Josh Safdie revelou que ‘Marty Supreme’ quase terminou com um ataque de vampiro literal contra o personagem de Timothée Chalamet. Analisamos o simbolismo por trás dessa cena descartada e por que a A24 interveio para salvar o tom humano do filme.
Josh Safdie quase transformou ‘Marty Supreme’ em um filme de horror nos segundos finais. Em uma revelação que parece saída de um surto criativo de ‘Joias Brutas’, o diretor confirmou que o final alternativo de ‘Marty Supreme’ envolvia um ataque de vampiro literal contra o protagonista vivido por Timothée Chalamet. E não se tratava apenas de uma ideia de roteiro: a produção chegou a confeccionar as próteses de envelhecimento para a cena.
Em conversa no podcast da A24 com o diretor Sean Baker (‘Anora’), Safdie detalhou a sequência: Marty, já idoso nos anos 80, estaria em um show do Tears for Fears com sua neta. Enquanto a música ‘Everybody Wants to Rule the World’ ecoava, Milton Rockwell (Kevin O’Leary) surgiria das sombras para morder seu pescoço. A reação do estúdio foi imediata: “Isso é um erro, certo?”, questionaram os executivos da A24.
A gênese do absurdo: O improviso de Kevin O’Leary
O que parece um desvio tonal completo tem, na verdade, uma semente plantada no meio do filme. Safdie explicou que a ideia nasceu de um improviso de Kevin O’Leary. Em uma cena de confronto, o personagem Rockwell dispara: “Eu nasci em 1601. Sou um vampiro. Estou por aí há séculos”.
Para Safdie e o co-roteirista Ronald Bronstein, essa frase não era apenas uma excentricidade de um bilionário arrogante, mas uma definição metafísica do personagem. Rockwell representa o capital predatório, a força que observa ídolos como Marty Mauser surgirem e caírem enquanto ele permanece imutável. Literalizar o vampirismo no final seria o ápice do comentário social de Safdie sobre como o sistema devora a obsessão individual.
O simbolismo do ‘Passado Caçando o Futuro’
A escolha de ‘Everybody Wants to Rule the World’ para a sequência descartada não foi aleatória. Safdie buscava um contraste entre a nostalgia da juventude perdida de Marty e a natureza atemporal do predador. “A trilha carrega essa sensação de anacronismo — o passado caçando o futuro”, pontuou o diretor.
Na análise técnica, o uso de próteses de envelhecimento em Chalamet serviria para mostrar um Marty que, apesar de ter conquistado o mundo, tornou-se obsoleto. O ataque do vampiro Rockwell seria a cobrança final: o sistema que financiou sua ascensão no ping-pong agora vinha reclamar sua essência. É uma metáfora visual agressiva, típica do cinema dos irmãos Safdie, onde o desconforto é a principal ferramenta narrativa.
Por que o corte preservou a alma do filme
Embora a ideia do vampiro seja fascinante, o corte final que chegou aos cinemas em 2025 (e que agora domina as discussões para o Oscar 2026) prova-se mais maduro. O final real, focado no retorno silencioso de Marty para casa e no encontro com o filho que ele negligenciou, oferece uma ferida aberta muito mais humana.
Ao substituir o choque sobrenatural pela melancolia da realidade, Safdie evitou que ‘Marty Supreme’ se tornasse uma paródia de si mesmo. O filme mantém seus 93% de aprovação no Rotten Tomatoes justamente por equilibrar o caos frenético com momentos de vulnerabilidade genuína. O vampiro Rockwell continua lá, mas de forma figurativa — o que é muito mais aterrorizante.
O processo Safdie: Testar o limite do impossível
Essa revelação sobre o final alternativo de ‘Marty Supreme’ reforça o modus operandi de Josh Safdie. Assim como em ‘Bom Comportamento’, ele persegue ideias limítrofes até o último segundo. Ele não descarta o absurdo por medo; ele o explora, o materializa em próteses e maquiagem, e só então decide se a história suporta aquele peso.
Para os fãs de curiosidades cinematográficas, resta a esperança de que esse material surja como extra em edições físicas. Ver Timothée Chalamet envelhecido sendo atacado pelo “Mr. Wonderful” de Shark Tank é o tipo de imagem que o cinema independente moderno precisa para manter sua aura de imprevisibilidade.
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Perguntas Frequentes sobre o final de ‘Marty Supreme’
Como seria o final alternativo de ‘Marty Supreme’?
No final descartado, Marty (Timothée Chalamet) estaria idoso em um show do Tears for Fears nos anos 80, quando seria mordido no pescoço por Milton Rockwell (Kevin O’Leary), revelando que o empresário era um vampiro real.
Por que a cena do vampiro foi cortada de ‘Marty Supreme’?
O estúdio A24 e a equipe de produção sentiram que a cena era um erro tonal, transformando a metáfora do filme em algo literal demais e arriscando transformar o drama em paródia.
Quem interpreta o vampiro em ‘Marty Supreme’?
O personagem Milton Rockwell é interpretado pelo empresário e estrela de ‘Shark Tank’, Kevin O’Leary. Foi dele a ideia improvisada de dizer que o personagem era um vampiro de 400 anos.
‘Marty Supreme’ é baseado em uma história real?
O filme é livremente inspirado na vida de Marty Reisman, uma lenda do tênis de mesa, mas incorpora elementos ficcionais e estilizados típicos do cinema de Josh Safdie.

