Analisamos as revelações brutais do final de ‘Ponies’, desde a traição de Chris até a identidade real da toupeira Cheryl. Entenda como a série da Peacock usa o machismo dos anos 70 para criar um dos thrillers de espionagem mais inteligentes da atualidade e o que esperar da 2ª temporada.
O encerramento da primeira temporada de ‘Ponies’ na Peacock não apenas resolveu o mistério central sobre o desaparecimento de Chris, mas subverteu a própria lógica do gênero de espionagem ao usar a invisibilidade feminina como sua maior arma — e sua maior falha. Ao longo de oito episódios, a série estrelada por Emilia Clarke e Haley Lu Richardson construiu uma narrativa onde o que não é visto é mais perigoso do que o que está em destaque.
A traição de Chris: A subversão do ‘marido perfeito’
A revelação de que Chris está vivo e operando na Bielorrússia é o golpe emocional mais pesado para Bea, mas tecnicamente, é uma aula de roteiro sobre pistas falsas. Enquanto séries como ‘The Americans’ focam na tensão da vida dupla, ‘Ponies’ escolheu mostrar apenas a fachada doméstica impecável de Chris através de flashbacks saturados, quase oníricos.
Essa escolha estética serviu para nos cegar junto com Bea. Chris não era apenas um marido; ele era o ‘toupeira’ ideal justamente por não apresentar nenhuma das bandeiras vermelhas clássicas. A atuação de Emilia Clarke no finale, ao processar que seu luto foi uma ferramenta manipulada pela KGB, eleva o show de um thriller procedural para um drama psicológico profundo. A ausência de suspeitas não era um erro de roteiro, era a evidência de um espião de elite.
Cheryl e a ‘Pony’ que ninguém viu chegar
Se Chris é a traição pessoal, Cheryl é a traição institucional. A série utiliza brilhantemente o machismo estrutural dos anos 70 para esconder sua vilã. Cheryl, interpretada com uma rigidez cortante, sempre esteve presente, mas como era apenas uma ‘secretária’ (uma Pony) aos olhos dos oficiais da CIA, ela se tornou o conduíte perfeito para Moscou.
A cena da destruição do cofre é um marco visual da temporada. O fogo consumindo os arquivos de inteligência simboliza o fracasso da CIA em notar que a mesma invisibilidade que permitia a Bea e Twila operarem no campo estava sendo usada contra eles dentro de sua própria sede. Cheryl não era apenas antipática; ela era metódica, provando que em ‘Ponies’, o poder real reside em quem serve o café e organiza as agendas.
O destino de Tom e a farsa de Vera
A narrativa de Vera sobre o pouso forçado e a execução de Tom e Chris foi completamente desmantelada. Como Chris apareceu ileso, o relato de Vera passa a ser tratado como Kompromat (material comprometedor/desinformação). Isso deixa o destino de Tom em um limbo angustiante.
Diferente de thrillers modernos que buscam o choque rápido, ‘Ponies’ mantém a tensão ao estilo de John le Carré: a dúvida é mais torturante que a confirmação da morte. Se Tom estiver vivo, ele é um prisioneiro ou outro traidor? A ambiguidade de Vera como uma ‘fixer’ soviética sugere que ela é apenas uma peça em um jogo de xadrez muito maior, onde a verdade é um recurso escasso.
O erro fatal de Bea: Identidade e vigilância
O clímax na embaixada expõe a fragilidade de Bea e Twila. Ao contrário de agentes treinados que desenvolvem uma paranoia periférica, Bea baixou a guarda ao ser confrontada com a normalidade de um evento social. Ser reconhecida por Andrei Vasiliev como ‘Nadya’ não foi apenas má sorte; foi um lembrete de que a coragem não substitui o treinamento de campo.
A fotografia da série muda neste momento: as cores quentes da festa dão lugar a tons frios e enquadramentos claustrofóbicos quando os agentes da KGB, disfarçados de bombeiros, cercam as protagonistas. É um uso inteligente da linguagem visual para mostrar que o disfarce das ‘Ponies’ finalmente evaporou.
O segredo de Galyna: A CIA é a verdadeira vilã?
A revelação de Andrei sobre a morte da irmã de Sasha é o ponto de virada moral da série. Se a CIA realmente assassinou Galyna para garantir a lealdade de Sasha, ‘Ponies’ se posiciona ao lado de obras como ‘Slow Horses’, onde a burocracia ocidental é tão implacável e amoral quanto o inimigo soviético.
Este plot twist redefine a missão de Bea e Twila para uma eventual segunda temporada. Elas não estão mais lutando pela ‘liberdade’, mas tentando sobreviver entre duas máquinas de moer gente. O cliffhanger com armas apontadas e o cofre em chamas deixa claro: a era da inocência (e das secretárias invisíveis) acabou.
Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!
Perguntas Frequentes sobre o final de ‘Ponies’
Chris está realmente vivo em ‘Ponies’?
Sim. O final da 1ª temporada confirma que Chris não morreu no acidente de avião. Ele foi extraído para a Bielorrússia e revelado como um informante (toupeira) que trabalhava para os soviéticos dentro da CIA.
Quem era o infiltrado (mole) na CIA?
Além de Chris no campo, Cheryl foi revelada como a infiltrada dentro do escritório. Ela usou sua posição como secretária para sabotar a agência e destruir evidências cruciais no finale.
O que aconteceu com Tom? Ele morreu?
O destino de Tom permanece incerto. Como o relato de Vera sobre a morte de Chris foi provado falso, a história de que Tom foi executado também entra em dúvida. Ele pode estar preso ou sendo usado como ativo pela KGB.
‘Ponies’ terá uma 2ª temporada?
Até o momento, a Peacock não oficializou a renovação, mas o final em aberto (cliffhanger) e o sucesso de crítica sugerem que uma continuação está nos planos dos produtores para resolver o destino de Bea e Twila.
A CIA realmente matou a irmã de Sasha?
Andrei Vasiliev afirma que sim, alegando que a agência eliminou Galyna para manipular Sasha. Embora Andrei seja um manipulador, as evidências encontradas por Twila ao longo da temporada dão força a essa teoria, sugerindo corrupção interna na CIA.

