Analisamos por que a série de ‘Assassin’s Creed’ na Netflix é a correção de rumo necessária após o fracasso do filme de 2016. Entenda como o formato episódico e a equipe de ‘Westworld’ podem finalmente equilibrar o drama histórico e a ficção científica da franquia.
Existe um tipo de fracasso que ensina mais do que qualquer sucesso comercial. O filme de ‘Assassin’s Creed’ (2016) foi exatamente isso: uma aula de 240 milhões de dólares sobre como NÃO adaptar uma franquia de videogame. Michael Fassbender entregou uma performance física impecável e a direção de Justin Kurzel trouxe uma estética crua e desaturada que fugia do óbvio, mas o roteiro cometeu o erro capital de tentar comprimir um oceano em um copo d’água. Agora, a Netflix parece ter entendido que a redenção da Irmandade não está no cinema, mas na narrativa episódica.
O erro de 2016: A tirania do tempo de tela
O problema fundamental da versão cinematográfica não foi a falta de orçamento, mas a incapacidade de equilibrar o lore denso da Ubisoft. A premissa central — o conflito milenar entre Assassinos e Templários mediado pelo Animus — exige uma exposição que o cinema raramente comporta sem sacrificar o ritmo. No filme, a Inquisição Espanhola virou apenas um pano de fundo para cenas de ação, enquanto o presente na Abstergo parecia um drama carcerário estéril.
Ao tentar servir a dois mestres, o longa não agradou ninguém. Faltou tempo para desenvolver a conexão emocional entre Cal Lynch e seu ancestral Aguilar de Nerha. Em uma série, esse dilema desaparece. O formato longo permite que a narrativa respire, dedicando episódios inteiros à construção de mundo em períodos históricos específicos sem a pressa de retornar ao presente para resolver um clímax de terceiro ato.
Showrunners e a herança de ‘Westworld’ e ‘Halo’
A escolha de Robert Patino e David Weiner como comandantes da produção é um sinal claro da ambição da Netflix. Patino, vindo de ‘Westworld’, traz a experiência necessária para lidar com múltiplas linhas temporais e conceitos de ficção científica existencial. Já Weiner, apesar das críticas divididas sobre ‘Halo’, entende a logística massiva de traduzir estéticas de jogos para o live-action.
O elenco anunciado até agora — incluindo nomes como Laura Marcus e Toby Wallace — sugere uma aposta em rostos menos saturados, o que pode ajudar na imersão. Ao contrário de 2016, onde o peso do nome de Fassbender às vezes eclipsava a mitologia, uma série com novos personagens tem a liberdade de expandir o universo sem ficar presa às expectativas de adaptar um protagonista específico dos jogos como Ezio ou Altaïr.
A história como protagonista, não como cenário
O que define ‘Assassin’s Creed’ é a sensação de ser um turista histórico em momentos de ruptura da humanidade. O filme falhou ao tratar a história como um mero nível de videogame. A série da Netflix tem a oportunidade de emular o que produções como ‘Shōgun’ fizeram recentemente: tratar o período histórico com uma densidade cultural e política que justifique a existência da guerra secreta.
Imagine a possibilidade de explorar a Florença Renascentista ou a Revolução Industrial com o tempo necessário para que figuras históricas sejam personagens reais, e não apenas cameos glorificados. O equilíbrio ideal seria 70% de drama histórico e 30% de conspiração moderna — uma proporção que o filme inverteu desastrosamente.
Riscos: A armadilha do ‘filler’ e o tom solene
Nem tudo são flores na transição para o streaming. O maior risco da Netflix é a diluição narrativa. ‘Assassin’s Creed’ precisa evitar a seriedade opressiva e sem humor do filme de Kurzel. Os jogos, apesar de violentos, sempre tiveram um senso de aventura e descoberta. Se a série se tornar um drama político excessivamente denso e sem o dinamismo do parkour e do sigilo, corre o risco de se tornar apenas mais uma ficção científica genérica.
A redenção de ‘Assassin’s Creed’ na Netflix depende de uma única coisa: coragem para abraçar a estranheza da sua premissa. É uma história sobre memórias genéticas, deuses antigos e conspirações globais. Se a série tiver a paciência de construir esse castelo tijolo por tijolo, poderemos finalmente ver a obra-prima que a franquia sempre prometeu ser fora dos consoles.
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Perguntas Frequentes sobre ‘Assassin’s Creed’ na Netflix
Quando estreia a série de ‘Assassin’s Creed’ na Netflix?
Ainda não há uma data de estreia oficial confirmada, mas as previsões apontam para o final de 2025 ou início de 2026, dado o estágio atual de pré-produção e escalação de elenco.
A série será baseada em algum jogo específico da franquia?
Tudo indica que a série contará uma história original dentro do cânone da franquia, focando em novos personagens em vez de adaptar diretamente a jornada de Ezio ou Altaïr, embora referências aos jogos sejam esperadas.
A série tem conexão com o filme de 2016 estrelado por Michael Fassbender?
Não. A série da Netflix é considerada um reboot para as telas, buscando uma nova abordagem narrativa e visual, sem ligações diretas com os eventos ou personagens do filme da Fox.
Quem são os showrunners da série de ‘Assassin’s Creed’?
A produção conta com Robert Patino (conhecido por seu trabalho em ‘Westworld’) e David Weiner (de ‘Halo’ e ‘Brave New World’), trazendo experiência em grandes produções de ficção científica.
Onde a série de ‘Assassin’s Creed’ foi gravada?
As locações exatas ainda são mantidas em sigilo, mas a produção envolve sets internacionais para retratar os diferentes períodos históricos que a trama deve abordar.

