‘Stranger Things’ e o peso do fim: por que o desfecho dividiu os fãs?

Analisamos por que o final de ‘Stranger Things’ evitou o erro de ‘Game of Thrones’ ao apostar no fechamento emocional em vez de choques gratuitos. Entenda como a direção técnica e a fidelidade aos personagens criaram um desfecho que, embora divisivo, honra o legado da série.

Terminar uma série que definiu uma geração é um esporte de risco onde a medalha de ouro raramente agrada a todos. Após quase uma década acompanhando o amadurecimento do elenco e a expansão do Mundo Invertido, o final de Stranger Things chegou com o peso de encerrar não apenas uma trama, mas uma era da cultura pop. E, como era de se esperar, o desfecho não foi uma unanimidade, dividindo o público entre o alívio do fechamento emocional e a frustração pela falta de subversão.

O fantasma de Westeros e a promessa dos Duffer

O fantasma de Westeros e a promessa dos Duffer

Desde que os primeiros rumores sobre a quinta temporada surgiram, a sombra de ‘Game of Thrones’ pairava sobre Hawkins. O medo de um final apressado ou incoerente era real, inclusive para o elenco. Finn Wolfhard (Mike) admitiu em entrevistas que a pressão para não repetir o desastre da HBO era o tópico principal nos bastidores. No entanto, os irmãos Duffer seguiram um caminho oposto ao de Benioff e Weiss: em vez de tentar chocar com reviravoltas de última hora, eles dobraram a aposta no fan service emocional e na nostalgia que fundamentou a série desde 2016.

A diferença fundamental é que ‘Stranger Things’ nunca pretendeu ser um épico niilista. É, em sua essência, uma homenagem ao cinema de Spielberg e à literatura de Stephen King. O final reflete isso ao priorizar a sobrevivência do núcleo principal, o que para muitos soou como uma ‘falta de coragem’ narrativa, enquanto para outros foi a conclusão lógica de uma jornada sobre amizade.

Análise Técnica: A luz no fim do túnel (literalmente)

Visualmente, o episódio final é um triunfo técnico. A fotografia de Caleb Heymann utiliza um contraste agressivo entre o vermelho saturado do Mundo Invertido e os tons pastéis da Hawkins ‘normal’, criando uma separação visual clara que ajuda a ditar o ritmo da tensão. Uma cena específica merece destaque: o confronto final na floresta, onde o uso de luzes estroboscópicas e o silêncio súbito — interrompido apenas pelo sintetizador pulsante de Kyle Dixon e Michael Stein — elevam a experiência para algo quase sensorial.

A trilha sonora, que sempre foi um personagem à parte, aqui atua como uma âncora emocional. Se em temporadas passadas tivemos ‘Running Up That Hill’, o desfecho utiliza temas clássicos da série rearranjados de forma melancólica, reforçando que, embora a batalha tenha sido vencida, a infância daqueles personagens foi definitivamente deixada para trás.

O desfecho dividiu por ser coerente, não por ser ruim

O desfecho dividiu por ser coerente, não por ser ruim

A polêmica sobre o final de Stranger Things reside no fato de que ele não tentou ser ‘esperto’ demais. O arco de Will Byers, por exemplo, teve um fechamento que evitou o clichê do vilão secreto, focando na aceitação de sua própria identidade. Para uma parcela da audiência que esperava perdas devastadoras no nível de ‘Casamento Vermelho’, a sobrevivência de quase todos os favoritos pareceu uma aposta baixa.

Entretanto, os Duffer foram fiéis à proposta original: uma história sobre trauma e superação. O epílogo, focado no reencontro do grupo, deixa claro que o universo de Hawkins continuará existindo, possivelmente em spin-offs já planejados, o que também gerou críticas sobre a série não ter tido um ‘ponto final’ definitivo, mas sim um ‘até logo’.

Valeu a espera?

Para quem buscou em ‘Stranger Things’ uma reinvenção do gênero de terror ou um banho de sangue, o final pode ter deixado um gosto de ‘quero mais’. Mas, para quem se conectou com a humanidade de Eleven, Dustin e companhia, o desfecho foi um abraço necessário. A série termina não com um estrondo de subversão, mas com o conforto da familiaridade — e talvez esse seja o seu maior acerto.

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Perguntas Frequentes sobre o Final de Stranger Things

O final de Stranger Things tem cenas pós-créditos?

Não há uma cena pós-créditos tradicional no estilo Marvel, mas o último episódio conta com um epílogo extenso que dá pistas sobre o futuro do universo da série e possíveis spin-offs.

Onde posso assistir à temporada final?

Todas as cinco temporadas de ‘Stranger Things’, incluindo o desfecho, estão disponíveis exclusivamente na Netflix.

Haverá uma 6ª temporada de Stranger Things?

Não. A 5ª temporada foi oficialmente a última da série principal. No entanto, os criadores já confirmaram que estão desenvolvendo séries derivadas (spin-offs) ambientadas no mesmo universo.

Por que o final de Stranger Things foi comparado a Game of Thrones?

A comparação surgiu devido ao medo dos fãs de que uma série tão popular pudesse entregar um final decepcionante ou apressado. Felizmente, a recepção foi mais positiva que a de GoT, focando na coerência dos personagens.

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Marina Souza
Marina Souza
Oi! Eu sou a Marina, redatora aqui do Cinepoca. Desde os tempos de criança, quando as tardes eram preenchidas por maratonas de clássicos da Disney em VHS e as noites por filmes de terror que me faziam espiar por entre os dedos, o cinema se tornou um portal para incontáveis realidades. Não importa o gênero, o que sempre me atraiu foi a capacidade de um filme de transportar, provocar e, acima de tudo, contar algo.No Cinepoca, busco compartilhar essa paixão, destrinchando o que há de mais interessante no cinema, seja um blockbuster que domina as bilheterias ou um filme independente que mal chegou aos circuitos.Minhas expertises são vastas, mas tenho um carinho especial por filmes que exploram a complexidade da mente humana, como os suspenses psicológicos que te prendem do início ao fim. Meu objetivo é te levar em uma viagem cinematográfica, apresentando filmes que talvez você nunca tenha visto, mas que definitivamente merecem sua atenção.

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