‘Cidade Tóxica’: por que o drama da Netflix sobre o escândalo de Corby é essencial

Analisamos por que ‘Cidade Tóxica’ (Netflix) é um dos dramas mais viscerais do ano. Entenda como a minissérie sobre o escândalo de Corby troca o espetáculo pelo ‘horror burocrático’ e por que a atuação de Jodie Whittaker define um novo padrão para histórias baseadas em fatos reais.

Existe um tipo de minissérie que não permite o desvio do olhar — não pelo impacto visual de uma explosão, mas pelo peso do silêncio. ‘Cidade Tóxica’ Netflix (Toxic Town) é exatamente isso: quatro episódios que transformam a negligência industrial em um drama humano visceral, fugindo de vilões caricatos para focar no verdadeiro horror: o burocrático. Sob o comando do roteirista Jack Thorne (conhecido por sua sensibilidade social em ‘The Virtues’), a obra prova que o crime institucional é, muitas vezes, mais devastador que o crime violento.

O escândalo de Corby: o horror que se esconde na poeira

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A minissérie dramatiza o escândalo real ocorrido em Corby, no Reino Unido, entre as décadas de 80 e 90. Após o fechamento de siderúrgicas, o transporte negligente de solo contaminado expôs a população a substâncias tóxicas, resultando em uma taxa alarmante de defeitos congênitos. Mas ‘Cidade Tóxica’ toma uma decisão narrativa brilhante: ela começa após o desastre visível.

Não espere sequências de vazamentos químicos em tons de verde neon. A série foca no gaslighting institucional. É o horror que se desenrola em salas de espera frias, onde mães ouvem que as malformações de seus filhos são ‘coincidências estatísticas’. A fotografia de tons lavados e cinzentos reforça essa atmosfera de contaminação invisível, onde o perigo não está no ar, mas na assinatura de um documento oficial.

Whittaker e Wood: a exaustão como forma de resistência

Jodie Whittaker entrega aqui sua performance mais contida e poderosa. Como Susan McIntyre, ela abandona qualquer traço da energia lúdica de ‘Doctor Who’ para encarnar a exaustão física de uma mãe que precisa se tornar especialista em química e direito apenas para ser ouvida. Ao seu lado, Aimee Lou Wood (Sex Education) traz uma camada geracional essencial, mostrando como o trauma ambiental se infiltra no futuro das famílias.

Diferente de produções como ‘Chernobyl’, que focam na escala do evento, ‘Cidade Tóxica’ é claustrofóbica. A câmera está sempre próxima aos rostos, capturando o micro-momento em que a esperança de uma resposta honesta morre diante de um funcionário público indiferente. É uma atuação de conjunto que não busca o ‘momento para o Emmy’, mas a verdade da luta de classes.

Por que a série foge da fórmula de ‘Erin Brockovich’

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Seria fácil transformar esta história em uma jornada de triunfo jurídico com discursos emocionantes. Felizmente, Jack Thorne evita essa armadilha. A batalha legal é retratada como ela é na vida real: lenta, cara e emocionalmente drenante. Vemos advogados explicando que ‘ter razão’ é irrelevante diante de corporações que podem protelar um processo por décadas.

Uma cena específica exemplifica essa abordagem: quando uma das mães percebe que, mesmo vencendo, nada trará a saúde de seu filho de volta. É um momento de desolação que séries menos corajosas evitariam para manter o tom inspirador. ‘Cidade Tóxica’ prefere a honestidade da cicatriz ao brilho do troféu.

O veredito: ‘Cidade Tóxica’ é essencial?

Com 100% de aprovação crítica, a série se justifica não pelo entretenimento, mas pela relevância. Ela se posiciona ao lado de obras como ‘Dark Waters’ e ‘Dopesick’ ao expor as entranhas do capitalismo industrial. É uma produção que exige atenção plena; não é o tipo de conteúdo para ‘assistir com o celular na mão’.

Se você busca reviravoltas mirabolantes, esta não é a sua série. Mas, se você valoriza um drama que respeita a inteligência do espectador e honra a história real de famílias que enfrentaram o sistema, ‘Cidade Tóxica’ na Netflix é uma das obras mais necessárias e impactantes do ano. É um lembrete incômodo de que, para as grandes corporações, a vida humana é apenas uma linha de custo no balanço final.

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Perguntas Frequentes sobre ‘Cidade Tóxica’ (Netflix)

‘Cidade Tóxica’ é baseada em uma história real?

Sim. A série dramatiza o escândalo de Corby, no Reino Unido, onde a limpeza inadequada de uma siderúrgica levou ao nascimento de crianças com malformações nas décadas de 80 e 90, resultando em uma histórica batalha judicial.

Quantos episódios tem a minissérie ‘Cidade Tóxica’?

A produção é uma minissérie limitada composta por 4 episódios, cada um com aproximadamente 60 minutos de duração.

Quem está no elenco de ‘Cidade Tóxica’ na Netflix?

O elenco principal conta com Jodie Whittaker (Doctor Who), Aimee Lou Wood (Sex Education), Robert Carlyle (Trainspotting) e Jack O’Connell (Skins).

Onde assistir ‘Cidade Tóxica’?

A série está disponível exclusivamente no catálogo da Netflix, sendo uma produção original britânica da plataforma.

A série é muito pesada ou gráfica?

Embora o tema seja emocionalmente denso e triste, a série foca no drama psicológico e na luta legal, evitando cenas gráficas ou exploração visual do sofrimento das crianças.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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