‘Vingadores: Doutor Destino’ e a correção de rumo que ‘Ultimato’ esqueceu

Analisamos como ‘Vingadores: Doutor Destino’ atua como uma correção crítica para o MCU, resolvendo a falta de conexão emocional deixada por ‘Ultimato’. Entenda por que o foco em legado e a volta de Robert Downey Jr. são as chaves para restaurar a relevância da franquia.

Existe uma ironia narrativa no legado de ‘Vingadores: Ultimato’. O filme que encerrou a Saga do Infinito com uma escala sem precedentes — o ápice do ‘cinema de evento’ — acabou criando um vácuo que a Marvel Studios levou mais de meia década para tentar preencher. Ao focar obsessivamente em fechar ciclos, os Irmãos Russo entregaram uma conclusão satisfatória, mas um prólogo desastroso para o que viria a seguir.

Agora, com a chegada de ‘Vingadores: Doutor Destino’, os sinais indicam que Kevin Feige finalmente identificou o problema: o MCU não sofre de ‘fadiga de super-heróis’, mas de uma ruptura no tecido conectivo. A correção de rumo proposta pelo novo longa não é apenas estética; é uma tentativa de restaurar o cordão umbilical que ‘Ultimato’ cortou precocemente.

O erro estrutural da despedida de 2019

O erro estrutural da despedida de 2019

Olhando em retrospecto, o terceiro ato de ‘Ultimato’ é um triunfo da montagem e do fan service, mas falha gravemente na transferência de peso emocional. A relação entre Tony Stark e Peter Parker, construída com minúcia desde ‘Guerra Civil’, terminou com um silêncio traumático. Peter não herdou o manto; ele herdou o luto. A ausência de uma conversa de ‘passagem de bastão’ real deixou o Homem-Aranha (e o público) à deriva.

O mesmo fenômeno ocorreu com Steve Rogers. A cena do banco de praça, embora poética, foi curta demais para o peso que Sam Wilson teria que carregar. ‘Ultimato’ tratou esses momentos como notas de rodapé de um épico, quando deveriam ter sido a fundação da Fase 4. O resultado foi uma sucessão de ‘ilhas narrativas’ — filmes como ‘Shang-Chi’ ou ‘Eternos’ que, apesar de tecnicamente competentes, pareciam flutuar em um universo sem gravidade emocional.

‘Doutor Destino’ e o retorno ao legado tangível

Os teasers de ‘Vingadores: Doutor Destino’ sugerem uma mudança de paradigma. A escolha de Robert Downey Jr. para viver Victor von Doom não é apenas um truque de marketing (embora também seja); é uma manobra metalinguística agressiva sobre legado. Ver o rosto que fundou o MCU agora personificando sua maior ameaça força os novos heróis a confrontarem o passado de forma literal.

As imagens de Steve Rogers (interpretado por uma nova iteração ou variante) ao lado de seu filho, e Thor buscando orientação para criar Love, apontam para um MCU que parou de olhar para o Multiverso como uma caixa de brinquedos infinita e começou a olhá-lo como uma árvore genealógica. A fotografia de ‘Doutor Destino’ parece abandonar o cinza genérico das últimas produções em favor de um contraste mais acentuado, evocando a era de ouro da franquia, mas com uma maturidade visual que reflete o peso do tempo passado.

Por que a conexão emocional é a única salvação

Por que a conexão emocional é a única salvação

Nos quadrinhos, o conceito de ‘Legado’ é o que impede o universo de desmoronar sob o peso da cronologia. Miles Morales só ressoa porque Peter Parker é seu norte (ou sua sombra). O MCU tentou pular essa etapa, jogando novos personagens na tela e esperando que o público os amasse apenas por serem ‘da Marvel’.

‘Doutor Destino’ parece entender que a audiência precisa de um fio condutor. A integração dos X-Men, por exemplo, não está sendo vendida como uma ‘invasão’ de outra franquia, mas como uma peça que faltava no quebra-cabeça do futuro. É a diferença entre empilhar personagens e construir uma mitologia.

O veredito antecipado: Uma ponte necessária

O desafio de ‘Doutor Destino’ é hercúleo: ele precisa ser um filme de Vingadores que não dependa da nostalgia barata de ‘Ultimato’, mas que honre o que aquele filme esqueceu de preparar. Não se trata de desfazer o sacrifício de Tony ou a aposentadoria de Steve, mas de mostrar que as ondas causadas por esses atos ainda moldam o presente.

Se conseguir equilibrar a introdução de Victor von Doom com a consolidação de Sam Wilson, Carol Danvers e a nova geração, a Marvel pode finalmente sair do ‘limbo pós-Thanos’. ‘Vingadores: Doutor Destino’ não precisa superar ‘Ultimato’ em bilheteria; ele precisa superá-lo em substância narrativa, servindo como a ponte que a Marvel esqueceu de construir em 2019.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Vingadores: Doutor Destino’

Quando estreia ‘Vingadores: Doutor Destino’?

O filme tem estreia prevista para maio de 2026, marcando o início do clímax da Saga do Multiverso.

Robert Downey Jr. será o Homem de Ferro novamente?

Não. Robert Downey Jr. retorna ao MCU para interpretar Victor von Doom (Doutor Destino), o novo grande vilão da franquia, e não Tony Stark.

Preciso assistir a todas as séries do Disney+ para entender o filme?

Embora o filme conecte pontas soltas, a Marvel indicou que ‘Doutor Destino’ servirá como um ponto de reentrada acessível, focando nos eventos principais de ‘Quarteto Fantástico’ e nos filmes anteriores dos Vingadores.

Qual a relação entre ‘Doutor Destino’ e ‘Guerras Secretas’?

‘Vingadores: Doutor Destino’ é a primeira parte de uma conclusão épica, que será finalizada em ‘Vingadores: Guerras Secretas’, previsto para 2027.

O filme terá o Quarteto Fantástico?

Sim, o Quarteto Fantástico terá um papel central na trama, já que o Doutor Destino é historicamente o arqui-inimigo da equipe nos quadrinhos.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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