‘Han Solo’: O arrependimento de Kathleen Kennedy e o erro de substituir Harrison Ford

Analisamos a rara admissão de erro de Kathleen Kennedy sobre ‘Han Solo’ e por que a tentativa de substituir Harrison Ford por Alden Ehrenreich tornou-se o maior erro estratégico da Lucasfilm. Entenda por que alguns ícones do cinema são, por definição, insubstituíveis.

Kathleen Kennedy raramente admite erros publicamente. Após mais de uma década no comando da Lucasfilm sob o selo Disney, a produtora consolidou uma reputação de blindagem absoluta sobre suas decisões criativas. Por isso, quando ela admitiu à Empire (e reforçou à Deadline) que ‘Han Solo: Uma História Star Wars’ foi seu maior aprendizado estratégico, o ecossistema de Star Wars parou para ouvir. O arrependimento de Kathleen Kennedy sobre Han Solo não é sobre a qualidade do filme, mas sobre uma heresia cinematográfica: tentar substituir o insubstituível.

O diagnóstico tardio: O erro não foi o ator, foi o conceito

O diagnóstico tardio: O erro não foi o ator, foi o conceito

A narrativa comum em Hollywood para um fracasso de bilheteria costuma recair sobre o marketing ou janelas de lançamento desfavoráveis. Kennedy, no entanto, foi cirúrgica ao apontar o espelho para a própria estratégia. Ela reconheceu que o problema estrutural de ‘Han Solo’ foi ignorar a conexão visceral entre o público e a imagem de Harrison Ford.

“Colocamos ele em uma situação impossível”, afirmou Kennedy referindo-se a Alden Ehrenreich. A frase carrega o peso de quem percebeu, tarde demais, que o DNA de Han Solo está fundido aos maneirismos, ao sorriso torto e à arrogância vulnerável que Ford destilou desde 1977. Tentar replicar essa alquimia apenas três anos após a morte do personagem em ‘O Despertar da Força’ foi um erro de timing emocional que nenhuma direção de arte — por mais competente que fosse — poderia compensar.

Por que Harrison Ford é o ‘Dono’ do personagem

Existem atores que interpretam papéis e atores que definem arquétipos. Harrison Ford não apenas viveu Han Solo; ele o inventou no set, muitas vezes improvisando diálogos (como o icônico “Eu sei” em resposta ao “Eu te amo” de Leia) que mudaram o tom da franquia. Quando Alden Ehrenreich assumiu o colete, ele não estava apenas enfrentando um roteiro, mas lutando contra 40 anos de memória afetiva coletiva.

Alden fez um trabalho louvável. Ele não tentou imitar Ford, o que seria um desastre caricato. Ele buscou a essência de um Han mais jovem e idealista. Artisticamente, a escolha foi correta. Emocionalmente, foi insuficiente. O público não queria uma ‘reinterpretação’ do mito; queria o mito original ou nada. Essa resistência prova que Han Solo, assim como o Indiana Jones do próprio Ford, pertence a uma categoria de personagens que morrem e nascem com seus intérpretes originais.

O paradoxo de um filme bom que ‘fracassou’

O paradoxo de um filme bom que 'fracassou'

É preciso fazer justiça: ‘Han Solo: Uma História Star Wars’ está longe de ser um filme ruim. Pelo contrário, é uma aventura espacial sólida que sofreu com uma produção caótica — incluindo a demissão dos diretores originais Phil Lord e Chris Miller (de ‘Homem-Aranha: Através do Aranhaverso’) e a contratação às pressas de Ron Howard. Esse turbilhão inflou o orçamento para cerca de 275 milhões de dólares, tornando a arrecadação de 393 milhões um fracasso contábil.

O filme entrega momentos excelentes, como o primeiro encontro entre Han e Chewbacca e a química magnética de Donald Glover como Lando Calrissian. Glover, inclusive, conseguiu o que Alden não pôde: ele capturou o charme de Billy Dee Williams de forma tão natural que os fãs pediram um spin-off imediato. A diferença? Lando é um personagem secundário amado; Han Solo é o pilar central da nostalgia de Star Wars.

A sombra de ‘Rogue One’ e a mudança de rota da Lucasfilm

O sucesso de ‘Rogue One’ iludiu a Lucasfilm. Por ser um filme sobre personagens novos (Jyn Erso, Cassian Andor) que expandia o universo sem mexer nos ídolos sagrados, ele funcionou perfeitamente. ‘Han Solo’ tentou reescrever o passado de uma lenda que já estava completa na mente dos fãs. Ninguém precisava ver como Han conseguiu seu nome ou como conheceu Lando; o mistério era parte do charme.

A lição aprendida por Kennedy mudou o futuro de Star Wars. Observe as séries do Disney+: ‘The Mandalorian’ e ‘Andor’ focam em novos rostos. Quando personagens clássicos retornam, como Luke Skywalker ou a própria Ahsoka, a Lucasfilm agora prefere usar tecnologias de rejuvenescimento digital (Deepfake/De-aging) ou manter as participações limitadas. O estúdio aceitou que, para o fã, a tecnologia é preferível a um novo rosto substituindo um ícone.

O legado da honestidade de Kennedy

A franqueza de Kennedy serve como um aviso para toda a indústria: a propriedade intelectual não é maior que o talento que a originou. Ao admitir que não se pode substituir Han Solo, Kennedy protege o legado de Ford e estabelece um novo limite para os reboots em Hollywood. O arrependimento da produtora selou o destino de possíveis sequências, transformando ‘Han Solo’ em uma peça única e curiosa na cronologia — um filme que provou que, no cinema, algumas sombras são longas demais para que qualquer outro ator consiga sair delas.

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Perguntas Frequentes sobre Kathleen Kennedy e Han Solo

Por que Kathleen Kennedy se arrependeu de ‘Han Solo’?

Kennedy admitiu que o erro foi conceitual: tentar substituir um ator icônico como Harrison Ford por um mais jovem. Ela reconheceu que o público tem uma conexão inseparável entre o ator original e o personagem.

O filme ‘Han Solo’ terá uma continuação?

Até o momento, não há planos para ‘Han Solo 2’. Devido ao desempenho financeiro abaixo do esperado e à mudança de estratégia da Lucasfilm para focar em séries e novos personagens, uma sequência direta nos cinemas é improvável.

Onde assistir ‘Han Solo: Uma História Star Wars’?

O filme está disponível exclusivamente no catálogo do Disney+, junto com todas as outras produções da franquia Star Wars.

Quem substituiu Harrison Ford como Han Solo?

O ator Alden Ehrenreich foi o escolhido para interpretar a versão jovem do contrabandista no filme de 2018, superando nomes como Taron Egerton e Jack Reynor nos testes.

Qual foi o prejuízo de ‘Han Solo’ para a Disney?

Embora tenha arrecadado quase 400 milhões de dólares, o filme é considerado o primeiro fracasso comercial de Star Wars devido ao seu orçamento inflado (estimado em 275-300 milhões) causado pelas refilmagens e troca de diretores.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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