Exploramos 8 filmes de fantasia essenciais no Prime Video, de clássicos como ‘Blade’ e ‘Labirinto’ a sucessos recentes como ‘Wicked’ e ‘Nosferatu’. Analisamos como cada obra utiliza design de produção e efeitos práticos para criar mitologias únicas que transcendem o gênero.
A curadoria de streaming muitas vezes falha ao tratar o gênero fantástico como um monolito de ‘elfos e magos’. No Prime Video, a verdadeira força da fantasia reside na sua diversidade técnica e tonal: da herança do expressionismo alemão em releituras modernas ao uso de animatrônicos que desafiam a perfeição digital do CGI contemporâneo. O que une estes 8 filmes de fantasia no Prime Video não é apenas o impossível, mas a construção de mundos que operam sob uma lógica interna inquebrável.
‘Blade: O Caçador de Vampiros’ (1998) e a estética industrial
Antes de o couro preto se tornar o uniforme oficial de ‘Matrix’, Wesley Snipes já definia o cool urbano em ‘Blade’. O filme é um marco por tratar a fantasia de quadrinhos com uma seriedade visceral. A sequência de abertura na boate — onde o sangue jorra dos sprinklers ao som de techno pesado — estabelece imediatamente que este não é um mundo de capas coloridas.
A fotografia de Theo van de Sande usa filtros frios e sombras profundas para criar uma Nova York que parece um organismo vivo de metal e sangue. É um exemplo raro onde a direção de arte e a coreografia de luta (fortemente influenciada pelo cinema de Hong Kong) elevam o material original de um personagem secundário da Marvel a um ícone cultural.
‘Wicked’ (2024): A expansão necessária de Oz
Dividir ‘Wicked’ em duas partes foi uma aposta de risco que se provou um triunfo de ritmo. Ao contrário de outras adaptações que sofrem com ‘enchimento’, aqui o diretor Jon M. Chu utiliza o tempo extra para construir a geografia política e social de Oz. A transição de Elphaba (Cynthia Erivo) de uma pária acadêmica para uma figura revolucionária ganha camadas que o palco da Broadway, por limitações de tempo, apenas sugeria.
O design de produção é tátil; os cenários da Universidade Shiz parecem lugares onde se poderia realmente morar. A química vocal entre Erivo e Ariana Grande é o motor emocional, mas é a escala cinematográfica — especialmente na sequência de ‘Defying Gravity’ — que justifica a transição do teatro para a tela.
‘O Cristal Encantado’ (1982): O ápice do design de Jim Henson
Esqueça a nostalgia por um momento e observe a engenharia de ‘O Cristal Encantado’. Jim Henson e Frank Oz criaram um filme sem um único ser humano em cena, confiando inteiramente em marionetes complexas e animatrônicos. Os Skeksis, com sua aparência de abutres em decomposição, são obras-primas de design de criaturas que evocam um horror tátil que o CGI raramente consegue replicar.
O filme é um estudo sobre ecologia e espiritualidade disfarçado de jornada do herói. A construção do mundo de Thra é tão densa que cada planta e criatura de fundo parece ter sua própria biologia evolutiva. É fantasia pura, sem as muletas do alívio cômico fácil que infecta o gênero hoje.
‘Labirinto: A Magia do Tempo’ (1986): Escher e o magnetismo de Bowie
Se ‘O Cristal Encantado’ é épico, ‘Labirinto’ é psicológico. O filme usa o cenário fantástico para mapear a confusão da adolescência. O Jareth de David Bowie não é apenas um vilão; ele é a representação da sedução perigosa da vida adulta. A cena das escadas inspirada em M.C. Escher é um triunfo de efeitos práticos e montagem, desafiando a percepção espacial do espectador.
A trilha sonora composta por Bowie — especialmente ‘Underground’ e ‘As The World Falls Down’ — integra-se à narrativa de forma orgânica, transformando o filme em um híbrido de musical, sonho e fábula gótica. É uma obra que recompensa quem observa os detalhes escondidos nas texturas das criaturas criadas pela Creature Shop.
‘Super Mario Bros. O Filme’ (2023): O triunfo da linguagem visual
Após décadas de adaptações que tentavam ‘realismo’ desnecessário, este filme abraçou a estética da Nintendo com orgulho. A fantasia aqui é cinética. O Reino Cogumelo é apresentado como um nível de plataforma gigante, e a direção de arte utiliza cores saturadas para evocar a alegria pura dos jogos originais.
