7 séries de fantasia histórica para quem assistiu ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’

Selecionamos 7 séries de fantasia histórica que compartilham o tom ‘low fantasy’ e o foco em classes baixas de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’. De ‘Britannia’ a ‘Vikings’, indicamos onde assistir e por que cada uma funciona para quem busca fantasia grounded.

Existem dois tipos de fantasia na TV atualmente. A primeira é a ‘high fantasy’ — reinos épicos, profecias grandiosas, exércitos de milhares, dragões e tronos dourados. A segunda é algo mais terra-a-terra, mais sujo, mais humano. ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ se encaixa nessa segunda categoria, e é exatamente por isso que funciona tão bem. Se você buscou por séries como O Cavaleiro dos Sete Reinos, provavelmente entende o que estou dizendo: não queremos mais elfos impecáveis e castelos reluzentes. Queremos lama, suor, personagens que comem, erram e sofrem como gente real.

A prequel de Game of Thrones fez algo que poucos esperavam: focou nas camadas mais baixas da sociedade de Westeros. Dunk não é um herói tradicional — é um cavaleiro errante sem recursos, sem linhagem nobre, sem nada além de uma armadura enferrujada e um escudeiro peculiar. Essa abordagem ‘low fantasy’ muda tudo. A magia existe, mas é distante, quase irrelevante. O que importa é sobreviver mais um dia.

Montei esta lista com um critério específico: não são apenas ‘séries de fantasia’. São histórias que compartilham esse DNA grounded — seja na ambientação histórica realista, no foco em personagens marginalizados, ou na forma como tratam o sobrenatural como algo cotidiano e perigoso, não espetaculoso. Se você terminou a primeira temporada de Dunk e Egg e quer mais desse tipo de narrativa, estas são as melhores apostas.

‘Britannia’: brutalidade sagrada na antiga Britânia (disponível na Prime Video)

'Britannia': brutalidade sagrada na antiga Britânia (disponível na Prime Video)

Se existe uma série nesta lista que parece prima-irmã de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’, é ‘Britannia’. A produção da Sky/Amazon se passa em 43 d.C., quando o Império Romano tenta invadir a Britânia pela segunda vez — e encontra resistência inesperada de tribos celtas e druidas que praticam uma magia visceral, assustadora.

O que torna ‘Britannia’ compatível com o spinoff de GoT é o tom. Ambas as séries habitam um mundo onde magia existe, mas não é algo limpo ou elegante. Os druidas de ‘Britannia’ canalizam o submundo através de rituais que envolvem sangue, sacrifício e uma conexão perturbadora com a natureza. Em um momento específico da primeira temporada, uma personagem precisa atravessar o ‘submundo’ — e a sequência é tão desconcertante quanto qualquer coisa que George R.R. Martin já escreveu.

Politicamente, a série também ressoa. Há disputas de poder entre tribos, traições constantes, e uma sensação de que nenhum personagem está verdadeiramente seguro. A diferença visual é notável: onde ‘O Cavaleiro’ usa uma paleta mais cinzenta e ‘medieval sujo’, ‘Britannia’ abraça cores mais vibrantes — mas a brutalidade subjacente é idêntica.

‘Carnival Row’: fantasia vitoriana sobre imigração e discriminação (Prime Video)

À primeira vista, ‘Carnival Row’ parece pertencer a outro universo. Estamos em um mundo vitoriano alternativo onde criaturas mágicas — fadas, faunos, pixies — fogem de suas terras natais após invasão humana e se refugiam em uma metrópole industrial que os trata como cidadãos de segunda classe. Orlando Bloom e Cara Delevingne lideram o elenco, mas o verdadeiro protagonista é o cenário opressivo.

A conexão com ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ está no foco nas classes baixas. Em ambas, os personagens centrais lutam contra sistemas que os esmagam. Dunk é um cavaleiro sem terra, sem recursos, tratado com desdém pela nobreza. Em ‘Carnival Row’, os imigrantes fantásticos enfrentam xenofobia institucionalizada — leis que restringem onde podem viver, com quem podem se relacionar, se podem voar. A fantasia aqui serve como metáfora direta para questões reais de imigração e discriminação, algo que o público brasileiro reconhece instantaneamente.

Visualmente, a série da Prime Video é mais estilizada que o realismo sujo de Westeros, mas compõe sua própria estética de degradação urbana. Os becos de Carnival Row são tão lamacentos quanto qualquer estrada que Dunk atravessa.

‘Vikings’: magia que nasce da crença (Netflix e Prime Video)

'Vikings': magia que nasce da crença (Netflix e Prime Video)

Há um debate legítimo sobre se ‘Vikings’ é fantasia histórica ou drama histórico com elementos mitológicos. Essa ambiguidade é exatamente o que a torna próxima de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’. A série trata o sobrenatural da mesma forma que um nórdico do século VIII trataria: como fato, não como espetáculo.

