Analisamos o retorno impactante de Cillian Murphy em ‘Extermínio: O Templo dos Ossos’. Descubra como o filme subverte o final do original, o mistério por trás de Selena e por que a evolução de Jim de sobrevivente a eremita é a análise técnica mais profunda da franquia até agora.
Vinte e oito anos. Esse é o abismo temporal que separa o jovem estafeta que acordou em um hospital deserto em ‘Extermínio’ do homem que ressurge, quase como um fantasma, nos minutos finais de ‘Extermínio: O Templo dos Ossos’. O retorno de Cillian Murphy ao papel de Jim não é apenas um aceno nostálgico; é uma lição de economia narrativa onde Danny Boyle e Alex Garland usam o silêncio para preencher as lacunas de quase três décadas de caos.
Quando a câmera de Anthony Dod Mantle finalmente foca no rosto de Murphy, não vemos mais o herói relutante de 2002. Vemos um arquiteto da sobrevivência. Jim Extermínio O Templo dos Ossos se torna, instantaneamente, o centro gravitacional de uma franquia que aprendeu a envelhecer com seus personagens, trocando o pânico frenético por uma melancolia vigilante.
O resgate que virou prisão: A subversão do ‘Hello’
Muitos fãs guardaram por anos a imagem esperançosa de Jim, Selena e Hannah estendendo um gigantesco ‘HELLO’ para um avião finlandês. ‘O Templo dos Ossos’ finalmente confirma o resgate, mas o faz com o cinismo característico de Garland. O resgate não foi o fim do pesadelo, mas o início de uma nova fase: a institucionalização do isolamento.
O filme revela que a Zona de Isolamento Incondicional transformou o Reino Unido em uma ilha-laboratório. Jim não foi ‘salvo’ pelo mundo; ele foi contido por ele. Essa escolha técnica de roteiro eleva o filme de um simples thriller de zumbis para uma crítica social sobre como o medo transforma sociedades em prisões a céu aberto. O Jim que encontramos agora é o resultado direto dessa contenção.
A anatomia do isolamento: Jim como o novo Frank
Há uma rima visual poderosa na forma como Jim vive em sua casa remota nas colinas. Ele agora ocupa o papel que Frank (Brendan Gleeson) ocupava no primeiro filme: o guardião da rotina. No entanto, enquanto Frank usava o otimismo para proteger Hannah, Jim usa a paranoia metódica para proteger Sam.
A fotografia utiliza planos abertos que enfatizam a pequenez da casa diante da vastidão hostil da Inglaterra. Repare nos protocolos de Jim: ele não apenas mata infectados, ele os ‘processa’. Há uma frieza técnica em seus movimentos que lembra a precisão de um cirurgião. Se em 2002 ele batia com um pé-de-cabra por desespero, em 2030 ele usa o ambiente a seu favor com uma calma que beira o perturbador.
O enigma de Selena e o nascimento de Sam
A ausência de Naomie Harris é o ‘elefante na sala’ mais inteligente da produção. Ao apresentar Sam, uma adolescente negra que carrega os traços e a resiliência de Selena, o filme economiza diálogos expositivos. A existência de Sam prova que houve amor, houve construção e houve uma tentativa de futuro entre Jim e Selena.
A decisão de manter o destino de Selena envolto em mistério serve para espelhar o estado mental de Jim. Ele vive no presente absoluto porque o passado é doloroso demais e o futuro é incerto. A cena em que Jim ensina história para Sam é o momento mais revelador do filme: ele está passando adiante as memórias de um mundo que ela nunca verá, tratando a civilização como uma mitologia extinta. É aqui que Murphy brilha, deixando transparecer a vulnerabilidade por trás da máscara de sobrevivente.
Estética e Som: O retorno da textura de Boyle
Tecnicamente, ‘O Templo dos Ossos’ faz uma ponte fascinante com o original. Enquanto o filme de 2002 foi pioneiro no uso do digital de baixa resolução (DV) para criar uma sensação de urgência documental, aqui Boyle utiliza câmeras de alta performance, mas mantém um grão cinematográfico que remete àquela sujeira visual. O som ambiente — o vento nas colinas misturado aos gritos distantes — substitui a trilha sonora pulsante de John Murphy em momentos chave, aumentando a imersão sensorial.
Jim agora é parte dessa textura. Ele se move com o cenário, não contra ele. A hesitação que vemos quando ele precisa decidir se ajuda Spike e Kelly não é egoísmo; é o cálculo de risco de quem sabe exatamente quanto custa uma vida no novo mundo.
Veredito: Jim é o fio condutor necessário
Para quem espera uma aventura de ação desenfreada, ‘O Templo dos Ossos’ pode parecer contemplativo demais. No entanto, para quem busca profundidade psicológica no gênero pós-apocalíptico, o retorno de Jim é magistral. O filme prepara o terreno para a conclusão da trilogia de forma orgânica, transformando o protagonista de vítima do vírus em um símbolo da resistência humana — com todas as cicatrizes e compromissos morais que isso exige.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Extermínio: O Templo dos Ossos’
Cillian Murphy aparece em ‘Extermínio: O Templo dos Ossos’?
Sim, Cillian Murphy reprisa seu papel como Jim. Embora sua participação seja limitada nos primeiros atos, ele se torna fundamental para o desfecho e para a conexão com o próximo filme da trilogia.
O que aconteceu com Selena (Naomie Harris) no novo filme?
O filme não mostra Selena em tela, mas confirma que ela e Jim tiveram uma filha, Sam. O paradeiro exato de Selena permanece um mistério proposital, servindo como um dos ganchos principais para a sequência.
Preciso assistir aos filmes anteriores para entender ‘O Templo dos Ossos’?
Sim, é altamente recomendável assistir ao ‘Extermínio’ (28 Days Later) original de 2002, pois ‘O Templo dos Ossos’ é uma continuação direta dos eventos e do desenvolvimento do personagem Jim.
Quanto tempo se passou desde o primeiro filme?
A trama de ‘O Templo dos Ossos’ se passa aproximadamente 28 anos após o surto inicial mostrado no filme de 2002, focando em como o mundo e os personagens se adaptaram a longo prazo.

