‘John Wick’: Por que o clássico de Keanu Reeves ainda domina o streaming

Descubra por que a trilogia ‘John Wick’ na Max redefiniu o cinema de ação moderno. Analisamos como Keanu Reeves e a técnica do ‘Gun-Fu’ transformaram um filme de baixo orçamento em um fenômeno cultural que continua dominando o streaming.

Em 2014, a premissa de ‘John Wick – De Volta ao Jogo’ parecia uma piada de mau gosto nos bastidores de Hollywood: um assassino aposentado que extermina uma máfia inteira porque mataram seu cachorro. Uma década depois, o filme não é apenas um clássico moderno, mas o marco zero que salvou a carreira de Keanu Reeves e humilhou as produções de ação genéricas que dominavam a época. Se você está pesquisando John Wick onde assistir, a jornada começa com uma maratona obrigatória.

O risco de 20 milhões: Como um ‘filme de cachorro’ salvou Keanu Reeves

O risco de 20 milhões: Como um 'filme de cachorro' salvou Keanu Reeves

Antes de vestir o terno à prova de balas, Keanu Reeves estava em um limbo criativo. ‘Matrix’ era uma memória distante e o ator acumulava fracassos como ’47 Ronins’. O que ninguém previu foi que a simplicidade de ‘John Wick’ seria sua maior força. O filme custou modestos 20 milhões de dólares — um troco para os padrões de blockbusters — e arrecadou quase cinco vezes esse valor, mas seu verdadeiro lucro foi cultural.

A cena do clube noturno ‘Red Circle’ é o exemplo perfeito dessa virada. Banhada em neon magenta e azul — uma escolha do diretor de fotografia Jonathan Sela para contrastar com o luto cinzento do início do filme —, a sequência apresenta o ‘Gun-Fu’. Em vez de cortes rápidos que escondem a falta de habilidade dos atores, os diretores Chad Stahelski e David Leitch (ex-dublês de Reeves) usaram planos abertos e coreografias longas. Vemos cada recarga de pente, cada queda de judô e cada disparo. É cinema de ação com clareza geográfica, algo que Hollywood havia esquecido.

O fim do ‘Caos Editado’: A revolução visual do Gun-Fu

Antes de Wick, o padrão era o estilo inspirado em ‘Bourne’: câmera tremida e edições frenéticas para mascarar dublês. ‘John Wick’ provou que o público queria ver o esforço. Reeves treinou por quatro meses em artes marciais e tiro tático, e essa autenticidade transborda na tela. Quando ele derruba um oponente, você sente o peso do impacto.

O filme também introduziu uma mitologia fascinante sem precisar de diálogos expositivos. O Hotel Continental, as moedas de ouro e o código de honra dos assassinos são apresentados organicamente. O vilão Viggo Tarasov (vivido pelo saudoso Michael Nyqvist) resume a aura do protagonista com apenas um suspiro de pavor ao telefone. Não precisamos de flashbacks; o medo nos olhos dos inimigos conta a história de quem é o ‘Baba Yaga’.

Maratona na Max: A evolução (e os excessos) da trilogia original

Maratona na Max: A evolução (e os excessos) da trilogia original

Para quem busca John Wick onde assistir, a Max (antigo HBO Max) é o destino principal. A plataforma abriga a trilogia original:

  • ‘De Volta ao Jogo’ (2014): O mais equilibrado e emocionalmente eficiente.
  • ‘Um Novo Dia para Matar’ (2017): Expande o universo para Roma e eleva a escala técnica, com uma cena de abertura que é uma aula de perseguição automotiva.
  • ‘Parabellum’ (2019): Onde a franquia abraça o absurdo. A luta com facas no depósito e a sequência com os cães de Halle Berry são coreografias de nível mundial, embora a trama comece a se perder em sua própria burocracia.

O grande ausente no catálogo da Max é ‘John Wick 4: Baba Yaga’. Por questões de direitos de distribuição (Lionsgate/Paris Filmes no Brasil), o capítulo final — e tecnicamente mais impressionante, com quase três horas de duração — costuma circular entre o Prime Video e plataformas de aluguel digital como Apple TV e Google Play.

Por que o primeiro filme ainda é imbatível em 2026

Apesar das sequências terem orçamentos astronômicos, o original de 2014 permanece como o melhor ponto de entrada por ser contido. Ele entende que a ação só importa se houver uma âncora emocional. O luto de John pela esposa, materializado no filhote Daisy, dá a cada tiro uma justificativa visceral que se dilui nos filmes posteriores.

O legado de ‘John Wick’ está em toda parte: de ‘Atômica’ a ‘Anônimo’, a indústria agora tenta replicar o ‘estilo Wick’ de filmar lutas. Mas poucos conseguem equilibrar a melancolia silenciosa de Keanu Reeves com a precisão técnica de um relógio suíço. É um filme que não envelhece porque não tenta ser moderno; ele tenta ser perfeito dentro de sua própria proposta.

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Perguntas Frequentes sobre John Wick

Onde assistir John Wick 1, 2 e 3?

Os três primeiros filmes da franquia (‘De Volta ao Jogo’, ‘Um Novo Dia para Matar’ e ‘Parabellum’) estão disponíveis no catálogo da Max (antigo HBO Max).

Onde assistir John Wick 4: Baba Yaga?

Atualmente, ‘John Wick 4’ não está na Max. Ele pode ser encontrado para aluguel ou compra digital no Prime Video, Apple TV e YouTube, ou ocasionalmente em canais como o Telecine.

Qual a ordem correta para assistir aos filmes?

A ordem é cronológica direta: 1. ‘De Volta ao Jogo’ (2014); 2. ‘Um Novo Dia para Matar’ (2017); 3. ‘Parabellum’ (2019); 4. ‘Baba Yaga’ (2023). Há também a série spin-off ‘The Continental’ no Prime Video.

Keanu Reeves faz suas próprias cenas de ação em John Wick?

Sim, Keanu Reeves realiza cerca de 90% de suas cenas de ação, incluindo as lutas e o ‘stunt driving’. Ele treina intensamente por meses antes de cada filmagem para garantir a fluidez das cenas.

Por que o quarto filme não está na Max com os outros?

Isso ocorre devido a contratos de distribuição diferentes. Enquanto a Warner/Max detém os direitos dos primeiros filmes em vários territórios, o quarto filme foi distribuído por empresas que possuem acordos de exclusividade com outras janelas de exibição.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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