Enquanto a Longa Noite em Winterfell sofreu com uma montagem confusa e decisões táticas absurdas dos personagens, a destruição do navio Judgment Day é um exercício de precisão e consequência narrativa. É a prova de que, com um roteiro sólido como base, a dupla ainda domina a linguagem do espetáculo televisivo como poucos.

Veredito: Uma chance real de redenção

Seria ingênuo dizer que o trauma de 2019 foi apagado. No entanto, as condições de ‘O Problema dos 3 Corpos’ Benioff e Weiss são quase ideais: uma história fechada, um número de episódios definido e a liberdade de uma plataforma que precisa de um novo épico. Se a terceira temporada entregar o encerramento existencialista que os livros prometem, a narrativa sobre Benioff e Weiss mudará de ‘aqueles que arruinaram GoT’ para ‘aqueles que adaptaram o inadaptável’. O benefício da dúvida, desta vez, é merecido.

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Perguntas Frequentes sobre ‘O Problema dos 3 Corpos’

Quantas temporadas terá ‘O Problema dos 3 Corpos’ na Netflix?

A Netflix confirmou que a série será concluída em três temporadas, cobrindo a trilogia completa de livros de Cixin Liu.

A série é fiel aos livros de Cixin Liu?

Sim, na essência, mas com mudanças significativas. Benioff e Weiss criaram os ‘Cinco de Oxford’ para unificar personagens que, nos livros, aparecem em momentos e contextos diferentes, tornando a narrativa mais televisiva.

Preciso entender de física quântica para assistir?

Não. Embora a série utilize conceitos reais como o entrelaçamento quântico e a mecânica orbital, ela explica o necessário para o entendimento do enredo e foca mais no drama humano e no mistério.

‘O Problema dos 3 Corpos’ é dos mesmos criadores de Game of Thrones?

Sim, David Benioff e D.B. Weiss são os showrunners, acompanhados por Alexander Woo (True Blood).

Onde posso assistir à série?

A série é uma produção original Netflix e está disponível exclusivamente na plataforma de streaming.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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