‘Godzilla Minus Zero’ e ‘Supernova’: a conexão inesperada entre os novos vilões

Analisamos como as ‘Células G’ conectam o futuro de ‘Godzilla Minus Zero’ e ‘Supernova’. Entenda por que a Toho e a Legendary escolheram Biollante e SpaceGodzilla como os próximos vilões, unindo o horror corporal japonês ao espetáculo cósmico do MonsterVerse.

Existe um padrão cíclico na iconografia do Rei dos Monstros: os antagonistas mais viscerais não são invasores alienígenas, mas subprodutos do próprio Godzilla. Pela primeira vez em décadas, a Toho e a Legendary parecem convergir para essa mesma tese narrativa ao mesmo tempo.

Ao analisarmos os rumores e confirmações para a sequência de ‘Godzilla Minus One’ (provisoriamente chamada de ‘Godzilla Minus Zero’) e o próximo capítulo do MonsterVerse, ‘Godzilla x Kong: Supernova’, uma conexão técnica e temática emerge: o retorno das ‘Células G’. Esse material genético, que definiu a Era Heisei nos anos 90, é a chave para entender o Godzilla Minus Zero vilão e a ameaça cósmica que aguarda o Kong.

A semente de Biollante: O horror corporal em ‘Minus One’

A cena final de ‘Godzilla Minus One’ não foi apenas um cliffhanger emocional; foi um setup biológico. A marca escura no pescoço de Noriko, pulsando levemente, é uma referência direta à contaminação radioativa que, na cronologia clássica, precede a criação de Biollante. Para Takashi Yamazaki — que operou milagres com um orçamento de efeitos visuais reduzido — Biollante representa o desafio técnico perfeito: um monstro que exige uma mistura de design orgânico e terror existencial.

Em ‘Godzilla vs. Biollante’ (1989), a criatura nasce da fusão de células de Godzilla com o DNA de uma rosa e de uma jovem falecida. Se Yamazaki seguir este caminho, o vilão de ‘Minus Zero’ não será apenas um kaiju para ser socado, mas uma extensão trágica do trauma humano que o primeiro filme estabeleceu. A fotografia contrastada e o uso de sombras que deram o Oscar de Melhores Efeitos Visuais à Toho seriam ideais para retratar o horror botânico de uma criatura que é, literalmente, uma ferida aberta na realidade japonesa.

SpaceGodzilla e a expansão psicodélica do MonsterVerse

Enquanto a Toho mergulha no trauma, a Legendary parece pronta para abraçar o espetáculo visual. Informações do Writer’s Guild of America (WGA) indicam que SpaceGodzilla será o antagonista de ‘Supernova’. Se Biollante é o ‘filho’ terrestre e trágico, SpaceGodzilla é a versão corrompida pelo cosmos — um reflexo sombrio que surgiu quando Células G passaram por um buraco negro.

A transição de Adam Wingard para um estilo mais camp e saturado em ‘O Novo Império’ pavimenta o caminho para SpaceGodzilla. O design original de 1994, repleto de cristais e poderes telecinéticos, exige uma paleta de cores que o MonsterVerse já provou dominar. Aqui, o conflito deixa de ser sobre metáforas de guerra e passa a ser sobre a supremacia da espécie: o Godzilla ‘natural’ contra a sua evolução artificial e fria.

Por que as ‘Células G’ são o combustível dos melhores roteiros

Por que as 'Células G' são o combustível dos melhores roteiros

Narrativamente, usar o DNA do protagonista para criar o vilão resolve o maior problema de escala da franquia: a invencibilidade. Godzilla é um deus; logo, apenas algo derivado de sua própria biologia pode representar um perigo real. Biollante e SpaceGodzilla funcionam porque herdam a resiliência atômica do original, mas a distorcem.

Do ponto de vista técnico, isso permite que os diretores explorem o ‘Uncanny Valley’ dos monstros. Ver traços familiares de Godzilla em uma massa vegetal ou em uma estrutura cristalina gera um desconforto visual que monstros genéricos como os MUTOs nunca alcançaram. É a luta do eu contra o reflexo, um tema clássico que eleva o gênero kaiju para além do simples esmagamento de prédios.

Veredito: Duas faces da mesma moeda Heisei

Teremos, em um intervalo curto, duas interpretações radicalmente diferentes da Era Heisei. ‘Godzilla Minus Zero’ deve tratar a mutação como body horror e tragédia pessoal, mantendo o tom sóbrio que resgatou a dignidade da franquia no Japão. Já ‘Supernova’ promete ser a apoteose do entretenimento de arena, usando a tecnologia de ponta da Weta FX para dar peso a um vilão que, nos anos 90, era limitado pela tecnologia de suitmation (atores em roupas de borracha).

Para o fã, não há necessidade de escolher um lado. O fato de Godzilla ser maleável o suficiente para sustentar um drama de época vencedor do Oscar e um blockbuster psicodélico de ficção científica é o que garante sua longevidade até 2027 e além.

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Perguntas Frequentes sobre os novos vilões de Godzilla

Quem será o vilão de ‘Godzilla Minus Zero’?

Embora não confirmado oficialmente pela Toho, todas as pistas da cena final de ‘Minus One’ e as declarações do diretor Takashi Yamazaki apontam para Biollante, uma criatura híbrida nascida de células de Godzilla.

SpaceGodzilla está confirmado no MonsterVerse?

Sim, registros recentes do Writer’s Guild of America listam SpaceGodzilla como o antagonista central de ‘Godzilla x Kong: Supernova’, previsto para 2027.

O que são as Células G na franquia Godzilla?

As Células G são o material genético altamente regenerativo e radioativo do Godzilla. Na Era Heisei, elas foram responsáveis pela criação de vilões como Biollante e SpaceGodzilla.

Preciso assistir aos filmes dos anos 90 para entender os novos?

Não é obrigatório, mas assistir ‘Godzilla vs. Biollante’ (1989) e ‘Godzilla vs. SpaceGodzilla’ (1994) ajuda a entender a origem e os poderes desses personagens que estão sendo reimaginados agora.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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