‘Stranger Things 5’: Por que o destino de Steve Harrington é a maior vitória da série

Analisamos por que o desfecho de Steve Harrington em ‘Stranger Things 5’ é o arco de personagem mais bem construído da série. Entenda como o ‘babá de Hawkins’ subverteu o clichê do sacrifício heroico para encontrar um propósito real no heroísmo do cotidiano.

Vou ser honesto: quando Steve Harrington começou a cair daquela torre de rádio no episódio final de ‘Stranger Things’, o silêncio na minha sala foi interrompido por um xingamento instintivo. Os irmãos Duffer sabiam exatamente o que estavam fazendo. Após cinco temporadas construindo o arco de redenção mais orgânico da televisão contemporânea, eles escolheram abrir o final de Steve Harrington Stranger Things com um cliffhanger de vida ou morte. É sadismo narrativo, mas de uma precisão cirúrgica.

O falso sacrifício: por que a torre de rádio foi necessária

O falso sacrifício: por que a torre de rádio foi necessária

Aquela sequência inicial do episódio 8 foi desenhada para testar o investimento emocional do público. Steve perde o equilíbrio e a câmera desacelera, focando no horror nos olhos de Dustin antes do corte para o preto. Por alguns segundos, fomos forçados a encarar a possibilidade de que o ‘rei de Hawkins’ terminaria como uma estatística de guerra.

Jonathan agarrando o braço de Steve no último instante não é apenas um recurso de roteiro para gerar alívio; é o fechamento de um ciclo técnico. A montagem paralela entre a queda e as memórias da primeira temporada enfatiza o quanto a dinâmica entre os dois mudou. Steve já havia ‘morrido’ socialmente como o atleta popular e fisicamente nos túneis do Mundo Invertido. Os Duffers precisavam dessa quase-morte final para validar que sua sobrevivência não era por conveniência, mas por propósito.

De ‘babá’ a mentor: a subversão do arquétipo do herói

O epílogo de ‘Stranger Things’ se passa 18 meses após a queda de Vecna. Encontramos Steve Harrington não em uma metrópole brilhante, mas treinando um time de little league em uma Hawkins em reconstrução. Esse desfecho é uma aula de coerência de personagem. Enquanto muitos esperavam um sacrifício glorioso no estilo ‘herói de ação’, a série entregou algo mais difícil de escrever: a maturidade.

Pense na trajetória: na primeira temporada, Steve era definido pela estética e pelo status. Ao longo da série, ele foi sistematicamente despido de suas camadas superficiais. O que restou foi um homem que descobriu que sua maior virtude é a proteção. A cena dele como técnico de baseball, orientando Derek Turnbow, conecta Steve à nova geração. Ele não está apenas ocupando o tempo; ele está curando a cidade através do cuidado, transformando o trauma de ter sido o ‘babá’ relutante em uma vocação consciente.

A honestidade do arco de redenção vs. clichês de Hollywood

A honestidade do arco de redenção vs. clichês de Hollywood

Muitas séries falham em redimir vilões porque tentam transformá-los em santos da noite para o dia. Steve Harrington funciona porque sua evolução nunca foi sobre mudar sua essência, mas sobre revelar quem ele era por baixo da fachada de insegurança do colegial. O taco de baseball com pregos, que retorna simbolicamente no final, não é mais uma arma de defesa, mas uma relíquia de um passado que ele não precisa mais carregar.

Diferente de redenções apressadas — como a de Jaime Lannister em ‘Game of Thrones’ —, a de Steve é baseada em escolhas consistentes de perda. Ele perdeu Nancy, perdeu a popularidade e, finalmente, perdeu o medo de ser comum. Os Duffers entenderam que o heroísmo real não está em morrer em uma explosão, mas em viver para garantir que o mundo continue girando para os outros.

Kristen e a profecia dos ‘seis nuggets’

O roteiro faz uma referência sutil, mas poderosa, ao mencionar que Steve finalmente encontrou estabilidade com Kristen. É a realização daquela conversa melancólica sobre querer ter ‘seis pequenos nuggets’ e viajar em uma van. Durante cinco temporadas, Steve foi o suporte emocional de todos, mas raramente teve o seu próprio. Kristen não é apenas um par romântico; ela representa a normalidade que Steve tanto protegeu para os outros e que finalmente permitiu a si mesmo vivenciar.

Ficar em Hawkins: o maior ato de coragem

O detalhe mais sofisticado do final de Steve Harrington Stranger Things é sua decisão de permanecer na cidade. Enquanto o grupo principal se dispersa para faculdades e novas vidas, Steve escolhe o epicentro do trauma. Ficar em Hawkins para ensinar e treinar crianças é um ato de resistência narrativa. Ele está dizendo que o lugar onde tudo deu errado é exatamente onde ele vai construir algo que dê certo. Steve Harrington não terminou a série como um herói de guerra, mas como o alicerce de uma comunidade. E no universo de ‘Stranger Things’, não existe vitória maior que essa.

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Perguntas Frequentes sobre o final de Steve Harrington

Steve Harrington morre em Stranger Things 5?

Não, Steve Harrington sobrevive aos eventos finais. Apesar de um susto em uma queda na torre de rádio, ele é salvo por Jonathan Byers e termina a série vivo, atuando como técnico de baseball em Hawkins.

Com quem Steve Harrington fica no final da série?

No epílogo, é mencionado que Steve está em um relacionamento estável com uma mulher chamada Kristen, indicando que ele finalmente seguiu em frente em relação aos seus sentimentos por Nancy Wheeler.

Qual é o destino profissional de Steve em Hawkins?

Steve assume um papel de liderança comunitária, tornando-se técnico de uma liga infantil de baseball e auxiliando na educação de jovens na escola local, consolidando seu papel de mentor.

O que acontece com a amizade de Steve e Dustin?

A amizade permanece intacta e mais forte. O epílogo mostra que os dois continuam próximos, planejando viagens e mantendo o vínculo que se tornou o coração emocional da série desde a segunda temporada.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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