Analisamos o retorno de Robert Picardo em ‘Starfleet Academy’ e como o Doutor, agora com 800 anos de memórias digitais, assume o papel de ‘Yoda’ da franquia. Entenda por que sua memória perfeita e a relação com a cadete SAM são as chaves para o futuro de Star Trek.
Existe um tipo de personagem que transcende a série que o criou por pura força de personalidade. O Doutor, de ‘Star Trek: Voyager’, sempre foi um desses casos raros — um Holograma Médico de Emergência (EMH) que, ao longo de sete anos no Quadrante Delta, desenvolveu algo que nenhum programador previu: uma alma. Agora, em ‘Star Trek: Starfleet Academy’, Robert Picardo retorna ao papel que definiu sua carreira, mas com uma diferença fundamental: ele não é mais apenas um software médico. Ele é uma consciência com 800 anos de memórias ininterruptas.
O próprio Picardo, em entrevista recente à SFX Magazine, brincou que essa longevidade o transforma no ‘Yoda de Star Trek’. A comparação é fácil de digerir, mas esconde uma complexidade técnica e emocional que a nova série da Paramount+ parece pronta para explorar de forma inédita na franquia.
A maldição da memória perfeita: Por que 800 anos pesam
Diferente de Yoda, que viveu nove séculos de forma biológica, o Doutor é digital. Picardo tocou em um ponto crucial: ‘800 anos de memória digital onde a lembrança de um colega querido de séculos atrás é tão fresca quanto alguém que você viu ontem’. Para nós, humanos, o esquecimento é um mecanismo de defesa; o tempo desbota a dor. Para o Doutor, a perda da Capitã Janeway ou de Seven of Nine não é um fato histórico distante, é um dado em alta resolução processado em tempo real.
Essa ‘memória perfeita’ sugere um personagem que carrega um trauma cumulativo imenso. Em ‘Starfleet Academy’, ele não é apenas um professor; ele é o último arquivo vivo de uma era de ouro que os cadetes do século 32 conhecem apenas por hologramas didáticos e registros fragmentados pós-Burn.
A evolução do EMH: De ferramenta a mestre da Academia
A transição do Doutor de alívio cômico para mentor começou em ‘Star Trek: Prodigy’, mas aqui o cenário é o coração da Federação: São Francisco. Ele agora divide seu tempo como Oficial Médico Chefe da USS Athena e instrutor da primeira turma de cadetes após o cataclismo que isolou a galáxia.
Onde Yoda era um mestre místico, o Doutor é um mestre pragmático. Sua sabedoria não vem da Força, mas de erros de programação, arrogância superada e décadas lutando por direitos civis básicos. É essa ‘humanidade conquistada’ que o torna o mentor ideal para uma geração de cadetes que cresceu em uma galáxia desconectada e cínica.
O espelhamento narrativo com a cadete SAM
Um dos pontos mais promissores da série é a relação do Doutor com a cadete SAM (Kerrice Brooks), uma forma de vida holográfica. Aqui, os roteiristas de ‘Starfleet Academy’ (liderados por Alex Kurtzman e Noga Landau) têm a chance de fechar um ciclo narrativo de 30 anos.
O Doutor verá em SAM seus próprios conflitos de identidade do século 24. Ele pode ser o guia que nunca teve, ou, em uma virada mais sombria, pode projetar nela suas próprias frustrações com a Federação. Se a série seguir a profundidade de temas de identidade vistos nas temporadas finais de ‘Discovery’, essa dinâmica será o pilar emocional da produção.
Por que o Doutor é o elo necessário para 2026
‘Starfleet Academy’ estreia no ano do 60º aniversário de Star Trek. A franquia precisa provar que o século 32 pode ser tão vibrante quanto a era de Kirk ou Picard. Trazer Robert Picardo não é apenas um aceno nostálgico; é uma necessidade estrutural. Ele é a ponte literal entre o otimismo exploratório de ‘Voyager’ e a reconstrução melancólica do futuro distante.
Ao contrário de outros retornos de legado que parecem ‘fan service’ gratuito, o retorno do Doutor faz sentido biológico (ou tecnológico) e narrativo. Ele é o único que pode olhar para os jovens cadetes e dizer, com autoridade de testemunha ocular, o que significa ser a Frota Estelar quando tudo parece perdido.
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Perguntas Frequentes sobre o Doutor em Starfleet Academy
Quando estreia ‘Star Trek: Starfleet Academy’?
A série tem previsão de estreia para 15 de janeiro de 2026, exclusivamente no Paramount+, coincidindo com as celebrações de 60 anos da franquia.
Robert Picardo interpretará o mesmo Doutor de ‘Voyager’?
Sim. Trata-se da mesma consciência holográfica que serviu na USS Voyager, agora com cerca de 800 anos de existência e experiência acumulada.
Preciso ter assistido ‘Star Trek: Voyager’ para entender a nova série?
Não é obrigatório, mas conhecer a jornada do Doutor em ‘Voyager’ e sua evolução em ‘Prodigy’ oferece um contexto muito mais rico sobre sua paciência (ou falta dela) com os novos cadetes.
Em que época se passa ‘Starfleet Academy’?
A série se passa no século 32, o mesmo período das temporadas finais de ‘Star Trek: Discovery’, mostrando a reconstrução da Academia da Frota Estelar após o evento conhecido como ‘The Burn’.

