Analisamos por que ‘Maze Runner’ sobreviveu ao declínio das distopias adolescentes e como a direção de Wes Ball garantiu uma longevidade técnica rara. Descubra o que o novo reboot planejado pela Disney precisa herdar da trilogia original para ter sucesso.
Doze anos após a estreia de ‘Maze Runner: Correr ou Morrer’, a franquia vive um momento atípico. Enquanto contemporâneos como ‘Divergente’ ou ‘A Hospedeira’ evaporaram do debate cultural, a trilogia de Wes Ball mantém uma relevância resiliente. Com o anúncio de um Maze Runner reboot pela Disney, fica claro que o estúdio percebeu o que os fãs já sabiam: esta não foi apenas mais uma distopia genérica para adolescentes; foi um exercício de gênero que sobreviveu à própria bolha.
A ‘Maldição YA’ e por que Maze Runner escapou
Nos anos 2010, Hollywood tentou transformar cada livro Young Adult em um novo ‘Jogos Vorazes’. O resultado foi uma saturação que quase matou o gênero. ‘Divergente’ é o caso de estudo mais trágico: uma franquia que definhou até ser cancelada antes do capítulo final. O erro comum? Tratar a história como um checklist de clichês (o escolhido, o triângulo amoroso, a facção).
‘Maze Runner’ evitou essa armadilha ao se posicionar mais como um thriller de sobrevivência do que como um romance distópico. O foco nunca foi o drama adolescente, mas o mistério procedural e a tensão física do ambiente. O filme de 2014 não perde tempo com exposição excessiva; ele joga o espectador na clareira junto com Thomas e exige que corramos para entender as regras daquele mundo.
O fator Wes Ball: Direção técnica acima da média
A grande vantagem competitiva da franquia foi Wes Ball. Antes de assumir o comando de ‘Planeta dos Macacos: O Reinado’ (2024), Ball era um artista de efeitos visuais que sabia como esticar um orçamento de 34 milhões de dólares para parecer algo de 100 milhões.
A cena em que Thomas (Dylan O’Brien) entra no labirinto no último segundo para salvar Alby e Minho é uma aula de montagem e som. A escala das paredes de concreto se fechando não parece um efeito digital barato; há um peso industrial, um som metálico que reverbera e cria uma claustrofobia real. Ball usou luz natural e locações físicas sempre que possível, o que impede que o filme pareça datado hoje. O CGI serve à arquitetura do labirinto, não o contrário.
Um elenco de ‘Vingadores’ do cinema independente
Reassistir a ‘Maze Runner’ hoje é um exercício de identificar estrelas em ascensão. É raro ver uma franquia YA onde quase todo o núcleo principal se tornou relevante em projetos de prestígio. Dylan O’Brien provou ser um protagonista físico excepcional, mas são os coadjuvantes que dão peso ao filme.
Will Poulter (Gally) traz uma intensidade que ele refinaria anos depois em ‘O Urso’, transformando o que poderia ser um vilão unidimensional em um antagonista movido por medo e preservação. Thomas Brodie-Sangster e Kaya Scodelario trouxeram uma maturidade britânica que equilibrou a energia americana de O’Brien. Quando você assiste agora, não vê apenas ídolos juvenis, mas atores sólidos construindo carreiras que hoje dominam o streaming e o cinema premiado.
O que esperar do Maze Runner reboot (Soft Reboot)
O anúncio de que Jack Paglen (‘Transcendence’) está roteirizando o novo filme gerou debates. A estratégia confirmada não é um remake — o que seria um erro, dado que o original ainda é visualmente competente — mas um soft reboot. A ideia é expandir o universo, possivelmente explorando outras unidades da WICKED ou os eventos que levaram ao Fulgor.
O risco aqui é a troca de roteirista. Paglen tem um histórico de conceitos ambiciosos com execuções irregulares. Para o reboot funcionar, ele precisa manter o DNA da franquia: menos política mundial e mais sobrevivência visceral. O universo de James Dashner tem prequels como ‘Ordem de Extermínio’ que funcionariam muito bem como filmes de terror isolados, algo que revitalizaria a marca para um público que cresceu.
Veredito: Vale o rewatch?
Diferente de ‘Jogos Vorazes’, que depende muito do seu contexto sociopolítico, ‘Maze Runner’ funciona como cinema de entretenimento puro e bem executado. É um filme sobre o processo de resolução de problemas sob pressão extrema. Se você pulou a trilogia na época por saturação do gênero, dê uma chance ao primeiro filme. Ele é mais seco, tenso e técnico do que a média, e serve como o exemplo perfeito de como uma direção segura pode elevar um material base simples.
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Perguntas Frequentes sobre o Reboot de Maze Runner
O novo filme de Maze Runner será uma continuação?
Não será uma sequência direta nem um remake. O projeto é descrito como um ‘soft reboot’ que se passa no mesmo universo, mas deve focar em novos personagens e diferentes aspectos da mitologia da WICKED.
O elenco original, como Dylan O’Brien, vai voltar?
Até o momento, não há confirmação do retorno do elenco original. Como a proposta é expandir o universo, é improvável que Thomas seja o protagonista, embora participações especiais (cameos) não estejam descartadas.
Onde posso assistir à trilogia original de Maze Runner?
Atualmente, os três filmes (‘Correr ou Morrer’, ‘Prova de Fogo’ e ‘A Cura Mortal’) estão disponíveis no catálogo do Disney+ e no Star+ no Brasil.
Quem vai dirigir o reboot de Maze Runner?
Wes Ball, o diretor da trilogia original, atuará como produtor, mas não deve dirigir o novo filme. O roteiro está sendo escrito por Jack Paglen, mas o novo diretor ainda não foi anunciado.
O reboot será baseado em qual livro de James Dashner?
Ainda não foi confirmado se o filme adaptará os livros ‘prequel’ (como ‘Ordem de Extermínio’) ou se será uma história original criada para o cinema dentro do mesmo cânone.

