‘Tehran’ desbanca ‘Pluribus’ e prova a força dos thrillers no Apple TV+

Analisamos como a 3ª temporada de ‘Tehran’ superou ‘Pluribus’ para dominar o Apple TV+ globalmente. Entenda o impacto de Hugh Laurie no elenco e como a ‘estética de vigilância’ transforma a série no thriller de espionagem mais autêntico da atualidade.

Quando ‘Tehran’ estreou no Apple TV+ em 2020, o mundo viu uma aposta arriscada: um thriller israelense, falado em hebraico, farsi e inglês, tentando furar a bolha do streaming global. Cinco anos depois, a terceira temporada não apenas furou a bolha, como realizou uma proeza estatística: desbancou ‘Pluribus’, o épico de ficção científica de Vince Gilligan, do topo das paradas em 68 países. O fenômeno prova que, no ecossistema da Apple, a tensão geopolítica crua está vencendo o prestígio autoral de Hollywood.

O fator Hugh Laurie e a ‘estética de vigilância’

A adição de Hugh Laurie como Eric Peterson é o grande trunfo deste novo ano. Laurie abandona o sarcasmo de ‘House’ para entregar uma ameaça burocrática e silenciosa. Sua presença eleva ‘Tehran’ de um thriller regional para um drama de espionagem de alto escalão, preenchendo o vácuo deixado pela saída de Glenn Close na temporada anterior. Mas o sucesso não é apenas sobre nomes no cartaz.

Tecnicamente, a série continua a impressionar pelo uso da fotografia de Ziv Berkovich. Como a produção não pode filmar no Irã por razões óbvias, a recriação de Teerã em Atenas é um trabalho de design de produção e color grading primoroso. A luz é dura, amarelada e sufocante, transmitindo visualmente a paranoia de Tamar Rabinyan (Niv Sultan). Cada beco parece uma armadilha, e a câmera na mão durante as sequências de infiltração cria uma ‘estética de vigilância’ que coloca o espectador no banco do passageiro do Mossad.

Resistência americana e o ‘Efeito Gilligan’

É fascinante notar que, enquanto o resto do mundo se rendeu a ‘Tehran’, os Estados Unidos continuam fiéis a ‘Pluribus’. Há uma explicação clara: o público americano possui uma lealdade quase religiosa a Vince Gilligan. Para quem acompanhou a ascensão e queda de Walter White, qualquer obra de Gilligan recebe um salvo-conduto de atenção. Além disso, ‘Pluribus’ utiliza Rhea Seehorn em um papel que desafia as convenções da ficção científica tradicional, algo que ressoa fortemente no mercado doméstico que ainda prefere narrativas centradas em personagens internos a conflitos externos do Oriente Médio.

Por que ‘Tehran’ é o novo padrão ouro do Apple TV+

O hiato de quatro anos entre as temporadas poderia ter sido fatal, mas ‘Tehran’ sobreviveu porque não tenta ser uma versão genérica de ‘Homeland’. A série abraça a dualidade de sua protagonista — uma judia nascida no Irã que precisa destruir o país que, em algum nível, ainda chama de lar. Essa complexidade moral é o que falta em muitos thrillers de ação que priorizam explosões sobre o desenvolvimento psicológico.

Para o Apple TV+, ‘Tehran’ é a prova de que a autenticidade local é a moeda mais valiosa do streaming moderno. Ao manter os idiomas originais e as nuances políticas sem filtros, a série conquistou uma audiência que busca mais do que entretenimento escapista; busca uma janela para tensões que parecem reais demais para serem ignoradas.

Vale a pena começar agora?

Se você busca adrenalina constante no estilo ‘Missão Impossível’, talvez se frustre. ‘Tehran’ é um jogo de xadrez onde o silêncio é tão importante quanto o disparo de uma arma. Recomendo assistir com atenção redobrada ao trabalho de som: os ruídos da cidade são usados para mascarar a tensão, criando uma experiência sensorial claustrofóbica. Com episódios semanais até fevereiro de 2025, é o momento ideal para maratonar as duas primeiras temporadas e entender por que esta série se tornou o pilar de espionagem da Apple.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Tehran’ no Apple TV+

Onde a série ‘Tehran’ é filmada, já que não pode ser no Irã?

A série é filmada principalmente em Atenas, na Grécia. A produção utiliza locações que se assemelham à arquitetura de Teerã, com um trabalho intenso de cenografia e efeitos visuais para recriar a capital iraniana.

Qual é o papel de Hugh Laurie na 3ª temporada de ‘Tehran’?

Hugh Laurie interpreta Eric Peterson, um inspetor nuclear sul-africano. Sua chegada traz uma nova camada de tensão diplomática e moral à trama de espionagem liderada por Tamar Rabinyan.

‘Tehran’ é baseada em uma história real?

Não é uma história real específica, mas a série é fortemente inspirada no contexto geopolítico real entre Israel e Irã, além das operações de inteligência do Mossad, o que confere um tom de realismo documental à obra.

Preciso assistir às temporadas anteriores para entender a 3ª?

Sim. ‘Tehran’ é uma série contínua com uma narrativa densa. A evolução da protagonista Tamar e suas relações com os agentes locais são fundamentais para compreender os riscos e as motivações da terceira temporada.

Quantos episódios tem a 3ª temporada de ‘Tehran’?

A terceira temporada conta com 8 episódios, lançados semanalmente no Apple TV+, com o encerramento programado para o final de fevereiro de 2025.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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