‘Immortal Hulk’: O horror de Al Ewing é a única saída para o Hulk no MCU?

Analisamos por que a fase ‘Immortal Hulk’ de Al Ewing é a única salvação para o Gigante Esmeralda no MCU. Entenda como o body horror e o trauma psicológico podem resgatar a relevância de Bruce Banner após anos de domesticação pela Disney.

O Hulk do MCU tem um problema que nenhuma quantidade de CGI de ponta consegue resolver: ele se tornou doméstico. O monstro que deveria representar a fúria incontrolável e a psique fragmentada de Bruce Banner virou um gigante verde simpático que distribui tacos e faz selfies. Quando vimos o ‘Professor Hulk’ em ‘Vingadores: Ultimato’, o arco de 15 anos do personagem parecia ter sido resolvido com uma sessão de terapia fora de tela. O perigo sumiu.

A resposta para esse marasmo criativo já existe e foi escrita por Al Ewing entre 2018 e 2021. ‘Immortal Hulk’ não é apenas uma HQ de super-herói; é um tratado de horror metafísico que redefine o Gigante Esmeralda. Mas será que o Immortal Hulk no MCU é uma possibilidade real ou apenas um sonho febril dos fãs que sentem falta da brutalidade?

O Body Horror como cura para a mediocridade do Professor Hulk

O Body Horror como cura para a mediocridade do Professor Hulk

Quando Stan Lee e Jack Kirby criaram o personagem em 1962, a dúvida era clara: o Hulk é homem ou monstro? O MCU optou pelo homem. Ewing, por outro lado, mergulhou fundo no monstro. Em ‘Immortal Hulk’, a transformação não é uma mudança de cor, é uma violação biológica.

Uma das cenas mais icônicas da fase de Ewing (e que o MCU jamais ousaria replicar sob a batuta atual da Disney) envolve o Hulk sendo fatiado e mantido vivo em potes de vidro em uma base secreta. Ele não morre; ele apenas espera as partes se reunirem em uma massa disforme de carne e radiação gama. Esse nível de body horror, que remete diretamente ao cinema de David Cronenberg em ‘A Mosca’, é o que falta para devolver ao personagem o senso de ameaça. O Hulk precisa ser assustador antes de ser heróico.

A Porta Verde e o trauma que Kevin Feige ignorou

Existe um elemento que o MCU sempre evitou tocar: Brian Banner. O pai abusivo de Bruce é o epicentro do trauma que criou o Hulk. Enquanto os filmes tratam a radiação gama como a causa, a fase ‘Immortal’ a trata como o catalisador de algo muito mais antigo e sombrio.

Ewing introduziu a ‘Porta Verde’ e a entidade One Below All, transformando a mitologia do Hulk em algo quase religioso e profundamente perturbador. O terror aqui não é externo; é geracional. Ao ignorar o passado traumático de Banner em favor de piadas sobre roupas apertadas, a Marvel Studios removeu o coração da tragédia do personagem. Adaptar ‘Immortal Hulk’ exigiria que o estúdio finalmente parasse de tratar o trauma como algo que se resolve com um estalar de dedos.

O Líder e o desperdício em ‘Capitão América: Admirável Mundo Novo’

O retorno de Samuel Sterns (Tim Blake Nelson) em ‘Admirável Mundo Novo’ deveria ser o início de uma era de horror psicológico. Nas HQs de Ewing, o Líder não é apenas um gênio cabeçudo; ele é um arquiteto do inferno gama, capaz de manipular a própria morte.

No entanto, a tendência do MCU em transformar vilões complexos em ameaças genéricas de terceiro ato é um sinal de alerta. Se o Líder for apenas mais um conspirador político, a chance de ver a profundidade de ‘Immortal Hulk’ nas telas morre ali. O personagem de Mark Ruffalo precisa de um antagonista que não o desafie fisicamente, mas que estraçalhe sua sanidade — exatamente o que Ewing fez com maestria.

O obstáculo contratual: Universal vs. Disney

Para além da questão tonal, existe o elefante burocrático na sala: os direitos de distribuição. A Universal Pictures ainda detém direitos que complicam um filme solo do Hulk. É por isso que o personagem sempre aparece como coadjuvante ou em projetos de grupo.

Uma adaptação de ‘Immortal Hulk’ exigiria um filme solo de grande orçamento e, idealmente, com classificação indicativa para maiores (R-Rated), seguindo os passos de ‘Deadpool & Wolverine’. Sem a liberdade para mostrar a mutilação e o terror existencial que definem essa fase, qualquer tentativa de adaptação seria apenas uma versão diluída e sem sabor, falhando em capturar a essência da obra de Ewing.

Veredito: O Hulk precisa voltar a ser um pesadelo

O MCU está em uma encruzilhada de saturação. O público não quer mais o ‘Hulk Amigão da Vizinhança’. Queremos o monstro que nos faz questionar a ética da ciência e os limites da alma humana. ‘Immortal Hulk’ não é apenas uma opção de roteiro; é o único caminho para tornar o personagem relevante novamente em um universo cinematográfico que ficou seguro demais.

Se a Marvel tiver coragem de abraçar o horror, o trauma e a bizarrice, poderemos ter o ‘Logan’ desta geração. Se não, o Hulk continuará sendo apenas o alívio cômico mais caro da história do cinema.

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Perguntas Frequentes sobre Immortal Hulk no MCU

O que é o ‘Immortal Hulk’ nas HQs?

É uma fase escrita por Al Ewing (2018-2021) que foca no horror e na imortalidade do Hulk. Nela, Bruce Banner pode morrer durante o dia, mas o Hulk sempre ressuscita à noite, enfrentando ameaças metafísicas e traumas psicológicos profundos.

Teremos um filme do Immortal Hulk no MCU?

Não há confirmação oficial. Embora existam rumores de um filme ‘World War Hulk’, a Marvel Studios ainda enfrenta questões contratuais de distribuição com a Universal Pictures para filmes solo do personagem.

O Hulk do MCU pode morrer?

No MCU atual, o Hulk tem um fator de cura regenerativo avançado, mas nunca foi explorada a imortalidade mística da Porta Verde, como ocorre nos quadrinhos de Al Ewing.

Quem é o vilão principal de Immortal Hulk?

O antagonista central é o ‘One Below All’ (Aquele Abaixo de Tudo), uma entidade cósmica maligna, além de versões aterrorizantes do Líder (Samuel Sterns) e do pai de Bruce, Brian Banner.

Onde ler Immortal Hulk no Brasil?

A saga completa foi publicada pela Panini Comics em formato de encadernados de capa dura e também em edições mensais sob o título ‘O Imortal Hulk’.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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