‘Vingadores: Doutor Destino’: por que ele deve superar Thanos e Galactus

Analisamos por que o Doutor Destino de Robert Downey Jr. precisa ultrapassar o nível de ameaça de Thanos e Galactus para salvar a Fase 6 do MCU. Entenda como a conexão com Franklin Richards e a trama de ‘Guerras Secretas’ elevarão Victor Von Doom ao status de Deus Imperador.

A Marvel Studios encontra-se em uma encruzilhada narrativa que define o futuro do MCU: como escalar a ameaça após Thanos ter apagado metade do universo com um estalo? A resposta não pode ser apenas ‘mais poder bruto’. Se Victor Von Doom for apenas um ‘Thanos 2.0’ com uma armadura diferente, o público sentirá o cansaço da fórmula. O desafio de ‘Vingadores: Doutor Destino’ é provar que o Doutor Destino no MCU tem um poder que não se mede apenas por joias cósmicas, mas por uma combinação letal de intelecto, misticismo e uma convicção inabalável.

A armadilha do ‘Efeito Thanos’ e a escala multiversal

A armadilha do 'Efeito Thanos' e a escala multiversal

Thanos redefiniu o conceito de perigo existencial. Com as Joias do Infinito, ele alcançou a onipotência dentro de um universo. A Saga do Multiverso, porém, prometeu expandir essa escala para realidades infinitas. Se o Destino de Robert Downey Jr. não representar um risco que faça as ações de Thanos parecerem uma disputa regional, a estrutura dramática da Fase 6 colapsa sob o peso da própria ambição.

Diferente de Kang, cujas variantes diluíram a percepção de perigo, Destino precisa ser uma singularidade. A Marvel parece ter entendido isso ao posicionar Victor Von Doom não apenas como um sucessor, mas como a antítese do Titã Louco. Enquanto Thanos buscava o equilíbrio através da morte, Destino busca a ordem através do domínio absoluto — e o poder necessário para isso exige algo além de artefatos externos.

O fator Franklin Richards: o catalisador do poder divino

Para quem assistiu ‘The Fantastic Four: First Steps’, a breve mas densa interação entre Doom e Franklin Richards nos créditos finais não foi apenas fan service. Franklin é, no cânone dos quadrinhos, um mutante de nível ômega capaz de criar universos inteiros no bolso. No MCU, ele parece ser a peça que faltava para elevar o Doutor Destino ao poder supremo.

A estratégia de roteiro aqui é brilhante e perigosa: em vez de Destino gastar dez anos coletando pedras, ele pode simplesmente ‘colher’ o potencial de uma criança que manipula a realidade por instinto. Isso cria uma tensão ética que Thanos nunca teve. Veremos um herói (Reed Richards) tendo que escolher entre salvar o multiverso ou seu próprio filho de um mentor distorcido. É essa complexidade emocional que dá peso ao CGI.

Por que superar Galactus é uma necessidade técnica

Por que superar Galactus é uma necessidade técnica

Galactus, introduzido como o Devorador de Mundos, é uma força da natureza — uma catástrofe inevitável como um furacão espacial. Narrativamente, ele serve para estabelecer o nível de poder que o Quarteto Fantástico consegue conter. Se o próximo vilão for ‘menor’ que uma entidade que come planetas, a progressão dramática regride.

Destino supera Galactus não apenas na escala de destruição, mas na precisão. Onde Galactus consome por fome, Destino reconstrói por ego. A direção dos Irmãos Russo em ‘Doomsday’ deve focar nessa transição: do terror cósmico impessoal de Galactus para o autoritarismo íntimo e sofisticado de Von Doom. É a diferença entre um desastre natural e um ditador onipotente.

Deus Imperador Destino e o caminho para ‘Guerras Secretas’

A referência óbvia para este arco é a ‘Guerras Secretas’ de 2015, escrita por Jonathan Hickman. Nela, Destino não apenas derrota ameaças cósmicas; ele salva o que resta da existência e se autoproclama Deus Imperador. O MCU está pavimentando esse caminho. O poder de Destino no cinema precisa ser visualmente distinto: menos raios de energia genéricos e mais distorção da estrutura da realidade, algo que remeta à sofisticação visual de ‘Doutor Estranho’, mas com a brutalidade tecnológica da Stark Industries.

O uso de Robert Downey Jr. aqui é a metalinguagem definitiva. O homem que deu início ao MCU como o maior herói agora retorna para ser o arquiteto de sua destruição (e reconstrução). O ‘poder’ de Destino reside também nessa subversão da esperança que o rosto de RDJ representa para os Vingadores remanescentes.

O veredito: Poder sem substância é apenas ruído

O grande risco da Marvel é focar tanto na escala de poder que esqueça a humanidade de Victor. Thanos funcionou porque sua dor era palpável em ‘Guerra Infinita’. Destino precisa de sua Latvéria, de seu orgulho ferido e de sua rivalidade intelectual com Reed Richards. Se o filme entregar apenas um vilão que ‘bate forte’, terá falhado.

Esperamos um Destino que não apenas supere Thanos em poder, mas que o supere em complexidade. Ele não quer apenas vencer; ele quer que você admita que ele estava certo o tempo todo. E no fim das contas, esse é o poder mais perigoso que existe.

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Perguntas Frequentes sobre o Doutor Destino no MCU

Quem é mais forte: Thanos ou Doutor Destino?

Nos quadrinhos, o Doutor Destino (na forma de Deus Imperador) é significativamente mais poderoso que Thanos com a Manopla do Infinito, sendo capaz de derrotar o Titã Louco com facilidade. No MCU, espera-se que Destino alcance esse nível em ‘Vingadores: Guerras Secretas’.

Por que Robert Downey Jr. foi escolhido como Doutor Destino?

A escolha visa criar um impacto emocional profundo nos heróis e no público, utilizando a familiaridade com o Homem de Ferro para construir um vilão que é o reflexo sombrio do maior herói do MCU. Narrativamente, Victor Von Doom é uma variante ou um personagem totalmente novo com o mesmo rosto.

Qual a ligação entre o Doutor Destino e Franklin Richards no filme?

Franklin Richards, filho de Reed e Sue, possui poderes de manipulação da realidade. No MCU, especula-se que Destino tentará usar os poderes de Franklin para estabilizar o multiverso ou criar o seu próprio ‘Mundo de Batalha’ (Battleworld).

Preciso assistir ao Quarteto Fantástico antes de Vingadores: Doomsday?

Sim, ‘The Fantastic Four: First Steps’ é essencial, pois estabelece a origem do Doutor Destino nesta realidade e sua conexão com a família Richards, que será o centro emocional do próximo filme dos Vingadores.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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