‘Anaconda’: por que o reboot com Jack Black é o maior sucesso da franquia em 28 anos

Analisamos como ‘Anaconda’ (2025) quebrou a maldição das sequências ao apostar na comédia meta e em um orçamento inteligente. Entenda por que a química entre Jack Black e Paul Rudd, somada à direção de Tom Gormican, transformou o reboot no maior sucesso da franquia em 28 anos.

Existe um cinismo saudável em Hollywood que, quando bem aplicado, opera milagres. ‘Anaconda’ (2025) é o exemplo definitivo dessa tese. O que poderia ter sido apenas mais um cash-grab de uma franquia que definhou em sequências para DVD, transformou-se em um fenômeno de bilheteria ao abraçar a própria galhofa. Com US$ 88 milhões acumulados em pouco mais de uma semana, o filme não apenas reviveu a marca, mas redefiniu como se faz um reboot de terror B em 2026.

A anatomia do lucro: por que ‘Anaconda’ 2025 atropelou as sequências

A anatomia do lucro: por que 'Anaconda' 2025 atropelou as sequências

Para contextualizar o sucesso, precisamos olhar para o retrovisor. O filme original de 1997, apesar das críticas, foi um hit de US$ 137 milhões graças ao star power de Jennifer Lopez e ao carisma vilanesco de Jon Voight. Já ‘Anaconda 2’ (2004) amargou US$ 70 milhões e enterrou a franquia nos cinemas por duas décadas. O novo longa, com um orçamento controlado de US$ 45 milhões, já soma US$ 45,8 milhões no mercado doméstico e US$ 42,2 milhões internacionalmente.

O segredo aqui foi o break-even baixo. Enquanto blockbusters da Marvel ou DC precisam de meio bilhão para respirar, ‘Anaconda’ precisa de apenas US$ 112,5 milhões para entrar no lucro. Com uma queda de apenas 31% no segundo final de semana — um índice de retenção raríssimo para o gênero — o filme provou que o público estava carente de uma diversão que não exigisse o dever de casa de dez filmes anteriores.

O ‘Efeito Gormican’: a metalinguagem como antídoto ao tédio

O diretor Tom Gormican já havia mostrado em ‘O Peso do Talento’ que sabe rir da indústria sem parecer arrogante. Em ‘Anaconda’, ele eleva essa aposta. O roteiro coloca Jack Black e Paul Rudd como versões fictícias de si mesmos (ou quase isso) tentando filmar um remake do ‘Anaconda’ original na Amazônia, apenas para serem caçados por uma criatura real.

A cena em que o personagem de Rudd reclama da “falta de realismo do CGI dos anos 90” enquanto é observado por uma cobra animatrônica gigantesca é o auge dessa ironia. Ao contrário dos reboots que tentam ser sombrios e realistas — erro cometido pelo ‘A Múmia’ de Tom Cruise —, Gormican entende que ‘Anaconda’ é, em sua essência, sobre o absurdo. O filme não tenta ser ‘Tubarão’; ele tenta ser o melhor filme B que o dinheiro de 2025 pode comprar.

Jack Black e Paul Rudd: o marketing da ‘boa vontade’

Jack Black e Paul Rudd: o marketing da 'boa vontade'

Não há métrica que mensure o valor de dois protagonistas que o público genuinamente gosta. Black traz a energia caótica de ‘Jumanji’, enquanto Rudd entrega o timing cômico seco que o consagrou. A química entre os dois ancora o filme mesmo quando os efeitos visuais (propositalmente exagerados em alguns momentos) poderiam tirar o espectador da experiência.

Diferente de elencos montados por algoritmos, o grupo formado por Thandiwe Newton e Steve Zahn parece estar se divertindo. Isso transparece na tela. O sucesso de ‘Anaconda’ 2025 na bilheteria é, em grande parte, um triunfo do carisma humano sobre a fadiga de franquias processuais.

O que o sucesso do reboot ensina para 2026

O lançamento em janeiro foi estratégico. Num mês tradicionalmente conhecido como o “depósito de lixo” dos estúdios, ‘Anaconda’ brilhou por falta de competição direta até a chegada de ‘Primate’. Mas o legado será outro: a validação do modelo de orçamento médio. O filme mostra que existe um caminho lucrativo entre o indie de nicho e o blockbuster de US$ 200 milhões. Às vezes, tudo o que o público quer é uma cobra gigante, piadas inteligentes sobre Hollywood e a garantia de que o filme sabe exatamente o que é: 100 minutos de puro entretenimento escapista.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Anaconda’ 2025

Qual é a bilheteria atual de ‘Anaconda’ 2025?

Até o momento, o filme arrecadou US$ 88 milhões mundialmente, sendo US$ 45,8 milhões nos EUA e US$ 42,2 milhões no mercado internacional.

O novo ‘Anaconda’ é uma continuação ou um reboot?

É um reboot com pegada metalinguística. A história foca em atores tentando fazer um remake do filme original de 1997, mas que acabam enfrentando uma cobra real.

Quem está no elenco de ‘Anaconda’ (2025)?

O filme é estrelado por Jack Black e Paul Rudd, contando também com Thandiwe Newton, Steve Zahn e Daniela Melchior.

Vale a pena assistir ‘Anaconda’ no cinema?

Sim, especialmente se você gosta de comédias de ação e filmes de criaturas. O tom é similar ao dos novos ‘Jumanji’, equilibrando humor e momentos de tensão.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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