Barbara Muschietti revela que o orçamento milionário de ‘IT: Bem-Vindos a Derry’ é o principal obstáculo para a segunda temporada, mesmo com a série sendo a terceira maior estreia da história da HBO Max. Entenda por que sucesso de audiência não garante renovação no streaming.
A primeira temporada de ‘IT: Bem-Vindos a Derry’ terminou com números que fariam qualquer executivo de streaming sorrir: terceira maior estreia da história da HBO Max, atrás apenas de ‘A Casa do Dragão’ e ‘The Last of Us’. Crescimento médio de 60% a cada episódio. Crítica entusiasmada. Stephen King pedindo por mais. E mesmo assim, Barbara Muschietti, co-criadora da série, não consegue confirmar uma segunda temporada.
O motivo? Dinheiro. Muito dinheiro.
O problema de ‘IT: Bem-Vindos a Derry’ temporada 2 não é criativo — é financeiro
Em entrevista ao ScreenRant após o finale da primeira temporada, Barbara Muschietti foi direta sobre o obstáculo que separa a série de sua continuação: “Existe uma barra muito alta para a HBO considerar seguir em frente. Não é uma série barata de produzir.”
A declaração pode parecer protocolar, mas esconde uma realidade incômoda para produções de horror de grande escala. Se ‘IT: Bem-Vindos a Derry’ seguiu o padrão orçamentário dos filmes de Andy Muschietti — e considerando o trabalho extensivo de efeitos visuais nas diversas formas de Pennywise ao longo da temporada, é provável que tenha seguido — estamos falando de um orçamento estimado entre 80 e 100 milhões de dólares. Para uma única temporada.
O problema é que televisão não funciona como cinema. Nos filmes de ‘IT’, o retorno era direto: bilheteria global mais receita de streaming. ‘IT: A Coisa’ (2017) arrecadou 701 milhões de dólares com orçamento de 35 milhões — um retorno de 20 para 1. Em streaming, a equação é outra e muito mais nebulosa: não há bilheteria, apenas métricas internas de engajamento que raramente justificam orçamentos dessa magnitude.
A incerteza corporativa da Warner Bros. Discovery
Como se o custo de produção não fosse suficiente, existe outro fator complicador: a Warner Bros. Discovery atravessa um período de reestruturação financeira agressiva sob David Zaslav. O estúdio cancelou projetos em estágios avançados de produção, arquivou filmes já finalizados por questões fiscais e reduziu drasticamente o número de séries originais.
Nesse contexto, uma série de horror com orçamento de blockbuster precisa provar que é absolutamente essencial para o catálogo — não apenas boa, mas indispensável. Barbara Muschietti e sua equipe têm um plano de três temporadas mapeado: a segunda se passaria em 1935, a terceira em 1908. Mas planos de longo prazo são luxo em tempos de contenção de gastos.
O que funciona a favor da renovação
Apesar do tom cauteloso de Muschietti, seria injusto pintar um cenário completamente pessimista. A co-criadora deixou claro que existe vontade de todas as partes: “Nós realmente queremos fazer. Stephen King quer fazer também, e a HBO quer fazer, tenho certeza. Mas ainda é uma questão que precisamos responder.”
Os números da primeira temporada são argumentos poderosos. Ficar atrás apenas de ‘A Casa do Dragão’ e ‘The Last of Us’ — duas das maiores apostas da HBO nos últimos anos — não é pouca coisa. E o crescimento consistente de audiência episódio a episódio sugere algo que executivos adoram: retenção. Pessoas não estavam apenas curiosas sobre a série; elas permaneceram até o final.
Adaptações de Stephen King continuam sendo território fértil em Hollywood. O autor tem um histórico de décadas transformando seu nome em bilheteria, e seu apoio público à série adiciona um peso que poucos projetos conseguem ostentar. Quando King diz que quer mais, executivos ouvem.
O finale preparou terreno para algo ambicioso
Quem assistiu ao último episódio sabe que os Muschiettis não estavam pensando pequeno. A revelação de que Pennywise percebe o tempo de forma não-cronológica — e pode usar conhecimento do presente para influenciar o passado — abre possibilidades narrativas que justificariam o investimento de múltiplas temporadas.
É uma aposta ousada: em vez de simplesmente recontar a história de Pennywise em ordem cronológica reversa, a série sugere uma estrutura onde passado e presente se contaminam mutuamente. Se executado bem, seria algo que nem os filmes nem o livro de King exploraram dessa forma. O problema é que “executado bem” exige tempo, dinheiro e estabilidade corporativa — três coisas em falta no momento.
O veredito: renovação provável, mas não garantida
Barbara Muschietti está fazendo o que qualquer pessoa sensata faria: não prometendo o que não pode entregar. A segunda temporada de ‘IT: Bem-Vindos a Derry’ provavelmente vai acontecer — os números e o interesse criativo apontam nessa direção — mas o caminho até lá depende de variáveis que escapam ao controle dos criadores.
A decisão final será tomada em salas de reunião onde planilhas pesam mais que críticas positivas. E no atual clima da indústria, mesmo sucessos comprovados precisam lutar por sua continuação.
Por enquanto, os oito episódios da primeira temporada estão disponíveis na Max. Se você ainda não assistiu e quer aumentar as chances estatísticas de uma continuação, já sabe o que fazer.
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Perguntas Frequentes sobre ‘IT: Bem-Vindos a Derry’
‘IT: Bem-Vindos a Derry’ vai ter segunda temporada?
Ainda não há confirmação oficial. Barbara Muschietti afirmou que existe interesse de todas as partes — incluindo Stephen King e a HBO — mas o alto custo de produção é um obstáculo significativo. A decisão deve ser anunciada nos próximos meses.
Onde assistir ‘IT: Bem-Vindos a Derry’?
A primeira temporada completa, com oito episódios, está disponível na Max (anteriormente HBO Max). A série é exclusiva da plataforma.
Quantas temporadas de ‘IT: Bem-Vindos a Derry’ estão planejadas?
Os criadores Barbara e Andy Muschietti têm um plano de três temporadas: a primeira se passa em 1962, a segunda seria em 1935 e a terceira em 1908, explorando as origens de Pennywise em diferentes épocas de Derry.
Preciso ter visto os filmes de ‘IT’ para entender a série?
Não é obrigatório, mas recomendado. ‘IT: Bem-Vindos a Derry’ funciona como prequela dos filmes de 2017 e 2019, e conhecer os eventos futuros enriquece a experiência, especialmente nas conexões temporais reveladas no finale.
Por que a renovação de ‘IT: Bem-Vindos a Derry’ é incerta mesmo com bons números?
O orçamento estimado entre 80 e 100 milhões de dólares por temporada torna a série uma das mais caras da HBO. Em streaming, diferente do cinema, não há bilheteria direta para compensar o investimento — apenas métricas de engajamento que nem sempre justificam custos dessa magnitude.

