‘Pluribus’: Por que Rhea Seehorn aceitou a nova série de Vince Gilligan sem ler o roteiro

Rhea Seehorn aceitou o papel principal em ‘Pluribus’ sem ler uma única página do roteiro. Analisamos como a parceria de uma década com Vince Gilligan em ‘Better Call Saul’ criou uma confiança cega que resultou na ficção científica mais provocativa da Apple TV+.

No mundo volátil de Hollywood, assinar um contrato sem ler o roteiro é o equivalente profissional a saltar de um avião esperando que o paraquedas seja fabricado durante a queda. Mas para Rhea Seehorn, a decisão de protagonizar ‘Pluribus’, a nova aposta de ficção científica da Apple TV+, não foi um salto no escuro — foi um reconhecimento de DNA criativo. Quando Vince Gilligan ligou dizendo que havia escrito um papel especificamente para ela, a resposta foi um “sim” antes mesmo do ponto final da frase.

Essa confiança absoluta não nasceu do nada; ela foi forjada em dez anos de silêncios compartilhados, subtextos densos e cinzeiros cheios na varanda de Kim Wexler em ‘Better Call Saul’. Entender por que Seehorn aceitou ‘Pluribus’ às cegas é entender a simbiose mais produtiva da TV atual.

O “Efeito Kim Wexler”: Por que Gilligan escreve para o rosto de Seehorn

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Durante as seis temporadas de ‘Better Call Saul’, Vince Gilligan (e seu co-criador Peter Gould) descobriram que Rhea Seehorn possui uma habilidade rara: ela consegue narrar parágrafos inteiros apenas com o movimento de uma pálpebra ou o ajuste de um rabo de cavalo. Gilligan frequentemente comentava em entrevistas que eles começaram a escrever menos diálogos para Kim porque a atuação de Seehorn tornava as palavras redundantes.

Em ‘Pluribus’, essa economia narrativa atinge um novo patamar. Gilligan confessou que, ao conceber a protagonista Carol Sturka, ele não conseguia ouvir outra voz que não a de Rhea. Ao completar uma década de colaboração, a relação entre diretor e atriz transcendeu a hierarquia tradicional. Para Seehorn, o roteiro era um detalhe; o método de Gilligan — obsessivo com detalhes, focado na moralidade cinzenta e profundamente humano — já era o mapa que ela precisava.

Carol Sturka: A antítese do herói em um mundo artificialmente feliz

A premissa de ‘Pluribus’ subverte os clichês de invasão alienígena ou apocalipse viral. Aqui, o “vírus” não mata; ele cura a tristeza, transformando a humanidade em uma massa irracionalmente otimista e passiva. Carol Sturka, interpretada por Seehorn, é uma escritora de romances medíocres que se vê como a única imune a essa felicidade compulsória.

O ângulo genial de Gilligan é transformar o pessimismo em superpoder. Carol não é a escolhida por ser virtuosa, mas por ser, nas palavras da própria atriz, “deliciosamente miserável”. Enquanto o mundo sorri para o abismo, Carol é a única que ainda consegue sentir a dor necessária para reagir. É um papel que exige a mesma contenção que tornou Kim Wexler um ícone, mas com uma camada de desespero existencial que a ficção científica permite explorar de forma mais visceral.

A estética de Gilligan na Apple TV+: O que muda?

A estética de Gilligan na Apple TV+: O que muda?

Visualmente, ‘Pluribus’ marca uma ruptura com o visual árido e amarelado de Albuquerque que definiu o universo ‘Breaking Bad’. Na Apple TV+, Gilligan adota uma paleta fria, quase clínica, que acentua o horror da “felicidade artificial”. A fotografia utiliza espaços negativos vastos, isolando a personagem de Seehorn em um mundo que não a reconhece mais como igual.

Aceitar esse projeto sem ler o roteiro também foi, para Seehorn, uma aposta na evolução técnica de Gilligan. Ela sabia que ele não repetiria a fórmula do crime organizado, mas usaria a mesma precisão cirúrgica para dissecar a psique humana sob uma lente fantástica. O resultado é uma série que parece um episódio estendido de ‘Além da Imaginação’, mas com a profundidade de um estudo de personagem de prestígio.

Veredito: Vale a pena seguir essa confiança?

‘Pluribus’ prova que a intuição de Rhea Seehorn estava correta. A série não é apenas mais uma ficção científica de alto orçamento; é um manifesto sobre o direito humano de estar triste, de falhar e de ser imperfeito. Para quem sentia falta da precisão de Gilligan, ver Seehorn em tela novamente é um lembrete de que, às vezes, o melhor roteiro é aquele escrito pela história que dois artistas já construíram juntos.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Pluribus’ e Rhea Seehorn

Sobre o que fala a série ‘Pluribus’?

‘Pluribus’ é uma série de ficção científica onde um evento global transforma as pessoas em seres irracionalmente felizes. A protagonista, Carol Sturka (Rhea Seehorn), é uma das poucas imunes e precisa lidar com as consequências de ser a ‘única pessoa triste’ em um mundo artificialmente perfeito.

Onde posso assistir a ‘Pluribus’?

‘Pluribus’ tem alguma ligação com ‘Breaking Bad’ ou ‘Better Call Saul’?

Não. Embora seja criada por Vince Gilligan e estrelada por Rhea Seehorn, ‘Pluribus’ é uma história completamente nova e independente, sem conexões narrativas com o universo de Walter White ou Saul Goodman.

Quantos episódios tem a primeira temporada de ‘Pluribus’?

A primeira temporada conta com 10 episódios, seguindo o padrão de produções de drama e ficção científica da Apple TV+.

Rhea Seehorn e Vince Gilligan já trabalharam juntos antes?

Sim, eles trabalharam juntos por seis temporadas em ‘Better Call Saul’ (2015-2022), onde Seehorn interpretou a advogada Kim Wexler e Gilligan foi o co-criador e produtor executivo.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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