‘Vingadores: Doomsday’: A conexão com Wakanda que explica o mundo do Quarteto Fantástico

Analisamos como o encontro casual entre o Coisa e M’Baku no teaser de ‘Vingadores: Doomsday’ revela que a Wakanda da Terra-828 é a fonte da tecnologia do Quarteto Fantástico. Entenda por que a utopia retrofuturista de ‘First Steps’ só é possível graças a uma aliança histórica com o Vibranium.

O teaser de ‘Vingadores: Doomsday’ entregou o que os fãs esperavam — a revelação de Robert Downey Jr. como Doutor Destino —, mas é um detalhe de apenas cinco segundos que realmente redefine o que sabemos sobre o multiverso. Ben Grimm, o Coisa, encontra M’Baku, o rei de Wakanda, e a reação é de uma normalidade desconcertante. Não há choque de culturas ou o espanto de quem vê uma civilização avançada pela primeira vez.

Essa casualidade sugere que a relação entre o Quarteto Fantástico e Wakanda na Terra-828 não é apenas diplomática; ela é o alicerce de toda a tecnologia que vimos no trailer de ‘First Steps’. A chave para entender a Nova York retrofuturista não está no gênio isolado de Reed Richards, mas em uma colaboração geopolítica que nunca aconteceu na nossa Terra-616.

A ‘Geografia Social’ do encontro entre Ben Grimm e M’Baku

A 'Geografia Social' do encontro entre Ben Grimm e M'Baku

A análise precisa começa na escolha das palavras. Quando M’Baku se apresenta como o soberano de Wakanda, Ben responde: ‘Sou da Yancy Street’. Ele não diz que é de Nova York, nem tenta explicar o que é o Quarteto Fantástico. Ele cita uma rua específica de um bairro operário.

Essa é uma ‘dica de contexto’ clássica. Você só responde com o nome da sua rua para alguém que você assume que conhece o mapa da sua cidade. A implicação é profunda: na Terra-828, Wakanda não é um mito escondido por escudos de invisibilidade. É um país integrado, cujos cidadãos (ou pelo menos sua realeza) circulam por Nova York a ponto de um morador do Lower East Side tratá-los como vizinhos distantes.

Por que Reed Richards precisava do Vibranium para a Nova York de 1960

Visualmente, ‘The Fantastic Four: First Steps’ é uma carta de amor à estética Googie e ao otimismo espacial dos anos 60. Mas, tecnologicamente, aquela cidade é impossível para a época — a menos que consideremos o Vibranium. Na Terra-616, a tecnologia avançada é fragmentada (Stark, Pym, Richards). Na Terra-828, a estética sugere uma padronização urbana de alta tecnologia.

Historicamente, nos quadrinhos (especificamente em Fantastic Four #52, de 1966), o Quarteto foi o primeiro grupo de fora a entrar em Wakanda. Se na Terra-828 esse contato aconteceu décadas antes, ou se Wakanda nunca se isolou após a Segunda Guerra, o intercâmbio científico explicaria como a Fundação Futuro conseguiu implementar carros voadores e arquitetura sustentável em escala municipal. Reed Richards não inventou o futuro sozinho; ele o co-criou com os cientistas wakandanos.

A desmilitarização como catalisador da Fundação Futuro

A desmilitarização como catalisador da Fundação Futuro

Um detalhe crucial mencionado nos materiais promocionais de ‘First Steps’ é que aquele mundo passou por um processo global de desmilitarização. Isso resolve o maior entrave para a abertura de Wakanda: o medo da exploração colonial. Sem a ameaça de potências mundiais querendo transformar Vibranium em bombas, o país teria liberdade para exportar sua ciência.

Isso transforma a Fundação Futuro de uma simples ‘equipe de heróis’ em uma ONG global de desenvolvimento. O Coisa não vê M’Baku como um guerreiro de uma nação misteriosa, mas como um parceiro de infraestrutura. É uma mudança de paradigma que torna o Doutor Destino uma ameaça ainda maior: ele não está apenas tentando conquistar um mundo, ele está tentando destruir uma utopia funcional que o Quarteto e Wakanda construíram juntos.

O peso narrativo para ‘Vingadores: Doomsday’

Se essa conexão for confirmada, o papel de Wakanda em ‘Doomsday’ muda drasticamente. Em vez de serem apenas os defensores da Terra-616, os wakandanos podem ser os únicos capazes de fornecer a tecnologia necessária para ancorar o Quarteto Fantástico em nossa realidade. O reconhecimento mútuo entre Ben e M’Baku prepara o terreno para uma aliança técnica entre Shuri e Reed Richards — unindo o intelecto mais brilhante de dois universos para deter a incursão de Victor von Doom.

O que parecia ser apenas um alívio cômico entre dois personagens carismáticos é, na verdade, a prova de que a Marvel está construindo o multiverso através da história e da sociologia, e não apenas de participações especiais vazias.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Vingadores: Doomsday’ e o Quarteto Fantástico

Qual é a conexão entre o Quarteto Fantástico e Wakanda nos quadrinhos?

O Quarteto Fantástico foi a primeira equipe de super-heróis a visitar Wakanda nos quadrinhos (Fantastic Four #52, 1966). Foi nesta edição que o Pantera Negra (T’Challa) foi apresentado pela primeira vez, testando suas habilidades contra a equipe de Reed Richards.

Quem interpreta o Doutor Destino em ‘Vingadores: Doomsday’?

Robert Downey Jr. retorna ao MCU para interpretar Victor von Doom (Doutor Destino). O personagem será o principal antagonista de ‘Vingadores: Doomsday’ e ‘Vingadores: Guerras Secretas’.

O que é a Terra-828 mencionada na teoria?

Terra-828 é a designação especulativa para o universo de origem do Quarteto Fantástico em ‘The Fantastic Four: First Steps’. É um mundo com estética retrofuturista dos anos 60, mas com tecnologia muito superior à da Terra-616 (o universo principal do MCU).

Quando estreia ‘Vingadores: Doomsday’?

O filme está programado para estrear nos cinemas em maio de 2026, sendo dirigido pelos irmãos Anthony e Joe Russo.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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