‘Um Filme Minecraft’: por que o público ignorou a crítica e abraçou o caos?

Com quase US$ 1 bilhão em bilheteria, ‘Um Filme Minecraft’ provou que o carisma de Jack Black e a fidelidade ao ‘caos’ do jogo valem mais que notas da crítica. Analisamos por que a audiência ignorou o Rotten Tomatoes e como o filme se tornou o novo padrão para adaptações de games.

Existe um tipo de filme que os críticos adoram odiar e o público se recusa a abandonar. ‘Um Filme Minecraft’ não é apenas uma adaptação de videogame; é o maior estudo de caso de 2025 sobre a desconexão entre o ‘gosto refinado’ e o consumo de massa. Enquanto o Rotten Tomatoes exibia um amargo 48% da crítica, as salas de cinema ao redor do mundo registravam uma ocupação que beirava o impossível.

A diferença de 36 pontos percentuais entre a recepção técnica e o termômetro da audiência (84%) não é um erro de cálculo. É um sintoma. O longa dirigido por Jared Hess — o mesmo nome por trás do cultuado ‘Napoleon Dynamite’ — entendeu algo que muitas superproduções esquecem: no cinema de franquias, a fidelidade ao feeling do jogo vale mais do que a perfeição do roteiro.

O ‘Efeito Minecraft’: Por que US$ 958 milhões provam que o público venceu

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Quase um bilhão de dólares não se conquista apenas com marketing. ‘Um Filme Minecraft’ triunfou onde ‘Borderlands’ falhou miseravelmente: ele abraçou o ridículo. Em vez de tentar uma narrativa épica e sombria para validar o jogo como ‘arte séria’, Hess manteve a estética vibrante, quase beirando o uncanny valley (o vale da estranheza), que gerou tantos memes no primeiro trailer.

A fotografia de Enrique Chediak não tenta esconder o contraste bizarro entre os atores reais e os blocos pixelados. Pelo contrário, ela acentua essa dissonância. Para o crítico, isso pareceu desleixo visual; para a criança que passa dez horas por semana construindo castelos de terra, pareceu a realização de um sonho febril. O filme não pediu permissão para ser cinema; ele pediu licença para ser um servidor de Minecraft em tela gigante.

Jack Black e Jason Momoa: O carisma que atropelou o roteiro

Escalar Jack Black como Steve foi uma jogada de mestre que transcende a atuação. Black não interpreta o personagem; ele empresta sua persona de ‘tio caótico do rock’ que ressoa tanto com os pais (geração ‘Escola de Rock’) quanto com os filhos. Quando ele grita “I… am Steve!”, a sala de cinema não ri da piada, mas da audácia da escalação.

Já Jason Momoa, com sua peruca duvidosa e figurino que parece saído de um brechó de luxo, serve como o contraponto físico perfeito. A química entre os dois em cenas como a do primeiro encontro com os Piglins — onde a comédia física substitui qualquer necessidade de diálogos profundos — é o que sustenta o filme nos momentos em que o roteiro de Chris Bowman e Hubbel Palmer perde o fôlego.

O streaming e o ‘Replay Value’ infinito

O streaming e o 'Replay Value' infinito

O domínio de ‘Um Filme Minecraft’ no Google TV e em outras plataformas de VOD semanas após o lançamento revela o segredo do seu sucesso: o valor de repetição. Diferente de um thriller denso que você assiste uma vez, o longa de Minecraft virou o ‘filme de fundo’ oficial das casas brasileiras em 2025.

É um entretenimento modular. Você pode entrar na sala no meio de uma sequência de crafting, rir de uma piada visual envolvendo um Creeper, e sair sem perder o fio da meada. Para a Warner Bros., esse é o ativo mais valioso que existe: um filme que não envelhece na primeira semana, mas que se torna parte da rotina familiar.

O que esperar de ‘Um Filme Minecraft 2’ (2027)

A sequência, já confirmada para julho de 2027, terá o desafio de não se tornar apenas ‘mais do mesmo’. A cena pós-créditos introduzindo a personagem Alex sugere que o universo vai se expandir, mas o perigo mora na tentação de tornar tudo épico demais. O charme do primeiro filme reside justamente na sua falta de pretensão.

Se a sequência tentar explicar demais a mitologia do ‘The End’ ou dos ‘Ender Dragons’ com um tom de ‘Senhor dos Anéis’, corre o risco de perder a leveza. O público não quer uma lição de história sobre o Nether; quer ver Jack Black tentando sobreviver a uma noite com zumbis usando apenas uma picareta de madeira.

Veredito: Os críticos erraram a mão?

Dizer que os críticos erraram é simplista. Tecnicamente, ‘Um Filme Minecraft’ é uma colagem de clichês narrativos. Porém, o erro da crítica foi aplicar critérios de cinema de autor a um produto que se identifica como um brinquedo interativo. Se o objetivo do filme era traduzir a anarquia criativa do jogo para o live-action, o sucesso de bilheteria é o único boletim que realmente importa.

No final das contas, ‘Um Filme Minecraft’ não vai ganhar prêmios de roteiro, mas garantiu seu lugar como o marco zero de uma nova era: aquela onde o caos visual e a diversão pura são mais importantes do que a aprovação de quem escreve sobre cinema.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Um Filme Minecraft’

Onde posso assistir ‘Um Filme Minecraft’?

Atualmente, o filme está disponível para compra e aluguel em plataformas digitais como Google TV, Apple TV e Amazon Prime Video. Ele deve chegar ao catálogo da Max (antiga HBO Max) ainda no primeiro semestre de 2026.

Qual é a duração de ‘Um Filme Minecraft’?

O filme tem uma duração enxuta de 1 hora e 45 minutos, ideal para o público infantil e para manter o ritmo de aventura constante.

‘Um Filme Minecraft’ tem cenas pós-créditos?

Sim, o filme possui uma cena importante logo após os primeiros créditos que introduz a personagem Alex, sugerindo novos rumos para a sequência já confirmada.

Por que o filme foi tão criticado no Rotten Tomatoes?

A maioria dos críticos apontou a falta de profundidade no roteiro e a estética visual estranha (mistura de live-action com blocos) como pontos negativos. No entanto, o público elogiou justamente a diversão descompromissada e as referências ao jogo.

Quando sai a continuação de ‘Um Filme Minecraft’?

A Warner Bros. já confirmou ‘Um Filme Minecraft 2’ para julho de 2027, mantendo Jared Hess na direção e o retorno de Jack Black como Steve.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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