O destaque técnico vai para a iluminação da Illumination Studios, que dá volume e textura a personagens que poderiam parecer planos. Jack Black, como Bowser, entrega uma performance que equilibra a ameaça com a comédia musical, elevando o filme de uma simples peça de marketing para uma experiência de fantasia acessível e vibrante.
‘Nosferatu’ (2024): O terror gótico como pintura a óleo
Robert Eggers utiliza em ‘Nosferatu’ uma técnica de iluminação que lembra as pinturas de Rembrandt e Caravaggio. O Conde Orlok de Bill Skarsgård é uma figura de pesadelo que se afasta da imagem do vampiro galã; ele é uma peste personificada. O uso de sombras e silêncio cria uma tensão física que poucos filmes de fantasia sombria alcançam.
Diferente de versões anteriores, o filme foca na obsessão e no dread (pavor) atmosférico. A fotografia em tons terrosos e desaturados faz com que cada frame pareça uma gravura antiga que ganhou vida. É cinema de autor aplicado ao gênero mais clássico do cinema fantástico.
‘Da Magia à Sedução’ (1998): O realismo mágico doméstico
Este filme sobreviveu ao tempo por sua abordagem ‘pé no chão’ da bruxaria. Em vez de grandes duelos de varinhas, vemos o uso de ervas, rituais familiares e a herança de sangue. A química entre Sandra Bullock e Nicole Kidman é o que ancora a fantasia na realidade emocional.
A cena das ‘Midnight Margaritas’ tornou-se icônica por desmistificar a figura da bruxa, trazendo-a para o cotidiano. É um filme sobre o poder dos laços femininos, onde o sobrenatural serve como metáfora para o trauma e a cura. A estética whimsigothic do filme continua influenciando a moda e o design de interiores até hoje.
‘Monty Python em Busca do Cálice Sagrado’ (1975): A sátira que respeita o gênero
Pode parecer estranho incluir uma comédia, mas o Monty Python entende as convenções da fantasia arturiana melhor que muitos diretores sérios. Ao desconstruir o mito, eles revelam o quão absurdas são as regras do gênero. O uso de cocos para simular cavalos começou como uma restrição orçamentária, mas tornou-se um comentário genial sobre a suspensão da descrença.
O filme mantém uma estética suja e medieval que parece mais autêntica do que muitas produções de alto orçamento da época. É uma lição de como a fantasia pode ser inteligente, subversiva e, acima de tudo, consciente de si mesma.
Qual escolher primeiro?
Para quem busca o auge dos efeitos práticos, a dobradinha de Jim Henson (‘O Cristal Encantado’ e ‘Labirinto’) é obrigatória. Se a intenção é um thriller estilizado, ‘Blade’ continua imbatível. Já para uma experiência visualmente arrebatadora e sombria, o ‘Nosferatu’ de Eggers é a recomendação definitiva para os assinantes do Prime Video que apreciam o cinema em sua forma mais pura e atmosférica.
Para ficar por dentro de tudo que acontece no universo dos filmes, séries e streamings, acompanhe o Cinepoca também pelo Facebook e Instagram!
Perguntas Frequentes sobre Filmes de Fantasia no Prime Video
‘Wicked’ (2024) já está disponível no catálogo do Prime Video?
Sim, o filme foi adicionado ao catálogo após sua janela de exibição nos cinemas. Verifique se ele está incluído na assinatura padrão ou disponível para aluguel na Loja Prime, dependendo da sua região.
Qual é o filme mais assustador desta lista de fantasia?
‘Nosferatu’ (2024) e ‘O Cristal Encantado’ (1982) são os mais sombrios. Enquanto o primeiro foca no terror gótico atmosférico, o segundo possui designs de criaturas que podem ser perturbadores para crianças muito pequenas.
Preciso assistir a algo antes de ver ‘Blade: O Caçador de Vampiros’?
Não. ‘Blade’ funciona como uma história de origem independente. Ele não faz parte do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) atual, embora o personagem pertença aos quadrinhos da editora.
Quais desses filmes são recomendados para assistir com crianças?
‘Super Mario Bros. O Filme’ é a escolha ideal para todas as idades. ‘Labirinto’ e ‘O Cristal Encantado’ também são adequados, mas possuem tons mais sombrios que podem exigir supervisão dos pais.

