‘Stranger Things 5’: Por que o episódio 7 dividiu tanto o público?

Analisamos por que o Episódio 7 de ‘Stranger Things 5’ recebeu a segunda pior nota da série. Entenda o conflito entre o desenvolvimento emocional de Will Byers e a urgência do final épico, e como a estratégia de lançamento da Netflix prejudicou a percepção do público.

Existe um fenômeno que ocorre quando uma obra amada atinge seu ápice de popularidade: a incapacidade de ser apenas ‘boa’. Ou ela é uma obra-prima que redefine o gênero, ou é um desastre que ‘arruinou minha infância’. ‘Stranger Things 5’ Episódio 7, ‘The Bridge’, caiu no segundo grupo para uma parcela barulhenta do público. Mas, como editor que acompanhou o crescimento desses garotos desde 2016, vejo algo mais profundo nessa divisão do que apenas o ‘hate’ de internet.

Com uma nota de 6.6 no IMDb — a segunda pior da história da série, superando apenas o desvio experimental de ‘The Lost Sister’ na segunda temporada — o penúltimo episódio da saga de Hawkins tornou-se o para-raios de todas as frustrações acumuladas sobre o ritmo desta reta final. O problema, no entanto, não é a coragem de ser emocional, mas a mecânica de como isso foi entregue.

A armadilha do lançamento fragmentado da Netflix

A armadilha do lançamento fragmentado da Netflix

Não podemos analisar ‘The Bridge’ sem olhar para o calendário. A decisão da Netflix de dividir a 5ª temporada em três volumes (Novembro, Natal e Réveillon) criou uma pressão artificial sobre cada capítulo. Quando você espera semanas por um novo bloco de episódios, sua tolerância para ‘episódios de respiro’ ou desenvolvimento de personagem é drasticamente reduzida.

O Volume 1 manteve o hype com 91% de aprovação, mas o Volume 2, onde ‘The Bridge’ é o pilar central, viu essa métrica despencar para 67%. Em uma maratona (binge-watching), este episódio seria o momento de calmaria antes da tempestade; como um evento isolado de final de ano, ele pareceu um freio de mão puxado a 100km/h.

Will Byers e o peso do subtexto transformado em texto

O epicentro da polêmica é a cena na ponte que dá nome ao episódio. Will Byers finalmente confronta Mike Wheeler sobre seus sentimentos. É um momento que a série vem cozinhando em fogo baixo desde a terceira temporada, e a atuação de Noah Schnapp é, tecnicamente, a melhor de sua carreira. A fotografia de Caleb Heymann usa a névoa do Mundo Invertido vazando para a realidade como uma metáfora visual perfeita para o estado de confusão interna de Will.

A divisão do público aqui se ramifica em três pontos que merecem análise fria:

  • O Conflito de Urgência: Enquanto Vecna avança e Hawkins se racha ao meio, parar 10 minutos para uma DR (discussão de relacionamento) gera uma dissonância cognitiva no espectador que busca o épico.
  • O Anacronismo Emocional: Há uma crítica válida sobre a ‘higienização’ da reação de Mike. Nos anos 80, mesmo entre amigos próximos, a aceitação dificilmente seria tão instantânea e articulada. A série escolheu o conforto do público moderno em detrimento da veracidade histórica da época.
  • A Execução Técnica: A montagem do episódio interrompe sequências de ação de Dustin e Steve para voltar ao diálogo introspectivo de Will, quebrando o momentum narrativo de forma quase amadora para os padrões dos Duffer Brothers.

Por que ‘The Bridge’ incomoda mais que ‘The Lost Sister’?

Em ‘The Lost Sister’, o erro foi o isolamento geográfico: Eleven estava em outra cidade com personagens que nunca mais vimos. Em ‘The Bridge’, o erro é o isolamento emocional. O grupo está junto fisicamente, mas a série parece ter medo de avançar a trama principal enquanto não resolve cada pendência de arco individual.

Ao contrário do que dizem os críticos mais ferozes, este não é um episódio ‘filler’. Ele é essencial para que o final tenha peso. Sem a resolução de Will, ele continuaria sendo apenas a vítima eterna de Hawkins. O problema é que os Duffer tentaram fazer um filme de 12 horas e esqueceram que, no formato episódico, o clímax precisa de uma cadência que ‘The Bridge’ simplesmente ignorou.

Vale a pena ou é o início do fim?

‘Stranger Things 5’ Episódio 7 é para quem ama os personagens mais do que a mitologia. Se você assiste pela lore do Mundo Invertido, vai odiar a lentidão. Se você assiste pela jornada de amadurecimento daqueles garotos de 2016, vai encontrar beleza na vulnerabilidade de Will, apesar dos problemas de ritmo.

Minha recomendação? Assista ‘The Bridge’ ignorando o cronômetro. Esqueça que o final da série é o próximo episódio. Olhe para ele como um estudo de personagem que a série devia a Will Byers há anos. A nota 6.6 reflete a ansiedade de uma geração por respostas, não necessariamente a falta de qualidade cinematográfica do que está na tela.

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Perguntas Frequentes sobre Stranger Things 5 Episódio 7

Qual é a nota de ‘The Bridge’ (T5E7) no IMDb?

O episódio 7 da 5ª temporada estreou com nota 6.6 no IMDb, tornando-se o segundo episódio mais mal avaliado de toda a série, atrás apenas de ‘The Lost Sister’ (2×07).

O que acontece com Will Byers no episódio 7?

Will Byers tem um momento de clímax emocional onde finalmente se assume gay e expressa seus sentimentos para Mike. É a conclusão de um arco de subtexto que vinha desde as temporadas anteriores.

O episódio 7 de Stranger Things 5 é o último?

Não, ‘The Bridge’ é o penúltimo episódio. A série termina oficialmente no Episódio 8, que funciona como um longa-metragem de conclusão da saga.

Por que o público odiou o episódio 7?

A principal reclamação não é sobre o conteúdo, mas sobre o ritmo (pacing). Muitos fãs sentiram que o episódio focou demais em diálogos introspectivos quando a trama principal exigia mais ação e respostas sobre o Mundo Invertido.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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