‘The Office’ UK: por que a versão original de Ricky Gervais ainda é insuperável

Analisamos por que a economia de 14 episódios de ‘The Office’ UK criou a comédia perfeita. Do 14º ao 1º, veja o ranking completo e entenda por que o ‘cringe’ de David Brent continua mais relevante e visceral que o otimismo da versão americana.

Existe uma regra não-escrita na comédia britânica: saia enquanto ainda está por cima. Fawlty Towers encerrou com 12 episódios. Fleabag parou em 12. I’m Alan Partridge e Spaced seguiram o mesmo caminho. E ‘The Office’ UK, a série que redefiniu o humor de constrangimento para uma geração inteira, elevou essa economia ao status de arte: 12 episódios regulares e um especial de Natal em duas partes. Ponto final.

Essa concisão brutal é o que torna a versão original de Ricky Gervais e Stephen Merchant tão absurdamente reassistível. Não há episódios de preenchimento ou temporadas onde os roteiristas claramente ficaram sem ideias. Cada minuto existe para servir ao desconforto. Após revisitar a série pela sexta vez em duas décadas, ranqueamos todos os episódios de ‘The Office’ UK, do ‘menos brilhante’ ao ápice do colapso social.

A anatomia do constrangimento: o que torna a versão UK única

A anatomia do constrangimento: o que torna a versão UK única

Antes do ranking, é preciso entender o diferencial técnico. O mockumentary virou padrão em ‘Modern Family’ ou ‘Parks and Recreation’, mas em 2001, a câmera de ‘The Office’ UK era uma testemunha impassível. O uso de zooms rápidos em momentos de silêncio e a ausência total de trilha sonora (exceto a abertura melancólica) criam uma atmosfera claustrofóbica. Slough, a cidade industrial cinzenta, não é apenas o cenário; é um personagem que reforça a mediocridade das vidas ali retratadas.

14º lugar: ‘Downsize’ (S01E01)

O piloto carrega o fardo de estabelecer o tom. Tim colocando o grampeador de Gareth na gelatina e David fingindo demitir Dawn por ‘piada’ são clássicos instantâneos. É um setup elegante, mas a série ainda estava calibrando o quanto podia confiar no silêncio. É excelente, mas tudo o que veio depois refinou essa fórmula.

13º lugar: ‘Work Experience’ (S01E02)

Aqui o formato encontra seu ritmo. A busca por quem editou uma imagem pornográfica com o rosto de David revela sua covardia: ele perdoa o culpado, Finchy, apenas porque precisa desesperadamente da aprovação dele. É uma aula de como o roteiro usa a dinâmica de poder para gerar humor ácido.

12º lugar: ‘Party’ (S02E02)

Festas de escritório são o habitat natural do ‘cringe’. David encontra um vibrador no escritório e Gareth tenta sabotar o relacionamento de Tim. O destaque é o contraste entre Neil Godwin (o novo chefe carismático) e David; a insegurança de Brent torna-se quase física diante de alguém genuinamente competente.

11º lugar: ‘New Girl’ (S01E05)

A sequência na boate é um retrato doloroso da vida noturna em cidades pequenas inglesas. Ricky Gervais entrega uma atuação de embriaguez magistral: ele capta o tom exato de quem perdeu a noção de si mesmo, mas ainda acredita estar no controle total da situação.

10º lugar: ‘Judgement’ (S01E06)

O finale da primeira temporada subverte a expectativa de redenção. David anuncia que ‘salvou’ todos ao recusar uma promoção, apenas para ser revelado que ele falhou no exame médico. A cena de Tim desistindo de seus sonhos para aceitar um cargo vazio é o momento mais honesto e triste da temporada.

9º lugar: ‘Merger’ (S02E01)

A fusão com a filial de Swindon traz novos rostos e expõe o racismo casual e a ignorância de David de forma contundente. A sátira sobre relações corporativas e ‘politicamente correto’ de 2002 permanece surpreendentemente afiada.

8º lugar: ‘Christmas Special: Part 1’

Três anos depois, vemos David tentando capitalizar sua fama de subcelebridade. É um estudo sobre a natureza efêmera da fama e o desespero por validação. Ver David fazendo aparições em boates vazias é comédia e tragédia entrelaçadas de forma indissociável.

7º lugar: ‘Motivation’ (S02E04)

Prepare o estômago. A palestra motivacional de David, ao som de Tina Turner e com citações vazias, é o ápice do delírio de grandeza do personagem. O silêncio da plateia é um dos momentos mais difíceis (e geniais) de assistir em toda a televisão.

6º lugar: ‘The Quiz’ (S01E04)

O quiz anual do pub revela as rivalidades mesquinhas do escritório. A obsessão de David em vencer os ‘universitários’ mostra como ele se sente intelectualmente inferior, resultando em um dos finais de episódio mais amargos da série.

5º lugar: ‘Appraisals’ (S02E03)

O formato de avaliações individuais é perfeito para expor as camadas dos personagens. Keith, com sua impassividade absoluta, rouba a cena. É neste episódio que a tensão entre David e Neil finalmente explode em público, desmascarando a fachada de ‘chefe legal’ de Brent.

O Top 4: A essência de ‘The Office’ UK

4º lugar: ‘Christmas Special: Part 2’ — O encerramento definitivo. David finalmente manda Finchy se calar e encontra uma conexão real. O beijo de Tim e Dawn no estacionamento é o antídoto perfeito para o clichê de Hollywood: é real, suado e merecido.

3º lugar: ‘Interview’ (S02E06) — O penúltimo episódio regular. David é demitido e vemos sua armadura cair. O momento em que ele pede, quase chorando, para não ser dispensado (‘Please don’t make me redundant’) é o ponto de virada onde o espectador deixa de rir de David e passa a sentir sua dor.

2º lugar: ‘Charity’ (S02E05) — A dança. Não há muito o que dizer sobre a coreografia de David Brent que já não tenha sido dito. É um momento icônico de comédia física, mas o episódio brilha ao mostrar como David sabota qualquer causa nobre em nome do próprio ego.

1º lugar: ‘Training’ (S01E04) — O episódio de treinamento é ‘The Office’ em estado puro. A música ‘Freelove Freeway’, o desvio total do assunto produtivo e a frustração do instrutor profissional criam uma sinfonia de desconforto. É o ápice da escrita de Gervais e Merchant, provando que a versão britânica, em sua crueza e falta de esperança, permanece insuperável.

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Perguntas Frequentes sobre ‘The Office’ UK

Onde assistir ‘The Office’ UK completo?

Atualmente, a versão original britânica de ‘The Office’ está disponível no catálogo do Max (antigo HBO Max) e em algumas regiões pelo Prime Video. A série conta com duas temporadas e o especial de Natal.

Qual a principal diferença entre ‘The Office’ UK e US?

A versão britânica é mais curta (14 episódios) e foca no realismo melancólico e no ‘cringe’ puro, sem redenção fácil para os personagens. A versão americana (201 episódios) é mais otimista, com personagens mais carismáticos e arcos de redenção claros para Michael Scott.

Quantos episódios tem a versão original de ‘The Office’?

A série possui um total de 14 episódios: duas temporadas de 6 episódios cada, mais um especial de Natal dividido em duas partes que serve como o encerramento da história.

O David Brent aparece na versão americana?

Sim, Ricky Gervais faz uma breve participação especial como David Brent na 7ª temporada da versão americana, encontrando Michael Scott (Steve Carell) em frente a um elevador.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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