Ragnar Lothbrok e seus familiares recebem visões, interpretam presságios, encontram figuras como Odin em estradas desertas. A série nunca confirma ou nega se isso é ‘realmente mágica’ ou manifestação de crença intensa — e essa ambiguidade é genial. Em ‘O Cavaleiro’, a magia existe no mundo (dragões, profecias, White Walkers), mas para personagens como Dunk, ela é irrelevante no dia a dia. O sobrenatural está lá, mas a vida continua.

Travis Fimmel como Ragnar entrega uma das melhores atuações de ‘líder carismático e profundamente falho’ da TV moderna. Se você apreciou a forma como ‘O Cavaleiro’ constrói personagens moralmente complexos, ‘Vikings’ oferece o mesmo em escala épica — seis temporadas que expandem de um único assentamento para viagens à Inglaterra, França e até o Mediterrâneo.

‘Jonathan Strange & Mr. Norrell’: magia como ciência esquecida (BBC iPlayer, disponível em DVD/Streaming)

Minissérie da BBC de 2015, ‘Jonathan Strange & Mr. Norrell’ é adaptada do romance de Susanna Clarke que ganhou o Hugo Award — e o próprio George R.R. Martin elogiou publicamente tanto o livro quanto a adaptação. Isso já seria recomendação suficiente para qualquer fã de GoT, mas a série merece atenção por seus próprios méritos.

A premissa é fascinante: em uma versão alternativa da Inglaterra napoleônica, a magia existe, mas foi praticamente esquecida. Dois magos emergem — o recluso e estudioso Mr. Norrell, e o jovem e impulsivo Jonathan Strange — e inicialmente colaboram para usar magia na guerra contra Napoleão, antes de se tornarem rivais.

O que conecta esta série a ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ é o tratamento da magia como algo concreto, quase burocrático. Não é poder místico vago — é uma prática com regras, livros, história. Os magos debatem teoria, consultam textos antigos, erram e sofrem consequências. É fantasia intelectual, com ritmo lento deliberado que recompensa paciência. Se você gosta da forma como Martin constrói mundo através de detalhes aparentemente menores, esta série é essencial.

‘Dickinson’: realismo mágico para a geração Hailee Steinfeld (Apple TV+)

'Dickinson': realismo mágico para a geração Hailee Steinfeld (Apple TV+)

Sim, ‘Dickinson’ parece uma anomalia nesta lista. Uma série da Apple TV+ sobre a poetisa americana Emily Dickinson, ambientada no século XIX, com trilha sonora contemporânea e anacronismos deliberados. Mas olhe mais de perto: há uma razão para estar aqui.

A série incorpora realismo mágico de forma brilhante. Emily experimenta visões, encontra a Morte (interpretada por Wiz Khalifa em uma escolha de elenco que funciona surpreendentemente bem), vive momentos surrealistas que representam seu processo criativo. A magia não é ‘real’ no sentido literal — é manifestação de sua psicologia, mas tratada com seriedade narrativa.

A conexão com ‘O Cavaleiro’ está no foco em um underdog lutando contra expectativas sociais. Dunk enfrenta preconceito por ser um cavaleiro sem linhagem. Emily enfrenta restrições por ser mulher com ambições intelectuais em uma sociedade que não permite isso. Ambas as séries misturam tom leve com temas pesados — comédia e drama coexistindo sem conflito. E ambas têm valores de produção impecáveis, com figurinos que parecem vivos, não de vitrine.

‘Da Vinci’s Demons’: quando história vira fantasia renascentista (Starz/Prime Video)

Agora, um aviso: ‘Da Vinci’s Demons’ não tem compromisso com precisão histórica. A série da Starz imagina um Leonardo da Vinci de 25 anos como uma espécie de gênio sobrenatural — parte inventor, parte detetive, parte herói de ação — em uma Florença renascentista repleta de conspirações religiosas e segredos ocultos.

Isso soa ridículo? É. E a série sabe. ‘Da Vinci’s Demons’ abraça sua própria absurdidade com tanta convicção que funciona. Os valores de produção são cinematográficos — a série ganhou Emmy de design de abertura e foi indicada para efeitos visuais. A fotografia da Toscana é deslumbrante, os figurinos são ricos, e as sequências de ‘invenção’ de Da Vinci são visualizadas de forma criativa.

Para fãs de ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’, a conexão está na qualidade técnica e no foco em um protagonista outsider. Da Vinci é gênio, mas é constantemente barrado por instituições — a Igreja, famílias rivais, estruturas de poder que temem seu intelecto. É fantasia histórica no sentido mais literal: história transformada em fantasia.

