O retorno de Steve Rogers ao MCU não é um improviso, mas o resultado de uma estratégia de sete anos que manteve o herói vivo através de meta-referências e uma aposentadoria propositalmente aberta. Analisamos como a Marvel preparou o terreno emocional para a volta de Chris Evans.
Quando o primeiro vislumbre de Steve Rogers surgiu no material promocional de ‘Vingadores: Doutor Destino’, a internet entrou em combustão. Para o espectador casual, pareceu um movimento desesperado de uma Marvel em crise criativa. Para quem observa a arquitetura narrativa do MCU com lupa, o Steve Rogers retorno MCU foi uma operação de cerco que durou sete anos. Não foi um acidente; foi uma manutenção de marca disfarçada de encerramento.
A falácia da aposentadoria em ‘Ultimato’
Precisamos encarar ‘Vingadores: Ultimato’ sob uma nova ótica técnica. Enquanto Tony Stark recebeu o ‘sacrifício do herói’ — um ponto final biológico e narrativo — Steve Rogers recebeu uma ‘saída de emergência’. Ao escolher envelhecer ao lado de Peggy Carter, a Marvel não encerrou a história do Capitão; ela apenas o colocou em um estado de animação suspensa narrativa.
Do ponto de vista de roteiro, um personagem vivo é um recurso disponível. Ao manter Steve no banco de reservas (literalmente, como um senhor idoso no banco de uma praça), o estúdio garantiu que o peso moral do universo permanecesse vinculado a ele, dificultando — propositalmente ou não — a transição completa para Sam Wilson.
O uso do ‘Meta-Humor’ como ferramenta de permanência
Como manter um personagem relevante sem pagar o cachê de Chris Evans? A resposta da Fase 4 foi o folclore interno. Em ‘Gavião Arqueiro’, o ‘Rogers: The Musical’ não foi apenas um alívio cômico; foi uma estratégia de branding. Ao transformar Steve Rogers em uma figura mítica dentro do próprio universo, a Marvel garantiu que o público nunca parasse de processar o nome ‘Capitão América’ associado à imagem de Steve.
O ápice dessa estratégia ocorreu em ‘Mulher-Hulk: Defensora de Heróis’. A obsessão de Jennifer Walters pela virgindade de Steve Rogers serviu a dois propósitos: humanizar o ícone e manter o debate sobre ele vivo nas redes sociais. Cada piada sobre o ‘bumbum da América’ era um lembrete subliminar de que o trono ainda tinha um dono legítimo no imaginário coletivo.
O vácuo moral e a crise de sucessão
A Marvel tentou, de fato, seguir em frente com ‘Falcão e o Soldado Invernal’. A série é um estudo competente sobre racismo e legado, mas esbarrou em um problema técnico de recepção: o público foi treinado por uma década para ver Steve Rogers como o ‘norte magnético’ do MCU. Sem ele, o universo pareceu à deriva.
A volta de Steve em ‘Doutor Destino’ não é apenas nostalgia; é uma correção de curso estrutural. Em um cenário de Multiverso onde as variantes tornam tudo descartável, o retorno do Steve original (ou de uma versão muito próxima) serve para ancorar a audiência emocionalmente antes do confronto final em ‘Guerras Secretas’. É o reconhecimento de que, para o público geral, Sam Wilson é o Capitão da Terra, mas Steve Rogers é o Capitão do MCU.
Chris Evans e o contrato da nostalgia
Não podemos ignorar o aspecto industrial. O retorno de Evans sinaliza uma mudança na política de talentos da Disney. Após o relativo fracasso de bilheteria de novos heróis, o estúdio voltou a apostar no ‘porto seguro’. O terreno foi preparado não apenas com pistas narrativas, mas com uma ausência sentida. A Marvel deixou o público sentir falta da liderança de Rogers para que sua volta não parecesse um retrocesso, mas um resgate necessário.
O trailer de ‘Doutor Destino’ é o ‘finalmente’ que o estúdio planejou desde 2019. Se Steve Rogers tivesse morrido em ‘Ultimato’, sua volta seria um sacrilégio narrativo. Como ele apenas ‘foi ali viver a vida’, seu retorno é apenas o fim de uma licença prolongada. A Marvel jogou o jogo longo, e ganhou.
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Perguntas Frequentes sobre o retorno de Steve Rogers
Chris Evans está confirmado em ‘Vingadores: Doutor Destino’?
Sim, após anos de especulação, o retorno de Chris Evans como Steve Rogers foi confirmado para os próximos filmes da saga Multiverso, começando por ‘Avengers: Doomsday’.
Como Steve Rogers pode voltar se ele estava velho em ‘Ultimato’?
Existem várias possibilidades narrativas: o uso de viagens no tempo, a exploração de variantes do Multiverso ou até mesmo o uso de partículas Pym para reverter o envelhecimento, como visto brevemente com Scott Lang em ‘Ultimato’.
O que acontece com Sam Wilson como Capitão América?
Sam Wilson continua sendo o Capitão América oficial da linha do tempo principal. O retorno de Steve Rogers deve focar em uma ameaça multiversal, permitindo que ambos os heróis coexistam com funções diferentes no MCU.
Steve Rogers morreu de velhice antes de ‘Doutor Destino’?
Embora ‘Loki’ e ‘Falcão e o Soldado Invernal’ tenham sugerido que ele estaria ‘ausente’, o MCU nunca confirmou oficialmente a morte de Steve Rogers, deixando a porta aberta para seu retorno físico.