‘As Aventuras de Merlin’: a jornada do escudeiro reimaginada (Netflix em algumas regiões, Prime Video)

'As Aventuras de Merlin': a jornada do escudeiro reimaginada (Netflix em algumas regiões, Prime Video)

Fechando com a série que talvez seja a mais diretamente comparável a ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’. ‘As Aventuras de Merlin’ (2008-2012) reimagina a lenda arturiana de forma inesperada: Merlin não é o mago poderoso da tradição, mas um jovem servo que deve esconder seus poderes mágicos em um reino onde magia é proibida. Arthur, por sua vez, é um príncipe arrogante que precisa aprender a ser rei.

A estrutura narrativa é praticamente idêntica. Em ‘O Cavaleiro’, Dunk é o cavaleiro fisicamente imponente mas socialmente desvalido, enquanto Egg é o escudeiro inteligente que o guia. Em ‘Merlin’, o mago é o servo — o verdadeiro cérebro da operação — enquanto Arthur é a figura pública que recebe o crédito. Ambas as séries são ‘fantasia grounded’ focada em personagens das camadas baixas da sociedade (ou que fingem estar nelas).

A série britânica começa fraca — a primeira temporada é propositalmente leve e episódica. Mas evolui. As temporadas seguintes introduzem conflito político, morte real, consequências. Se você aguentar o início, o payoff é significativo.

Por que estas séries funcionam para quem buscou ‘séries como O Cavaleiro dos Sete Reinos’

O elemento unificador aqui não é ‘séries com magia’. É séries onde a fantasia serve à humanidade dos personagens, não o contrário. Em todas as recomendações acima, o sobrenatural é tratado como parte do mundo — às vezes reverenciado, às vezes temido, às vezes ignorado — mas nunca como substituto para desenvolvimento de personagem.

‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ foi renovado para segunda temporada, e a HBO provavelmente encomendará a terceira. Mas não espere até 2027. Estas sete séries oferecem exatamente o que o spinoff de GoT promete: fantasia que se importa mais com pessoas do que com espetáculo.

Minha recomendação pessoal? Comece com ‘Britannia’ se quer algo visual e tematicamente próximo. Vá para ‘Vikings’ se prefere escala épica. E reserve ‘Jonathan Strange & Mr. Norrell’ para quando estiver disposto a assistir algo mais lento, mas intelectualmente denso. Todas valem seu tempo.

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Perguntas Frequentes sobre séries como ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’

Qual série dessa lista é mais parecida com ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’?

‘Britannia’ é a mais próxima visual e tematicamente — mesma mistura de brutalidade medieval, magia visceral e política de baixo escalão. ‘As Aventuras de Merlin’ também é similar na estrutura de protagonista servo e escudeiro inteligente.

Onde assistir ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’?

‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ está disponível exclusivamente na HBO Max (atual Max). A primeira temporada tem 6 episódios, e a segunda temporada já foi renovada.

Todas essas séries têm magia e elementos fantásticos?

Sim, mas com graus variados. ‘Vikings’ e ‘Dickinson’ tratam o sobrenatural como ambíguo ou psicológico. ‘Britannia’ e ‘Carnival Row’ têm magia explícita. ‘Jonathan Strange & Mr. Norrell’ apresenta magia como prática sistemática. Em comum, nenhuma usa fantasia como substituto para desenvolvimento de personagem.

‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ tem segunda temporada confirmada?

Sim, a HBO renovou ‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ para segunda temporada antes mesmo da estreia da primeira. A série adapta os três contos de ‘The Hedge Knight’ de George R.R. Martin, então há material para pelo menos três temporadas.

Qual dessas séries é a melhor para começar?

Depende do que você busca: ‘Britannia’ para algo visual e tematicamente próximo de Westeros; ‘Vikings’ para escala épica e personagens complexos; ‘Jonathan Strange & Mr. Norrell’ para fantasia intelectual e ritmo mais lento. Evite começar por ‘Merlin’ — a primeira temporada é fraca.

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Lucas Lobinco
Lucas Lobinco
Sou o Lucas, e minha paixão pelo cinema começou com as aventuras épicas e os clássicos de ficção científica que moldaram minha infância. Para mim, cada filme é uma nova oportunidade de explorar mundos e ideias, uma janela para a criatividade humana. Minha jornada não foi nos bastidores da produção, mas sim na arte de desvendar as camadas de uma boa história e compartilhar essa descoberta. Sou movido pela curiosidade de entender o que torna um filme inesquecível, seja a complexidade de um personagem, a inovação visual ou a mensagem atemporal. No Cinepoca, meu foco é trazer uma perspectiva única, mergulhando fundo nos detalhes que fazem um filme valer a pena, e incentivando você a ver a sétima arte com novos olhos.Tenho um apreço especial por filmes de ação e aventura, com suas narrativas grandiosas e sequências de tirar o fôlego. A comédia de humor negro e os thrillers psicológicos também me atraem, pela forma como subvertem expectativas e exploram o lado mais sombrio da psique humana. Além disso, estou sempre atento às novas vozes e tendências que surgem na indústria, buscando os próximos grandes talentos e as histórias que definirão o futuro do cinema.

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